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Nossa América

Postado em 14/11/2015 7:55

Conferência debate as transformações democráticas na América Latina

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Lula e Pepe Mujica, ex presidentes do Brasil e do Uruguai, na abertura da Clacso 2015, em Medellín, Colômbia.
Cristiano Morsolin/Adital

“É um evento que reúne um número importante de pensadores e intelectuales de toda a América Latina e de outras partes do mundo. Há referências e líderes políticos, e de organizações sociais. São três dias e meio para pensar, discutir e analisar, de maneira intensiva, a América Latina em muitas dimensões, sobre questões tão diversas, como modelos de desenvolvimento, processos políticos, pobreza e desigualdade, migração, gênero, políticas de juventude, educação. É uma grande diversidade de temáticas, mas todas são centrais para pensar sobre a região. O tema central da Conferência, transformações democráticas, justiça social e processos de paz, está falando de questões que são de importância crucial para pensar a América Latina, mas também é de importância marcada para a Colômbia, começando pelo processo de paz, um dos temas centrais do evento e um dos de maior interesse e debate, no marco dos diálogos de Havana (Cuba)”. As palavras de Fernanda Saforcada, diretora acadêmica da Clacso, doutora em Educação da Universidade de Buenos Aires (UBA) e mestre em Ciências Sociais da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), resumem o desafio da VII Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais (CLACSO), que está sendo realizada em Medellín [Colômbia], de 09 a 13 de novembro de 2015.

Não é comum reunir 30.000 participantes e 43 painelistas de todo o mundo em um mesmo espaço. Muito menos Medellín havia tido a possibilidade de congregar nomes da envergadura dos ex presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e José ‘Pepe’ Mujica, do Uruguai, além dos reconhecidos acadêmicos Boaventura de Souza Santos [Portugal], Suzy Castor [Haití], Juan Carlos Monedero [España], Jesús Martín-Barbero [Argentina], Aníbal Quijano [Perú], Aldo Ferrer [Argentina], Baltasar Garzón [España] e Eugenio Raúl Zaffaroni [Argentina].

O certame acadêmico, que é organizado pelo Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), é considerado a reunião mais importante do mundo em temas como educação, políticas de juventude, modelos de desenvolvimento, processos políticos, pobreza e desigualdade, migração e gêneros.Ocorrerá durante a Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais, depois de ser realizada no Rio de Janeiro, Brasil (2006), Cochabamba, Bolívia (2009) e México (2012), e que se estende até a próxima sexta-feira, na Praça Mayor.

A par com a agenda acadêmica, da qual fazem parte 30 conferências magistrais e 260 painéis, em Medellín, será realizada a XXV Assembleia Geral da Clacso, na qual os convidados deliberarão sobre pobreza e educação, entre outras problemáticas próprias da região.

No encerramento da sessão da Assembleia, do qual fará parte o ex presidente Lula da Silva, as diretorias da organização emitirão um pronunciamento e entregarão suas visões e recomendações sobre o processo de paz que vive a Colômbia.

Esta, precisamente, será uma das discussões que, se espera, liderem especialistas como Eugenio Raúl Zaffaroni, juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos e ex juiz da Suprema Corte de Justiça (Argentina), e o também ex juiz e especializado em Direitos Humanos Baltasar Garzón.

“O pensamento crítico está mais vital do que nunca”, segundo Gentili

“O pensamento crítico na América latina está mais vital do que nunca”, disse ao jornal argentino Página 12 o secretário executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, Pablo Gentili. “É a maior conferência de Ciências Sociais do mundo”, disse Gentili. “E não só pelo público, que bate recorde, mas pela quantidade simultânea de painéis, grupos de trabalho e conferências magistrais”.

“Lula ou Mujica não chegam à Colômbia porque se reúnem quatro amigos”, afirmou o secretário executivo da Clacso. “Sabem que serão partícipes de um grande foro do pensamento aberto, com o foco colocado nos processos de transformação democrática, na justiça social e na luta pela paz na América Latina e no mundo. Um intelectual lendário, como Aníbal Quijano [Peru], é convidado permanentemente de todos os lados. Muitas veces, diz que não. Mas das atividades da Clacso participa. E a mesma coisa ocorre com o português Boaventura da Sousa Santos”.

Além de Lula e Mujica, darão conferências especiais: o vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, a senadora uruguaia Lucía Topolansky, o ex chefe de Governo da Cidade do México, Cuauhtemoc Cárdenas, e o cubano Juan Valdés, que falará sobre as mudanças institucionais na Ilha.

“A situação mundial, que mudou, coloca os países da América Latina ante a necessidade de continuar políticas progressistas, nacionais, populares, de esquerda e cidadãs, segundo como são classificadas nos diferentes países da região”, explicou Gentili. “Quiçá a grande quantidade de inscritos se deva a uma grande avidez não tanto por escutar um balanço, mas os desafios sobre o futuro na Argentina, no Brasil, no Equador e na Venezuela. É um espaço da esquerda mundial, muito plural, muito aberto, porque a esquerda não quer gerar pensamentos dogmáticos, mas propor controvérsias e discutir para onde vamos”.

“O que fica claro é que, ao serem tão complexas e polêmicas as saídas, é importante recorrer à análise”, afirmou Gentili. “Sabemos o que se fez e o que não se fez com a pobreza, com a desigualdade, com a segurança cidadã, com o Estado, com as instituições democráticas, com a participação social e com as migrações. Mas, para entender o que aconteceu e quais são os desafios do futuro, os intelectuais precisam da política. Como entender, se não, que, com um aumento da inclusão social, tenham sido alcançados em alguns países níveles tão altos de violência, e de violência policial? Não é preciso ter medo da discussão”.

Ricardo Sánchez Angel, da Universidade de Cali, e Arturo Escobar, antropólogo colombiano-estadunidense, da Universidade da Carolina do Norte [Estados Unidos], apresentarão os cenários futuros da Colômbia em meio ao proceso de paz e com derivações da guerra civil mais antiga do mundo, que se projetarão durante décadas, como o efeito das violações aos direitos humanos, os milhões de deslocados e as mudanças na propriedade da terra.

“É uma guerra que envergonha a todos, porque a América Latina em seu conjunto não conseguiu ajudar a Colômbia a encontrar uma solução”, assinalou Gentili. “Por isso a Conferência de Ciências Sociais e a XXV Assembleia da Clacso expressarão seu apoio à paz, não de um modo paternalista, mas como uma forma de contribuir para a solidez do processo pacificador no futuro”. E acrescentou Gentili: “não podemos avançar nos processos de integração regional, pensar na América Latina como um continente articulado e integrado se um dos nossos países está em guerra”.

ricardo-stuckertSegundo o secretário executivo, a colaboração entre a Clacso e a política é entendida por personalidades, como Evo Morales, presidente da Bolívia, e seu ministro secretário geral de Governo, Juan Ramón Quintana Taborga. “Evo participou de reuniões promovidas pela Clacso com organizações sociais e Quintana diretamente foi um bolsista Clacso”. Por isso, “os que pesquisam devem entender como são gestadas as políticas públicas e como os ritmos da política, sobretudo, na gestão, não são os mesmos que os da pesquisa acadêmica”.

“Particularmente, nos últimos três anos, fixamos o desafio de pesquisa e, por sua vez, intervir políticamente, colaborando com o conhecimento que sirva para traçar políticas públicas, e, para isso, aprendemos melhor como aproximar esse conhecimento de quem está a cargo da execução”.

“O pensamento social crítico está guiado pelos princípios da igualdade, da justiça social, do fortalecimento e da radicalização da democracia, pela necessidade de destruir os poderes opressores, pela luta contra o racismo e contra toda forma de violência”, disse Gentili. “É um pensamento libertário e inconformista, que sempre quer mais porque a democracia sempre pode ser fortalecida.” (1)

Aporte da Universidade Nacional da Colômbia

Transformações democráticas, justiça social e processos de paz são os eixos que guiarão a atividade acadêmica desta edição da Conferência, todos temas oportunos para a atualidade do país anfitrião, que atravessa pelas conversações para um eventual acordo de paz.

Para Oscar Almario, docente da Universidade Nacional de Colômbia Sede Medellín e membro do comitê local da Clacso, o “importante é que o tema genérico da Conferência pretende acatar problemas que são comuns na região da América Latina: a pobreza, as desigualdades, a necessidade de aprofundar a democracia e de consolidar a cultura de paz e de solução política para os conflitos”.

São mais de 30 as conferências magistrais e também há 260 painéis que permitem a socialização de diferentes pesquisas ao redor das Ciências Sociais; ademais, destaca a participação dos ex presidentes do Uruguai, José Mujica, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o professor Almario, o que as Ciências Sociais e Humanas podem aportar aos temas em torno dos quais se disserta é a sua tradição reflexiva e crítica para poder desenhar cenários de futuro.

“Isso vai ser um insumo importante para um país como o nosso, urgido de novas formas de representação do que somos, de onde viemos, de quais são as coisas que devemos conservar e quais temos que transformar no futuro imediato, de como reordenar o território, como redistribuir os recursos, como reorientar as instituições políticas, como assegurar que um clima de paz signifique um desenvolvimento mais harmônico, mais inclusivo para quem, hoje, está excluído e, ao mesmo tempo, seja um desenvolvimento que permita que as novas gerações gozem dos recursos estratégicos que temos que cuidar a partir de agora”, afirma o docente.

Também, há três años se decidiu organizar a Conferência em Medellín, pois se conta com o apoio da UN [Universidade Nacional], do Governo de Antioquia e da Prefeitura de Medellín.

A participação da U.N. será ampla, como explica o professor Almario: “a partir da assistência do reitor no campo dos temas educacionais, pasando por um colóquio que tem a ver com o processo de paz na Colômbia, coordenado pelo professor Alejo Vargas, além de outros colóquios e painéis, dos quais fazemos parte vários de nós”.

rcnradioAo final da Conferência, se espera um comunicado da Clacso em apoio à assinatura dos acordos do atual processo de paz. Contudo, e como conclui o professor Almario, “continuamos sendo um país desigual, ancorado em formas tradicionais de política, corrupto, mas com alguns sinais de esperança e, neste sentido, buscaremos uma declaração unificada em favor do processo de paz como o entendemos, que ajude a mostrar a partir das Ciências Sociais e Humanas essa ideia de expectativa e de futuro de um país que pode, sobre a base de um pós-acordo, repensar-se em termos de um desenvolvimento includente, que seja sustentável no tempo, que respeite o meio ambiente e a diversidade cultural do país (2).

Direito à cidade e outras cidadanias emancipadoras

O tema do direito à cidade é abordado em diferentes painéis, nos quais se destaca também o aporte dos movimentos sociais.

Ivonne Oviedo Poveda (diretora da Fundação Escola Viajante de Bogotá, pedagoga, professora na Universidade Distrital Francisco José de Caldas, de Bogotá; acompanha processos comunitários com crianças, jovens e mulheres de setores populares de Bogotá desde 2003; foi bolsista Clacso em Epistemologias Críticas e Metodologia de Pesquisa: tópicos teóricos e práticos- 2012) explica o painel “Direito à cidade e outras cidadanias emancipadoras: experiências desde as periferias de Bogotá até Quito e Buenos Aires”, realizado nesta quarta-feira, 11 de novembro, graças a um importante convite que fez o professor Eduardo Rueda – Universidade Javeriana de Bogotá, em nome da CLACSO, reconhecendo a importência do diálogo entre os saberes acadêmicos e os saberes dos movimentos sociais, através da liderança da Escola Viajante de Bogotá (3).

“Este painel apresenta as boas práticas e as aprendizagens de organizações sociais que empoderam e constróem processos emancipatórios a partir de baixo, com sujeitos historicamente excluídos, como as crianças e adolescentes das periferias do sul de Bogotá (com a participação de Ivonne Oviedo e Cristiano Morsolín), outros setores populares (com a participação de Juan Fernando Zapata – Fundação Sumapaz), as mulheres dos setores populares de Soacha (com a participação de Leonor Amaya Bello), as infâncias e juventudes em situação de rua, acompañados pelo projeto salesiano de Quito (com a participação de Rene Unda – UPS de Quito), bem como os/as jovens militantes do Movimento Pedagógico Popular de Buenos Aires, bem representados por Paula Nurit Shabel. RIOSAL – Buenos Aires.

O objetivo do painel é visibilizar e refletir sobre o direito à cidade, a partir da ação coletiva, que outorga a perspectiva de algumas organizações sociais que trabalham nas periferias de Bogotá, Quito e Buenos Aires, a partir da sua compreensão sobre o Bem Viver, a educação popular, como sujeitos emergentes, em diálogo com o mundo acadêmico.

De acordo com o enfoque global da VII Conferência Clacso, é importante considerar o aporte da sociedade civil na construção do direito à cidade (Lefevre), como pensamento crítico emergente desde uma epistemologia do sul (Boaventura de Souza), em um contexto de segregação (Lapeyronnie) e desigualdade estrutural, como, por exemplo, é o caso emblemático de Bogotá. Trata-se de um diálogo inter-geracional entre saberes acadêmicos e saberes que emergem da comunidade e da experiência, como outra maneira de construir conhecimento, para reconhecer os aportes epistemológicos de outras cidadanias, que estão surgindo nas periferias da América Latina”, conclui Ivonne Oviedo Poveda.

Re-elección de Pablo Gentili

Despois de um período de três anos como secretario executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), o argentino Pablo Gentili foi reeleito para continuar no cargo durante o próximo triênio.

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O argentino Pablo Gentilli foi reeleito como secretario executivo da Clacso por mais três anos.

A decisão foi tomada na XXV Assembleia Geral da Clacso, realizada em Medellín (Colômbia), no último dia 09 de novembro de 2013, com a participação de mais de 430 representantes dos centros afiliados. “Foi uma votação unânime, o que me alegra muitíssimo e deixa um imenso desafio para o trabalho que tenho que desenvolver nos próximos três anos, expressou Pablo Gentili.

Nos últimos três anos, se uniram à organização mais de 180 centros afiliados, “muitos mais do que nos primeiros 40 anos da Clacso. Isto demonstra a vitalidade do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais e do Pensamento Crítico Latino-Americano”, acrescentou Gentili.

A Clacso é uma instituição internacional não-governamental, criada em 1967, com status associativo na Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura]. Atualmente, reúne 432 centros de pesquisa e pós-graduação no campo das ciências sociais e das humanidades, em 26 países da América Latina, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, França e Portugal.

Pablo Gentili nasceu em Buenos Aires e há mais de 20 anos exerce a docência e a pesquisa social no Rio de Janeiro. Escreveu diversos livros sobre reformas educacionais na América Latina e foi um dos fundadores del Foro Mundial de Educação, iniciativa do Foro Social Mundial. É secretário executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Coordena o Núcleo de Política Educacional da Universidade Metropolitana da Educação e do Trabalho (UMET) e o Observatório Latino-Americano de Políticas Educacionais (UMET/FLACSO/UERJ). (4)

Comentários de alguns participantes

“Algo novo começa se as filas de participantes se asemelham aos recitais da Rua 13 ou Ricky Martín, mas vêm à CLACSO. Um luxo ver tantos jovens questionadores, estudiosos e solidários” destaca Marcia Rivera, de Porto Rico.

“Sentirmo-nos acompanhados por tanta juventude é um grande compromisso. Esta conferência é um evento memorável para toda a América Latina e Caribe”, ressalta Luis Carrizo, Unesco Setor de Ciências Sociais e Humanas/ Escritório Regional de Ciências para a América Latina e Caribe [Uruguai].

“Não somos uma disciplina disciplinada. Não somos as filhas obedientes do marxismo ou da psicanálise. Poderia falar-se de um ressurgimento do feminismo na atualidad (…) gerar microcatástrofes cognitivas, desnaturalizar, dessencializar”, evidencia Gloria Bonder, FLACSO Argentina.

“A paz é fundamental para alcançar a totalidade de direitos. Hoje, temos um feminismo prático, polivalente” comenta Dora Barrancos, diretora da Área de Ciências Sociais e Humanidades do CONICET, Argentina.

“Presidentes que não estudaram em Harvard transformam os países. É preciso enxergar as margens, não o norte. É como disse Lula: “Sul-Sul”, destaca Adriana Arce, Centro Internacional de Promoção dos Direitos Humanos [Argentina] (5).

NOTAS

(1) http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-285717-2015-11-09.html

(2) http://agenciadenoticias.unal.edu.co/detalle/article/medellin-recibira-nuevo-encuentro-clacso.html

(3) https://diversidadenmovimiento.wordpress.com/2015/11/09/morsolin-es-invitado-oficial-de-la-vii-conferencia-latinoamericana-y-caribena-de-ciencias-sociales-clacso/

(4) http://blogs.elpais.com/contrapuntos/

(5) http://www.clacso.org.ar/conferencia2015/

AUTOR

*Cristiano Morsolin, pesquisador italiano radicado na América Latina desde 2001. Co-fundador do Observatório sobre a América Latina SELVAS (Milão), autor de vários livros, pesquisa a relação entre movimentos sociais e políticas emancipatórias. Colabora com a Universidade Politécnica Salesiana UPS, do Equador, com a Universidade do Externado e com a Universidade do Rosario de Bogotá.

Blog: https://diversidadenmovimiento.wordpress.com/

Cristiano Morsolin

Pesquisador e trabalhador social italiano radicado na América Latina desde 2001, com experiências no Equador, Colômbia, Peru, Bolívia, Brasil. Autor de vários livros, colabora com a Universidade do Externado da Colômbia, Universidade do Rosário de Bogotá, Universidade Politécnica Salesiana de Quito. Co-fundador do Observatório sobre a América Latina SELVAS (Milão), pesquisa a relação entre os movimentos sociais e as políticas emancipatórias.

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