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terça-feira, 11 junho, 2024

Energia move o mundo e quem não se prepara, sucumbe.

Pedro Augusto Pinho*

Há cerca de 20 anos, uma série de três filmes ganhou muitos prêmios e receitas (bilhões de dólares estadunidenses). Foram “O Senhor dos Anéis”, dos três livros do sul-africano John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973). Neles se observam as energias mais primitivas, a do corpo humano, do fogo e dos animais. Mas foi assim, com estas fontes de energia, que Roma construiu seu Império. É discutível, porém admissível, que a água, à época, também já fosse utilizada para geração de energia.

Mas a situação atual é muito diferente, na busca pelo progresso civilizatório o homem foi descobrindo e utilizando novas fontes de energia até a mais recente, a nuclear, que está presente em quase todas as atividades humanas, até no tratamento do câncer.

O mundo, desde a década de 1980, foi assolado por uma ideologia, a neoliberal, de interesse meramente financeiro monetário, que promoveu verdadeiro retrocesso civilizatório. E as energias, que movem a mundo humano, promovem a vida de conforto e bem-estar das sociedades, têm sido especialmente afetadas, em especial nos países que se deixaram dominar pelo neoliberalismo, submeteram-se ao poder financeiro.

As estatísticas que apresentamos foram obtidas do Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2021, produzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), com informações do U.S. Energy Information Administration (EIA).

As séries estatísticas se referem ao quinquênio encerrado em 2018, salvo quando expressamente indicado, todos os valores estão em gigawatt (GW).

Iniciamos pela geração de energia elétrica pela potência instalada. A República Popular da China (China) é o país que, em 2018, liderava com 1.911 GW de capacidade, representando 27% da mundial. Seguiam-se, por ordem, os Estados Unidos da América (EUA), 1.114; Índia (411), Japão (316), Federação Russa (Rússia), 273; Alemanha (228) e o Brasil (165), 2,3% da capacidade mundial.

O Anuário do MME, ainda que apresente um Glossário, não explicita o que componha a energia renovável. Pelos gráficos, inferimos que sejam das fontes geotermais, solar, das marés, eólica e da biomassa e resíduos sólidos.

Quanto à capacidade instalada para energia renovável, o Brasil já ocuparia o pódio, atrás da China (724) e dos EUA (267), com 137GW. A China, nesta capacidade, representa 29% e os EUA 11% do Mundo.

Para Energia Nuclear temos os EUA (99; 27%), a França (63; 17%), a China (43,12%), e a Rússia (27,7%) como principais. O Brasil comparece em 19º lugar, com 2 GW e 0,5% na participação mundial.

Em relação à Energia Fóssil, os cinco grandes são: China, com 1.144 GW e participação de 27% da capacidade mundial; os EUA, respectivamente, com 748 e 17%; a Índia, 282 e 7%; o Japão, 193 e 4% e a Rússia, 190 e 4%.

O Brasil ocupa o 28º posto no ranking mundial com 25 GW e participação de 0,6%.

Na capacidade instalada de geração hidrelétrica, o Brasil está melhor situado, com 104 GW (8% da capacidade mundial), apenas depois da China (352; 27%). Seguem-se os EUA (103; 8%), o Canadá (81; 6%) e a Rússia (53; 4%).

Quanto à energia eólica, temos mais uma vez a China (184; 33%), na ponta. Seguem-se os EUA (94; 17%), Alemanha (59; 10%), Índia (35; 6%), Espanha (23; 4%), Reino Unido (22; 4%) e Brasil (15; 3%). É interessante apontar que na capacidade de geração eólica, no último quinquênio, todos países, embora alguns com mínima variação, tiveram acréscimos, exceto a Espanha.

Na geração de energia solar, mais uma vez a China (175; 36%) se destaca, seguida pelo Japão (56; 11%), EUA (51; 10%), Alemanha (45; 9%) e Índia (27; 5%).

Na capacidade de geração de energia da biomassa, o Brasil ocupa o “honroso” segundo lugar (15; 11%), superado apenas pelos EUA (16; 11%). Seguem-se a China (13; 10%), Alemanha (12; 9%) e Índia (10; 8%).

Na geração de energia elétrica pelo mundo, em 1980, a dos combustíveis fósseis representava a principal fonte, responsável por 69,2% do total. Seguiam-se a da hidreletricidade, com 21,5% e a nuclear, com 8,5%. A biomassa ainda era inexpressiva, com 0,22%, inteiramente devido às “crises” do petróleo, nos anos 1970, que levou à criação do Proálcool, no Brasil.

Trinta anos após, em 2010, as percentagens variaram, mas as importâncias daquelas fontes se mantiveram. A energia de origem fóssil passara para 67,1%, a hidrelétrica tivera maior queda percentual, para 16,4%, principalmente pelo surgimento da energia eólica, 2,1%. A nuclear passava para 11,9% e a biomassa para 1,8%. As campanhas das Organizações não Governamentais (ONGs) por energia limpa, contra poluição e seus efeitos indesejáveis, não correspondia ao que ocorrera com as fontes geradoras. Enquanto os combustíveis fósseis tinham redução da ordem de dois pontos percentuais, a limpa hidreletricidade caía cerca de cinco pontos percentuais. E fora a discutível energia eólica, avançando pelo Canal da Mancha, na área da Bélgica, prejudicando as aves, pescadores e o transporte com o Reino Unido, que tirara 2,1% da geração das hidrelétricas.

Em 2018, as posições pouco se alteraram: as fósseis passaram a 63,5%, ainda amplamente majoritárias, a hidrelétrica praticamente mantinha a posição, 16,3%, a nuclear caia para 10%, e as novas energias, no todo, passavam do traço, em 1980. A eólica representava 5%; biomassa 2,4% e solar 2,3%.

As posições em relação à energia no mundo estão correspondendo ás posições econômicas, políticas e dos avanços sociais. A China, com 6.802 TWh, é a líder mundial, com geração 62% superior à dos EUA (4.208 TWh), o segundo colocado. Completando os dez primeiros temos: Índia (1.551 TWh), Rússia (1.045 TWh), Japão (985 TWh), Canadá (637 TWh), Alemanha (609 TWh), Brasil (601 TWh), Coreia do Sul (553 TWh) e França (551 TWh), porém suas perspectivas são diferentes e diversas.

A China, que não seguiu as diretrizes do “Consenso de Washington” (1989), “bíblia” do neoliberalismo, é o país que mais cresce na capacidade de geração de energia, e nas suas diversas fontes. O mesmo ocorre com a Índia e, em menor escala, com a Rússia.

Os EUA, a Alemanha, a Coreia do Sul, o Brasil e a França estão praticamente estacionados neste último decênio. Mas o Japão e o Canadá estão com suas capacidades decrescentes, do que se pode inferir que adotaram o decálogo do “Consenso de Washington”, que não é bom para o crescimento econômico, social e para felicidade das Nações. 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.

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