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domingo, 8 fevereiro 2026

Cumple años de Emiliano José – Comunista chega aos 80 (V)

Emiliano José

Teve o tempo do Forte do Barbalho, de novembro de 1970 a janeiro de 1971. Teve Galeria F, na Penitenciária Lemos Brito, estadia longa, daquele janeiro até aquele setembro de 1974, entremeado por uma ida a São Paulo, sempre acompanhado por escolta, pra responder processo – foi condenado em três processos a um total de oito anos. Saiu em liberdade condicional. 

Acostumado a suar lá pelas estradas mal cuidadas, no céu, Saino mantinha o pelo vermelho-amarronzado intacto, seco, alisado suavemente pelas nuvens, apenas por elas. 

O cavaleiro olhava aquele jovem revolucionário, agora jogado de volta à rua, filho prestes a nascer na barriga da mãe Mércia, ele tendo de pensar em família, em se sustentar,.

De repente vê aquele moço, já com 28 anos, quem diria, dando aulas de História para alunos de um cursinho noturno, funcionando no Mosteiro de São Bento, em Salvador, voltado ao atendimento de jovens da periferia. 

Por artes do destino, o cavaleiro se surpreende com o moço numa redação, jornalista. Nada, um foca. E rapidamente aprovado. Na Tribuna da Bahia. Depois, Jornal da Bahia. Depois, Estadão. E assim seguiu. Não contente com as limitações da imprensa tradicional, junta-se ao jornal Movimento e logo após a outro semanário, Em Tempo. 

Uma vida dedicada ao jornalismo, entre as tantas atividades da vida. 

O cavaleiro, das nuvens, sente a limitação a que o moço está submetido. Vive em liberdade condicional, todo mês deve passar pela Auditoria Militar, e dessa condição só se libertará em 1979, com a anistia. Ele e alguns companheiros, algumas companheiras se reuniam, procuravam manter acesa a participação política, limitada fosse. 

Aquele grupo apoia a candidatura de Marcelo Cordeiro a vereador. Professor de história dos melhores, Cordeiro teve votação extraordinária, esquerda de Salvador, naquele 1976, buscando uma voz. Hoje, tristemente, apoia Nikolas e toda a ideologia de raízes fincadas no nazifascismo. 

O cavaleiro enxerga tudo. O moço, antes mesmo da anistia, 1978, coordena campanha de Chico Pinto em Salvador. Militância seguia, não obstante as limitações. 

1979, com a anistia, abre portas. Em 1982, é candidato a deputado estadual pelo PMDB.  Não se elege, mas tem votação expressiva, quase 13 mil votos. 

Seguirá caminhos parlamentares: assume mandato de deputado estadual em 1988, com Waldir governador. 

Vereador eleito em 2000 por Salvador, deputado estadual eleito em 2002, assume mandatos de deputado federal mais à frente, último deles, ano de 2014, aqui já tudo no PT, do qual chegou a ser presidente estadual. 

Cavaleiro não deixa de registrar, com olhos de águia: o moço, tardiamente fosse, não se descuidou da vida acadêmica. 

Aprovado professor da Faculdade de Comunicação, em 1982, faz Mestrado e Doutorado na própria Facom, dá aulas durante 25 anos. 

Torna-se escritor, partida dada com o livro “Lamarca, o Capitão da Guerrilha”, em 1980, feito em parceria com o jornalista Oldack de Miranda, ajuda substancial de Mônica Teixeira e Mariluce Moura. 

O cavaleiro faz contas e registra mais de 20 livros daquele menino do Jaçanã. 

Inesperadamente, em 2021, membro da Academia de Letras da Bahia, devido principalmente ao apoio do abade do Mosteiro de São Bento, Dom Emanuel D’Able do Amaral. 

Jornada de ninguém é solitária. Ninguém faz nada sozinho.

#emiliano20268052

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