Fotos: Win McNamee e Ryan Pierse/Getty Images
César Fonseca
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que se aproxima dos 100 dias, está batendo firme no bolso dos torcedores da Copa do Mundo e levando-os a entender, pedagogicamente, porque o imperialismo americano está piorando a vida das populações não apenas na América, mas em toda a economia global.
O império viraliza o processo inflacionário, fruto da guerra, e eleva a consciência universal a entender que a alternativa à inflação é a paz, a produção, a cooperação internacional, enfim, a democracia econômica entre os países dos cinco continentes, cujos times futebol buscam o triunfo esportivo mais popular do planeta.
O capitalismo de Tio Sam, diante de inflação de 4%/ ano, contra média histórica de 1,5% a 2%, oscilando entre 0,5% mensal, no ritmo de alta de 2%/mês dos combustíveis, refletindo sobre toda a cadeia produtiva, vai perdendo tração na competição internacional.
Ganha velocidade e distância a China, relativamente aos Estados Unidos, diante desse cenário catastrófico americano, quanto mais aposta em ciência, tecnologia, agricultura e indústria, como prioridade desenvolvimentista, ao lado de política monetária controlada por bancos públicos, que oferecem custo de capital baixo para tocar produção de bens e serviços.
Enquanto isso, o BC americano abre expectativas inflacionárias negativas para os trabalhadores, diante da alta incontrolável dos preços, quanto mais dura a guerra e as mentiras de Donald Trump, de que a paz pela força, que defende nas negociações com Irã, está ao alcance do seu desejo megalomaníaco.
O anseio imperialista que não se realiza, consequentemente, elevando o descrédito mundial em sua pretensa solução de guerra, que não passa de problema que se generaliza, infernizando a vida das populações.
Os iranianos, que desmentem Washington, diariamente, pois não têm mais confiança no governo americano, que diz uma coisa e faz outra, bem ao contrário, intensificando tensões guerreiras, reforçam o poder de controle sobre o Estreito de Ormuz.
Sob comando de Teerã, que vence, relativamente, a guerra, os transportes de combustíveis aumentam quanto mais Trump mente, dizendo que força Israel a parar de atacar Beirute e o Hesbolah.
MENTIRA TRUMPISTA EXPOSTO NA DISPUTA FUTEBOLÍSTICA
A mentira imperialista se expressa nas mortes diárias no Líbano e nos ataques reiterados de Washington ao Irã, para manter acesa a guerra, ao mesmo tempo que não gera resultados para o consumidor americano, já que quanto mais mente, mais Trump faz os preços dos combustíveis oscilarem para cima.
As bases militares e petroleiras americanas, no Oriente Médio, que precisam do canal de escoamento do Estreito de Ormuz, fechado pelos iranianos, estão ameaçadas por novos bombardeios realizados por Teerã, produzindo caos econômico mundial.
Trânsito livre para o petróleo, em Ormuz, somente se realiza para os aliados do Irã: China, Rússia, países asiáticos, regiões onde a vanguarda econômica global se expande, em concorrência mais favorável a colocar o Ocidente liderado pelos Estados Unidos em situação desfavorável.
No momento, segundo pesquisas americanas, apenas, 28% da população americana apoiam a política econômica de Trump, enquanto 70% a reprovam.
Especialmente, os gastos com alimentação, que formam 60% do nível de preços ao consumidor nos Estados Unidos, aceleram a desvalorização dos salários, visto que a expectativa disseminada pelo Banco Central é a de que a taxa de juros deve subir para tentar frear o consumo.
Juros e combustíveis altos achatam salários da classe média, em escalada para a proletarização, dado elevado endividamento no crédito direto ao consumidor, o combustível que puxa demanda econômica global americana.
DEBACLE DO DÓLAR FAZ TRUMP FUGIR DO POVO
O resultado da escala inflacionária se faz sentir no poder de compra da moeda outrora mais poderosa do mundo, o dólar, que perde competitividade com as moedas concorrentes, elevando tensões especulativas generalizadas.
Essa é a razão oculta que faz o presidente Trump afastar dos estádios onde a Copa está sendo realizada.
Se comparecer aos espetáculos, como ocorreu na final do campeonato de basquete, a vaia será certa, e o seu prestígio, que já está bem baixa, abaixa ainda mais, para alegria dos adversários democratas, que sonham reaver maioria na Câmara e no Senado, nas eleições parlamentares de outubro.
O reflexo da desvalorização do dólar, com aumento da inflação, que eleva a taxa de juro nos Estados Unidos, desencadeia crise para todos os lados.
REFLEXO GLOBAL DA INFLAÇÃO IMPERIALISTA
No Brasil, dominado pelo modelo neoliberal especulativo, ancorado no tripé econômico, recomendado pelo BC americano(metas inflacionárias restritivas, câmbio flutuante e superávits primários, que fazem as autoridades econômicas rendidas ao austericídio monetário alardearem bombas fiscais, para bloquear ação do Congresso em defesa dos gastos sociais), as expectativas são as de que a bomba de Tio Sam piorará as condições de vida da população brasileira e latino-americana.
A democracia, na América Latina, vai, desse modo, despencando-se no compasso da inflação em alta, nos Estados Unidos, levando o governo Trump, para não perder influência na região, a fazer carga nos governos de ultradireita fascista, para jogar politicamente a estratégia pró-recessão de Washington, expressa nas receitas neoliberais antidesenvolvimentistas.
Mas, o mais importante, contudo, é que a humanidade, rapidamente, toma consciência aguda de que a inflação americana, que se espalha, globalmente, tem uma razão maior: a guerra.
CONSCIÊNCIA GLOBAL ANTIIMPERIALISTA AVANÇA NA COPA
O espírito de paz e cooperação, no seu contrapolo, ganha espaço, porque o conflito bélico, no qual os Estados Unidos vão se dando mal, revela não ser a alternativa viável para o bem estar da humanidade.
A pedagogia guerreira imperialista funciona à perfeição aos olhos do mundo e, especialmente, dos torcedores, nesta Copa do Mundo, realizada na América(Canada, México e EUA).
Ficam explícitos os arreganhos tirânicos do governo Trump expostos, no compasso do debacle da democracia capitalista americana, enquanto a bola rola nos gramados, tocada pela magia dos craques.