14.5 C
Brasília
terça-feira, 11 junho, 2024

Eleições gerais de 2025 na Bolívia, adversários na toalha de mesa dos EUA

La Paz (Prensa Latina) Considerado o melhor de sua especialidade no jornalismo boliviano atual, o colunista-caricaturista do jornal La Razón Alejandro Salazar sintetizou a dependência dos partidos de oposição em relação ao Governo dos Estados Unidos.

Por Jorge Petinaud Martínez/Correspondente-chefe na Bolívia

Al-Azar, ao rubricar os seus desenhos imaginativos e bem desenhados, sentou-se na sexta-feira, 17 de maio, a uma longa mesa coberta com a bandeira da potência do Norte, os representantes da Comunidade Cidadã (CC), Nós Acreditamos e Nacional Partidos de unidade (ONU) com referência às eleições gerais de 2025.

Desta forma, o artista, também licenciado em Arquitectura, resumiu a recente revelação sobre o fórum realizado em Washington entre 20 e 24 de Abril e que, após várias semanas de silêncio hermético sobre o assunto, transcendeu e provocou um “terremoto” de declarações .

Washington sediou um encontro entre os opositores Carlos Alarcón (Comunidade Ciudadana, de Carlos Mesa), Zvonko Matkovic (representando Creo, de Luis Fernando Camacho) e o empresário Samuel Doria Medina (líder da Frente de Unidade Nacional).

O objectivo que, com nuances até agora, ninguém nega, é alcançar uma “alternativa” unitária para derrotar o Movimento ao Socialismo – Instrumento Político para a Soberania do Povo (MAS-IPSP) no poder nas eleições do próximo ano.

Foi o antigo chanceler (1997-2002) do Governo do antigo ditador Hugo Bánzer e antigo conselheiro da extrema-direita Camacho nas eleições de 2020, Rónald McLean, quem revelou o encontro dos políticos conservadores na capital norte-americana, sem dando mais detalhes.

“Dois ou três candidatos tradicionais” chegaram a acordo na capital norte-americana sobre “um pacto político secreto” de natureza eleitoral, disse durante uma entrevista ao programa Assuntos Centrais.

ONDA EXPANSIVA

O chefe da bancada do CC na Câmara dos Deputados da Assembleia Legislativa Plurinacional (ALP), Enrique Urquidi, foi o primeiro a confirmar a veracidade da conspiração de Washington.

Porém, pouco depois, a liderança da aliança chefiada por Mesa minimizou em comunicado as tentativas de coordenação e atribuiu tudo a uma viagem de dois de seus representantes a convite da Fundação Jucumari, chefiada por Jhanisse Vaca.

Este boliviano residente em Washington foi cofundador da plataforma Ríos de Pie, apoiada pela Fundação de Direitos Humanos, esta última financiada pelo Governo dos Estados Unidos.

Ríos de Pie participou ativamente do golpe contra o ex-presidente Evo Morales em 2019. Vaca também tentou, sem sucesso, nas eleições gerais de 2020, promover uma “frente única de oposição” contra o MAS-IPSP.

O ativista conservador hoje preside a chamada Fundação Jucumari, criada há pouco mais de um ano em Washington, e convidou políticos da oposição boliviana e outros como o extremista venezuelano Leopoldo López e o nicaragüense Félix Maradiaga para falar no workshop Democracia e Direitos Humanos seminário na região e na Bolívia.

Segundo MacLean, Doria Medina, empresário bilionário, ex-ministro de Jaime Paz Zamora, além de candidato fracassado à presidência e à vice-presidência, foi um dos signatários do “pacto secreto” nos Estados Unidos.

“Sei que Samuel (Doria Medina) esteve aqui em Washington e que foi assinado um pacto secreto entre dois ou três candidatos tradicionais para fazerem as suas coisas. Bom, essa coisa não pode ficar entre três ou quatro paredes, não pode ser ‘eu te dou, você me dá, esse ministério para você’. Não. Tem que ser aberto, ventilado, transparente, democrático”, declarou MacLean da capital dos EUA.

Procurado pela imprensa boliviana para saber sua versão, Doria Medina limitou-se a dizer que não está envolvido em questões políticas.

REUNIÃO CONFIRMADA DE OPOSITORES EM WASHINGTON

Ao referir-se à reunião nos Estados Unidos de opositores ao Governo da Bolívia, o chefe da bancada da Comunidade Cidadã (CC) e muito próximo do seu líder, Carlos Mesa, confirmou que a reunião ocorreu em Washington e censurou-o por ser “desqualificar e demonizar”.

“O que as pessoas exigem legitimamente há muito tempo é que a oposição fale, dialogue e gere uma alternativa séria para 2025”, disse ele.

Acrescentou que neste momento se trabalha nesta linha e desqualificar ou demonizar este tipo de reuniões, reaproximações ou diálogos, “não é bom para a democracia, muito menos para a possibilidade de gerar esta unidade”.

Questionado sobre a razão pela qual os Estados Unidos foram escolhidos como cenário para a cabala, ele respondeu que não conhecia esses detalhes.

“(…) não sei quem definiu o local, não conheço esses detalhes, mas reivindico o tema subjacente, que é dialogar, aproximar-se, discutir a possibilidade de gerar um sério bloco de unidade”.

O legislador neoliberal de direita insistiu que, face às eleições primárias deste ano e às eleições gerais de 2025, é necessário construir “um bloco de unidade sério” e considerou que será o resultado de “um trabalho de longo prazo, e não “de é questão de uma reunião, duas ou três, é um processo.”

Na sequência das suas declarações, num comunicado oficial e sem citar nomes, CC confirmou que dois dos seus representantes estiveram em Washington entre 20 e 24 de abril, mas negou que tenha sido assinado “um acordo ou acordo” relativamente às eleições de 2025, como revelou MacLean.

Seu correligionário Carlos Alarcón, por sua vez, admitiu em declarações à Rádio Panamericana que durante sua estada em Washington “se encontrou com alguns políticos bolivianos”, entre eles Doria Medina e Zvonko Matkovic, e definiu como “especulação” a suposição de que um acordo ou pré- -acordo para as eleições gerais de 2025.

“Este não foi um encontro planeado, mas uma coincidência num evento e num workshop, e quem lá esteve são os que referiu (Doria Medina e Matkovic) porque foi a instituição que distribuiu os convites”, disse. justificado.

OS RADICAIS DE ACREDITAMOS

Ao contrário da versão do CC, o ultradireitista Matkovic confirmou o encontro e colocou-o no contexto da vontade do governador radical de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, preso preventivamente desde finais de 2022 na prisão de segurança máxima de Chonchocoro, em La Paz, acusado no processo criminal Golpe de Estado I.

Neste caso, a conspiração que forçou a renúncia do ex-presidente Evo Morales, impôs um governo de facto chefiado por Jeanine Áñez e deu origem a massacres como os cometidos em Sacaba, Senkata e El Pedregal, com 37 mortos e milhares de feridos, é sendo investigado.

“Busca-se a unidade da oposição para derrotar o governo Masista em 2025”, disse Matkovic quando questionado sobre o assunto pela mídia.

O deputado departamental de Santa Cruz, de linha de extrema direita, sustentou que a bancada de Washington não será a última e reconheceu que estas reuniões envolverão todos os atores que contribuem para deslocar do poder os setores populares, representados pelo MAS-IPSP.

Ao referir-se à particularidade de iniciar este tipo de reuniões na capital norte-americana, a vice-ministra da Comunicação, Gabriela Alcón, sublinhou que os opositores “têm todo o direito” de realizar este tipo de reuniões “sob directrizes que lhes estão a ser geradas”. .”

“Sempre vimos interferências dos Estados Unidos (na Bolívia) e, bom, eles têm interesses comuns”, concluiu o vice-chefe da área vinculada ao Ministério da Presidência.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS