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quinta-feira, 29 fevereiro, 2024

Do confronto à confiança entre o ELN e o governo colombiano

Caracas,  (Prensa Latina) O acordo entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Governo da Colômbia para avançar nas negociações de paz a partir de novembro revelou uma nova etapa de confiança mútua entre as partes.

Embora existam muitas diferenças e contradições, não se pode negar que a chegada ao poder do presidente Gustavo Petro e sua política de paz total abriu hoje um novo período que enche de esperança o povo colombiano, a América Latina e o mundo. As declarações do dia anterior na coletiva de imprensa do primeiro comandante do ELN, Antonio García, e do Alto Comissário para a Paz na Colômbia, Iván Danilo Rueda, demonstraram um paralelismo de que algo mudou no atual cenário que a nação vizinha vive.

García assegurou que “há uma mudança” na política de paz na Colômbia com a posse de Petro no governo, em agosto.

O líder guerrilheiro lembrou que o processo de negociação que estão tentando reiniciar tem uma história de 10 anos desde que começou em 22 de agosto de 2012.

Ele ressaltou que já passaram três governos e estamos entrando para um quarto, e que, segundo ele, foi o ritmo das negociações e conversas na Colômbia, “não por negligência do ELN, mas pelo ritmo que os governos impuseram”.

O comandante guerrilheiro avaliou que nesta ocasião as novas circunstâncias políticas de seu país permitiram o recomeço das negociações.

“A confiança que temos agora é que há uma mudança na política de paz que historicamente a Colômbia teve”, ressaltou.

Ele acrescentou que é provável que os acordos que estamos fazendo no processo de construção também abram outras oportunidades.

“Temos algumas coincidências, fala-se de um governo para mudanças, e os processos de negociação buscam mudanças para o bem-estar de nossa sociedade”, comentou.

Rueda, por sua vez, expressou a confiança de seu governo nas medidas tomadas pelo Exército de Libertação Nacional para avançar nas negociações de paz.

O político declarou que foram cumpridos os protocolos e responsabilidades que o Estado colombiano assinou.

Afirmou que isso gera “importante confiança” para entender que o diálogo não pode ser retórico e deve expressar mudanças em si mesmo, e esta delegação de paz, sublinhou, “exprimiu e deu-nos elementos de profunda confiança”.

Rueda mencionou como elementos dessa “profunda confiança” a libertação de várias pessoas pelo ELN de 7 de agosto até hoje, que estavam sob seu poder.

“Há evidências de uma redução de suas ações em vários territórios colombianos onde a guerrilha atua”, destacou.

Também é evidente a decisão de evitar confrontos armados o que permite não só uma situação adequada de melhoria para a população colombiana, mas também o valor supremo da vida para todos, destacou.

O Alto Comissário salientou que este respeito pelo direito à vida “também verificamos durante estas semanas de governo”.

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