Reprodução do Jornal Grande Bahia
Pedro Augjusto Pinho*
O sociólogo e filósofo cubano Aurelio Alonso Tejada (1939), vice-diretor da revista Casa de las Américas, escreveu, com a emoção de quem é traído, sua declaração de oposicionista ao governo de Miguel Diaz-Canel: “Desde on
E conclui: “Ninguém que ocupe um cargo de direção pode ter interesses no setor privado. Não é compatível. Isso é conflito de interesses. Pode haver setor privado, mas com luta de classes e que a classe trabalhadora seja a que dirija”.
Naquele longínquo ano novo de 1959, quando muitos dos leitores nem eram nascidos, fica difícil entender a ruptura trazida pela Revolução Cubana do liberalismo econômico e político que dominava o mundo ocidental e da “guerra fria” movida pelo ocidente contra o oriente.
Mas se por um lado ressurgia o interesse e a luta pela soberania nacional e pelos direitos verdadeiramente iguais para todos, por outro se armava não para manutenção do capitalismo industrial, mas de um mais nefasto capitalismo: o financeiro, o capitalismo da especulação, da concentração de renda, pois não precisa de consumidores, além do mínimo para se manter vivo, trabalhando como “microempreendedor individual”, ou seja, sem qualquer direito trabalhista ou previdenciário como obrigação patronal. E este novo capitalismo teria a tecnologia digital e virtual para se impor.
A pergunta que se nos impõem os fatos políticos no século XXI é: acabou a inteligência, o capital financeiro, como um Daniel Vorcaro, subornou a todos?
Recordemos o Brasil dos anos 1950. Getúlio Dornelles Vargas (1882-1954) foi levado ao suicídio pelas oposições da União Democrática Nacional (UDN), dos militares entreguistas, e pela mudança no governo estadunidense, de Franklin Delano Roosevelt para um Harry Truman, ou seja, um Donald John Trump, nada mais do que “uma personalidade televisiva”.
Mas se morria o “grande presidente” nascia a Era Vargas que vigoraria por meio século para o progresso do Brasil. No mesmo ano em que Fidel chegava triunfante a Havana, no Brasil, no Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola (1922-2004) ocupava o Palácio Piratini, no Centro Histórico de Porto Alegre.
Também o sacerdote Dom Helder Câmara (1909-1999) largava o integralismo da Legião Cearense do Trabalho (1931) apelando aos brasileiros que retirassem das mãos comunistas a bandeira da reforma agrária.
A intelectualidade do Rio de Janeiro e de São Paulo se deleitava com o existencialismo de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, no entanto, cerca de 50% da população brasileira, com 15 anos ou mais, era analfabeta e 63,84% viviam na zona rural do país.
O Brasil era e continuaria sendo um país desigual, governado não por uma plutocracia, como os Estados Unidos da América (EUA), mas por uma classe fundiária, formada desde as capitanias hereditárias. Estas foram criadas por D. João III, de Portugal, em 1534, perdem autonomia em 1548, com a constituição do Governo-Geral, e são extintas, pela ação do Marquês de Pombal, em 1759. Mas continuaria sendo o poder mais atuante no Brasil, hoje pelo agronegócio, “o agro é pop”.
Fidel Castro, que agora tem sua obra destruída pela contínua pressão dos EUA contra Cuba, colocará, mais dia menos dia, no poder da “Ilha de Fidel”, um entreguista, retrógrado como os atuais dirigentes e candidatos enunciados no título deste artigo.
“O que fazer?”, inquiria Vladimir Lenin, em março de 1902.
O próprio Lenin dizia que a classe operária, por si só, desenvolve apenas uma consciência “sindical”. E aí está Luiz Inácio Lula da Silva a confirmar o pensador e transformador dirigente russo. Para dar o passo seguinte, a consciência é necessária uma teoria “externa à luta espontânea dos trabalhadores”.
E caímos então nas primeiras medidas de Vargas e Fidel, cuidar da instrução e da saúde do povo. Nada de agir na economia sem saber como e qual sua finalidade.
E esta é a principal fraqueza nas mudanças aprovadas em Cuba, a do golpe para o “Teto de Gasto”, de 2016, e dos programas neoliberais que enchem a comunicação de massa no Brasil.
“Requiescat in pace” povo cubano, salvadorenho, equatoriano, colombiano, chileno, argentino, cuidado peruanos!
Brasileiros, exijam a implantação do Manifesto da Escola Nova (1932), atualizado pelos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) de Darcy Ribeiro, para o ensino dos três aos 17 anos, sob a responsabilidade do poder público nacional, como o Sistema Único de Saúde (SUS). Depois vamos tratar da economia.
*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do PÁTRIA LATINA.