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quarta-feira, 17 abril, 2024

Economia de Panamá em queda livre

Por Osvaldo Rodríguez Martínez

Panamá, (Prensa Latina) Os indicadores revelam hoje que a economia de Panamá continua sua contração a cinco meses de assumir o novo governo, com deterioro do déficit fiscal e o crescimento do desemprego, dentre outros.

7,1 por cento da força laboral não tem emprego, informou a Contraloria Geral, o que representou que no último ano outros 28 mil panamenhos ficaram parados, enquanto a Direção Geral de Ingressos reconheceu uma queda de 4,7 por cento dos ingressos no fim do passado setembro.

Para os funcionários da atual administração, uma das causas da difícil situação é o ‘furo fiscal’ deixado por seus antecessores, ascendente a mais de três mil milhões de dólares, inseridas fabulosas dividas governamentais e a arrecadação por debaixo do planificado. Filtrações de supostos diálogos entre o ex?ministro de Economia e Finanças (MEF) Dulcidio de la Guardia e o ex?presidente Juan Carlos Varela, revelaram que em 2017 existiu a decisão dos impagos para evitar traspassar dois por cento de endividamento sobre o Produto Interno Bruto (PIB) permitido por lei.

Nos intercâmbios publicados nos chamados Varelaleaks, o ex?titular pediu ao então mandatário ‘descomprometer’ pagos a provedores, o que na linguagem dos economistas significa desconhecer uma dívida ou apagar uma conta por pagar e passa?la para o seguinte período fiscal, segundo o diário La Estrella de Panamá.

De la Guardia refutou o publicado mediante um bilhete ao jornal, que tinha denunciado antes a manobra sob o título ‘Como el MEF pateó la deuda de proveedores y bancos’, (Como o MEF deitou fora a dívida de provedores e bancos) e rebateu o ex-ministro: ‘é falso que em 2017 procedíamos a descomprometer contas por pagar a provedores’.

Mas o mais preocupante para os atores econômicos locais, que olham Estados Unidos como o paradigma e ficam pendentes a suas críticas e sugestões, é que o Banco de América assinalou no seu último relatório que ‘2019 tem sido um ano decepcionante para Panamá em quase todos os itens económicos’.

Afirma que, a entidade considerada por Forbes a terceira empresa maior do mundo em 2010, reduz a 3,5 por cento seu prognóstico de crescimento para a economia panamenha em 2019 com respeito a 2018, e preconizou um três para 2020; o mais baixo dos nove anos anteriores foram 3,7 de 2018.

Informações oficiais fixaram em 3,25 por cento o crescimento econômico nos primeiros nove meses do atual ano, o que confirma a contração e respalda o vaticínio da instituição financeira estadunidense.

O Banco de América considerou, aliás, que o efeito positivo do andamento da mina de cobre Donoso e as medidas de estímulo econômico, chocam contra um comercio global fraco e uma política fiscal limitada.

No meio da publicitada austeridade como maneira do autodenominado ‘bom governo’ o diário La Prensa publicou cifras oficiais que revelaram que o montante de salários na atividade estatal se elevou a três mil milhões de dólares entre janeiro e setembro deste ano, seis por cento superior a igual período de 2018.

A este ritmo, em 2019 os ordenados representarão 17 por cento do orçamento geral do Estado, que dalgum jeito explica o incremento do déficit fiscal, pois enquanto o gasto cresce, os ingressos ao Tesouro são menores, assinalou o jornal.

A economia de Panamá, eminentemente de serviços, depende das mudanças do mundo nas suas projeções, e no interno a corrupção administrativa e a desestabilização que geram políticas quinquenais adjunta aos governos, impedem uma projeção de país. O ‘milagre’ chileno saiu à luz com os recentes protestos populares e se calhar corresponda a sua vez de descobrir o âmago do ‘milagre’ panamenho que conduz o país a renta alta e ao sexto mais desigual do mundo, assinalam estudiosos.

Alguns analistas locais consideram que colapsou o modelo pós invasão estadunidense de 1989, outros se aferram no apoio a reformar o existente visando fazer pequenos arranjos para soluções pontuais. Enquanto isso, cresce o clamor popular por uma constituição que refunde a nação.

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