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segunda-feira, 20 maio, 2024

Defesa de Glas apresentará novos recursos jurídicos no Equador

Quito (Prensa Latina) A defesa do ex-vice-presidente do Equador Jorge Glas anunciou nesta sexta (12) que apresentará novos recursos legais depois que um tribunal negou sua libertação, apesar de declarar ilegal sua detenção na embaixada mexicana.

Marcelo Orellana, um dos advogados do ex-vice-presidente, considerou uma vitória que a prisão tenha sido qualificada de ilegal e arbitrária e confirmou que vão recorrer da decisão porque, apesar de lhe ter concedido habeas corpus, a justiça deveria ter restituído o asilo concedido pelo México .

“Informe o Equador sobre a ação arbitrária contra um ex-vice-presidente”, disse Orellana ao sair do Tribunal Nacional de Justiça, onde se reuniram dezenas de apoiadores do político, que está detido na prisão de segurança máxima La Roca.

O advogado especificou que seu cliente já cumpriu mais de 60 por cento da pena unificada de oito anos atrás das grades pelos casos Odebrecht e Suborno e não conseguiu se beneficiar da pré-libertação como deveria.

Hoje o sistema de justiça equatoriano repara e limpa a face das ações arbitrárias contra o ex-vice-presidente, disse o advogado em nome da equipe de defesa.

Na tarde desta sexta-feira, o tribunal presidido pela juíza Mónica Heredia indicou que a detenção do ex-vice-presidente na sede diplomática ocorreu sem mandado de busca, constituindo uma detenção ilegal, que não é justificada pelo decreto de conflito interno.

“É arbitrário”, frisou o magistrado, que especificou de imediato que ainda não seria libertado da prisão porque pesam sobre ele duas sentenças definitivas.

Quanto ao asilo, concedido pelo México, o tribunal indicou que não cabe às autoridades diplomáticas decidir.

Na primeira parte da audiência, Glas contou como foi capturado dentro da embaixada e as agressões físicas que sofreu.

O ex-funcionário, que está em greve de fome e compareceu à sessão online da prisão, pediu ao tribunal que lhe devolvesse o estatuto de asilo.

Em seu depoimento, Glas afirmou ter sofrido maus-tratos e torturas e disse que contou 43 hematomas por todo o corpo, seus polegares foram deslocados, ele foi pisoteado e espancado no dia em que foi sequestrado.

O pedido de habeas corpus buscava a libertação de Glas com base justamente na ilegalidade de sua captura em território estrangeiro, cuja ordem foi dada verbalmente e por escrito pelo presidente Daniel Noboa, conforme se soube na audiência.

A entrada violenta dos fardados na legação mexicana provocou o repúdio da comunidade internacional, o rompimento das relações diplomáticas com aquela nação, uma denúncia contra o Equador perante a Corte Internacional de Justiça e o pedido de suspensão do país sul-americano de a ONU.

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