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sexta-feira, 21 junho, 2024

Embaixada da Itália desmoraliza a ‘Veja’

Altamiro Borges
A criminosa ‘Veja’ não tem mais jeito. Recentemente, ela alterou vários postos de comando, inclusive do seu editor-chefe, e muita gente acreditou que poderia ocorrer uma saudável mudança da sua linha editorial. Bastaram poucos dias, porém, para ela voltar a aprontar. Na edição desta semana, em mais uma capa terrorista, a revista do esgoto “informa” que o ex-presidente Lula teria um “plano secreto” de fuga para a Itália – aproveitando-se da dupla cidadania da ex-primeira-dama Marisa Letícia. O factoide chega ao ponto de confundir a foto do embaixador italiano no Brasil, Raffaele Trombetta.
Os objetivos da “reporcagem” ficaram implícitos: atiçar “midiotas” que vagam pelas ruas rosnando o seu ódio contra o líder petista e dar argumentos para o “justiceiro” Sergio Moro decretar a sua prisão. Mas a mentira logo caiu no ridículo e foi desmoralizada até pela embaixada da Itália em Brasília. Em nota oficial divulgada na própria sexta-feira, quando o panfleto da famiglia Civita foi às bancas, ela desmentiu e desmoralizou o conteúdo da “reporcagem”. Vale conferir:
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Em relação à matéria “O plano secreto” publicada na última edição da revista Veja, a Embaixada da Itália declara:

1. As informações referentes à Embaixada e às supostas conversas do embaixador Raffaele Trombetta são inverídicas.

2. Relativamente ao evento no Palácio do Planalto, a pessoa destacada na fotografia e sentada em uma das primeiras fileiras não é o embaixador Trombetta, como pode-se constatar facilmente. O embaixador Trombetta estava sentado, junto a todos os demais embaixadores, no espaço reservado ao corpo diplomático.

3. Na conversa telefônica citada, foi dito ao jornalista que não se queria comentar fatos que, no que tange à Embaixada, eram e são totalmente inexistentes.

Brasília, 25 março de 2016

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O mico internacional da revista do esgoto não deve conter sua obsessão doentia para derrubar Dilma e “matar” Lula. Nas próximas semanas, com a proximidade da votação do “impeachment” na Câmara Federal, a “Veja” intensificará a sua artilharia. Para a famiglia Civita, esta batalha é de vida ou morte e não tem retorno. Ela prefere jogar no lixo a rala credibilidade que ainda resta à publicação para fazer valer os seus interesses políticos e econômicos – inclusive para garantir anúncios publicitários e outras mutretas em um futuro governo golpista. Não dá mais para se iludir com a “Veja”! Sobre este ponto, vale conferir o artigo de Paulo Nogueira, do blog Diário do Centro do Mundo:
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Bastaram poucos dias para ver o significado da troca de comando da ‘Veja’
 
Bastaram poucos dias para ver o significado da troca de comando da Veja: nada.

André Petry, o novo diretor, já disputa com o antecessor Eurípides Alcântara o posto de pior editor da Veja em seus quase 50 anos.

Sua primeira capa foi repulsiva: o rosto de Lula transfigurado em jararacas como se fosse uma medusa.

Mas como nada que é ruim não pode piorar a segunda desceu ainda mais degraus na escala do jornalismo bandido que se tornou a marca da Veja: um mirabolante plano secreto segundo o qual Lula iria refugiar-se dos perseguidores na Itália.

Petry, pelo lado bom, pode se orgulhar de que sua capa virou assunto internacional. A embaixada italiana não apenas desmentiu energicamente a revista como ainda apontou um erro factual na identificação da foto.

Você pode rir ou chorar com a miséria jornalística de Petry. Recomendo rir. Imagino a cena de ele apresentando seu furo mundial ao patrão Giancarlo Civita. Posso ver o regozijo obtuso de ambos. “Pegamos o cara, pegamos o cara”.

Era preciso ser muito idiota para acreditar que alguma coisa mudaria na Veja com Petry.

Diogo Mainardi é um exemplo. Ele escreveu, quando anunciado Petry, que o PT tomara o controle da Veja. Este é o tipo de análise que Mainardi oferece a seus leitores. Rodrigo Constantino é outro: a nomeação de Petry, afirmou ele, comprovava seus “piores receios” sobre a guinada à esquerda da Veja.

O parceiro de crimes jornalísticos de Mainardi, Mario Sabino, é um terceiro caso. Ele chorou a saída de Eurípides.

Eu estava na Abril quando Sabino fez o seguinte na Veja, da qual ele era redator-chefe. Ele mandou um subordinado escrever uma enorme crítica que louvava como coisa de Machado de Assis um romance que ele próprio, Sabino, escrevera.

Já vi muitos crimes contra o leitor, mas aquele de Sabino jamais esqueci. Assim como numa sociedade avançada um juiz partidário como Gilmar é impensável, numa revista decente um chefe jamais manda publicar algo em seu benefício.

O tempo disse tudo: o romance machadiano de Sabino jaz no cemitério das letras, sem que ninguém o chore ou dele se lembre.

Ficará para sempre apenas a lembrança do texto adulatório infame.

Petry pertence à tribo de Mainardi e Sabino. São aqueles jornalistas que cresceram na sombra do antipetismo radical demandado pelos donos das empresas jornalísticas.

Como tantos outros, de Reinaldo Azevedo a Sardenberg, faziam carreiras medíocres antes que Lula assumisse. Quando os barões da mídia decidiram matar Lula, foram atrás de quem topasse fazer o jogo sujo e lhes deram palco e holofotes em brutal abundância.

Até o mentecapto Marco Antonio Villa se tornou um historiador respeitado, presente em revistas, jornais, rádios e tevês.

Quanto à Veja, ela só vai mudar quando morrer, o que se espera que aconteça o mais breve possível, sob Petry.

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