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quinta-feira, 22 fevereiro, 2024

ELEIÇÃO REPRESENTA DEMOCRACIA? O PODER SEM VOTO É QUEM DE FATO MANDA

A cada dia as eleições vão sendo desmoralizadas, as pessoas descrentes só comparecem às urnas para evitar punições e multas. O poder de fato, despreza o humanismo em favor da teologia da prosperidade, as igrejas do cofrinho, as neopentecostais. E que formam, por isso, um poder político, com partidos e recursos midiáticos, de rádios, televisões, jornais e sites virtuais.

Pedro Augusto Pinho*

É possível haver democracia num mundo liberal? Creio que é a pergunta que se impõe antes de examinarmos os instrumentos e procedimentos de uma democracia.

No Brasil, politicamente independente após 1822, o poder logo tratou de construir dois partidos: um conservador (saquaremas) e outro liberal (luzias). Em tudo iguais, os governos eram semelhantes a ponto de pautas liberais serem implementadas por conservadores e vice-versa.

Tínhamos, no entanto, conseguido, pelo saber, pela argúcia e patriotismo do Patriarca José Bonifácio, organizar o País com um poder central, sobrepondo-se à fragmentação da origem (capitanias hereditárias) e do interesse dos senhores de terra (coronéis, patriarcas, escravistas). O Brasil superara a fragmentação que se espalhou pela América Espanhola.

Porém esta importada ideia federalista, que se aplicava aos Estados Unidos da América (EUA), em tudo diferente da formação brasileira, criara aqui feudos que dificultavam a construção da Nação Soberana e Cidadã. Na Primeira República, como ironizava a filha de Getúlio, Alzira Vargas do Amaral Peixoto, havia os PRs (Partidos Republicanos), existentes por quase todo País, verdadeiras máquinas oligárquicas, cobrando benesses do poder central e pouco ou nada fazendo em favor do Estado Nacional.

Estes coronéis patrimoniais, regionais, políticos, estão presentes no País que foge da luta ideológica, da batalha das ideias, pois aquela adotada pelo poder, desde sempre, é indefensável: o liberalismo. E tudo que não for liberal será comunismo, esquerdismo, contra Deus, Pátria e Família, lema dos totalitários fascistas no Brasil, os integralistas.

O que é o liberalismo? É a guerra, a permanente luta fratricida. Pois a primazia, a ideia do valor individualista da liberdade, sem qualquer abertura para a solidariedade, para o humanismo, faz de cada homem um competidor do outro, um inimigo que precisa ser vencido, exterminado.

“As pessoas já não são vistas como um valor primário a respeitar e tutelar, especialmente se são pobres ou deficientes, se ainda não servem (como os nascituros) ou já não servem (como os idosos)” é o descarte mundial, de que trata o Papa Francisco em sua Encíclica “Todos Irmãos” (Fratelli Tutti), de 2020.

Então se criam outras igrejas, que desprezam o humanismo em favor da teologia da prosperidade, as igrejas do cofrinho, as neopentecostais. E que formam, por isso, um poder político, com partidos e recursos midiáticos, de rádios, televisões, jornais e sites virtuais.

E tem mais. O poder sem voto, a estrutura do judiciário, pelos mais altos escalões, determinou que não haja qualquer oportunidade nem meios de conferir a correção, a lisura das eleições e da apuração dos resultados. É medida arbitrária que rende vantagens de toda ordem para estes proclamadores de resultado. Resultado que já é conhecido antes mesmo da votação e da apuração de uma suposta vontade popular. É a urna eletrônica, facilmente manipulada, sem o voto impresso fiscalizador.

As eleições de 2018, com o surgimento de vencedores desconhecidos da maioria absoluta dos eleitores, que às vésperas do pleito apresentavam baixíssimas ou quase nulas intenções de voto, foram a cabal confirmação da fraude eleitoral, conduzida pelos que deveriam ser os principais fiadores.

É uma consequência do mundo liberal: só interessa o resultado, todos os meios são legais ou legalizáveis. E há ainda quem se espante quando percebemos que a banca vem sendo tomada, de modo crescente e absoluto, pelo capital oriundo dos ilícitos, o capital das drogas, o capital dos contrabandos de pessoas e órgãos humanos, de propinas e subornos.

E que as eleições vão sendo desmoralizadas, as pessoas descrentes só comparecem às urnas para evitar punições e multas. O voto perde sentido quando se sabe inútil. E esta democracia de fancaria se transforma facilmente em ditadura, ditadura do mais poderoso, ditadura do mais rico, ditadura do mais cruel.

Pode haver surpresa em 15 de novembro? Haverá necessidade do 29 de novembro? Para que? Que percentagem dos 67.800 cargos públicos eletivos corresponderá a vontade dos eleitores e quantos aos interesses dos gestores das urnas? Sobreviverão os 33 partidos concorrentes? E para que? Apenas para receberem fundos públicos? Estamos nos aproximando da ruptura?

São perguntas, reflexões e dúvidas para esta eleição de novembro de 2020.

*Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado.

 

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