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terça-feira, 18 junho, 2024

El Salvador e a aplicação da justiça

San Salvador (Prensa Latina) Em El Salvador hoje são poucos os que negam a eficácia das políticas de segurança contra as gangues; mas, da mesma forma, há muitos que falam sobre os custos destes.

A questão não desaparece da realidade que os salvadorenhos enfrentam, de seu cotidiano e de sua interação forçada com a política local, a economia e, mais recentemente, com a punição de infratores que fazem negócios com o crime.

Nos últimos dias, tanto o arcebispo de San Salvador, José Escobar Alas, como o cardeal Gregorio Rosa Chávez, emitiram comentários que convidam à reflexão em um país onde a Igreja sempre teve um peso substancial na vida da população.

Rosa Chávez tocou em aspectos centrais da situação, já abordados por Escobar Alas, uma coincidência em pronunciamentos que se aproximam de um apelo à reflexão.

Em declarações à imprensa, o primeiro e único cardeal salvadorenho foi incisivo, ao afirmar que “há uma crise de liderança realmente forte no país” e “um clima de terror e medo que impede que pessoas valiosas contribuam”.

“Tem que vencer o medo, acreditar no ser humano, que é capaz do melhor”, disse.

O líder católico abordou a situação dos três poderes do país (Executivo, Legislativo e Judiciário) e precisou que não há contrapeso entre eles, quem controla quem?, questionou. “Ninguém. Isso é fundamental, gravíssimo”, disse, em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de reeleição presidencial imediata.

Nesta linha de análise, na véspera Escobar, citado pelo jornal El Mundo, qualificou pela primeira vez como “evidente” que seis artigos da Constituição da República “proíbem absolutamente” a reeleição presidencial imediata e que a Câmara dos A Constituição decidiu “a favor” dela, interpretando o artigo 152 da Carta Magna.

O cardeal abordou algo que monopolizou espaços nos círculos políticos e críticos do governo, os decretos aprovados pela Assembleia Legislativa para processar pessoas capturadas no regime de emergência estabelecido em El Salvador desde 27 de março de 2022.

A norma, segundo sua visão, não permite o devido processo legal e tampouco “a presunção de inocência, dois pilares da democracia”, algo que respondeu ao questionamento sobre se os decretos adotados garantirão a justiça.

Dada a aprovação para processar os cerca de 72.000 membros de gangues capturados e supostos colaboradores, o prelado concordou com o arcebispo Escobar, que exigiu a pronta libertação dos inocentes e “tratamento digno” dos culpados, que disse devem cumprir a lei.

Ao analisar as reformas, o líder religioso concordou com os juristas e destacou que “esta lei não permite o devido processo legal”, que é um direito de todo salvadorenho.

O assunto está no centro do debate na mídia nacional e internacional. Assim, o jornal La Prensa Gráfica publicou pareceres do Washington Office for Latin American Affairs (Wola), que consideraram que as ações coletivas lançam dúvidas sobre a capacidade do Governo de punir crimes e refletem a insustentabilidade do regime de emergência.

A organização, sediada nos Estados Unidos e qualificada como líder em pesquisa e advocacy que promove os direitos humanos nas Américas a partir de uma posição objetiva para alguns, avaliou que as reformas aprovadas ameaçam o direito à justiça, à defesa e ao devido processo legal.

A notícia indica que os supostos integrantes de gangues detidos sob o regime serão processados ​​por grupos, seja como “clicas” ou “canchas”, e não individualmente, o que levanta dúvidas sobre quantos inocentes cumprirão penas em prisões por crimes naqueles que não incorreu.

Alguns especialistas e observadores acreditam que isso mostra os tortuosos caminhos que a justiça enfrenta em El Salvador, onde a falta de peso e contrapeso entre os poderes do Estado avançam para uma perigosa crise.

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