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Postado em 27/11/2020 7:23

Como os veículos da imprensa-empresa comercial ‘ocidental’ selecionam correspondentes estrangeiros

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Moon of Alabama (de Bryan MacDonald, pelo Twitter), traduzido e editado

Você nunca pensou em por que a mídia-empresa comercial dominante em todo o ‘ocidente’ consegue errar tão completamente no que publica sobre a Rússia e vários outros países?

É simples. Porque as empresas ‘de comunicação’ selecionam cuidadosamente os jornalistas mais convictos da veracidade e da relevância do nada que lhes resta na cabeça já muito aplicadamente esvaziada de qualquer cérebro e vida inteligente. Quanto mais enviesado ou enviesada o profissional ou a profissional, melhor. Quanto mais cínico ou cínica, mais chances tem de obter o emprego. Os e as suficientemente corruptos e corruptas para repetir qualquer mentira que o, a mandem mentir – ou sinceramente convencidos e convencidas da veracidade de qualquer asneira que o, a mandem escrever e assinar –, esses e essas, sim, podem considerar-se empregados e empregadas.

E os empregadores são bem claros quanto a isso.

A prova apareceu sob a forma de um anúncio de emprego  que o New York Times publicou, à procura de jornalistas interessados e interessadas em trabalhar como correspondente estrangeiro, a, em Moscou:

PROCURA-SE

Correspondente internacional

Descrição do cargo

A Rússia de Vladimir Putin continua a ser tema das maiores reportagens em todo o mundo.

Despacha esquadões de agentes secretos armados com gás de efeito letal contra seus inimigos – o mais recente dos quais foi Aleksei Navalny líder da oposição. Faz seus agentes ‘ciber’ semear o caos e a desarmonia no Ocidente, para desmoralizar nossos sistemas democráticos, ao mesmo tempo em que continua a promover a própria falsa versão de democracia. Espalhou exércitos de mercenários ‘terceirizados’ por todo o planeta, para disseminar sua influência. Em casa, os hospitais de Putin vão-se enchendo de doentes contaminados por Covid. E o presidente esconde-se em sua mansão.

Se soa como local que você deseja cobrir, temos boas notícias: estamos abrindo lugar para novo correspondente do NYT em Moscou, uma vez que Andy Higgins assumirá, no próximo ano, o posto de editor-chefe de nosso setor de Europa Oriental.

Para que o Times pague para que o jornalista ou a jornalista publique no Times, é indispensável que o candidato ou a candidata veja a Federação Russa como país governado por um único homem.

Ele ou ela tem de crer fervorosamente nas sandices inventadas pelo MI6 com doses cavalares de Novichok. O profissional ou a profissional também tem de crer cegamente em ‘Russiagates’ e nas incontáveis imbecilidades produzidas em seu nome, e tem de continuar a crer mesmo depois de já se ter provado que não passam de imbecilidades inventadas.

O jornalista ou a jornalista interessado ou interessada nesse emprego deve ter certeza de que todas as apurações de votos na Rússia são sempre tão viciosas e fraudadas quanto, cá entre nós, nos EUA, apurações são confiáveis, e hoje, mais que antes. Exércitos de mercenários russos (que todo jornalista já nasce sabendo que sempre são muito piores que exércitos mercenários de outros países) são despachados ‘secretamente’ para onde o editor-chefe diga. Hospitais russos, claro, já são construídos para serem muito piores que hospitais norte-americanos.

Mesmo quando seja muito fácil verificar que Putin (“Putin, o Péssimo”) esteja trabalhando em sua sala no Kremlin, o contrato de trabalho do jornalista correspondente do NYT estipula que estará escondido numa mansão.

Muita gente que escreve para o Times [como para Estadão, Folha, Globo, Veja] realmente não acredita nas sandices acima. Mas o emprego não exige que o candidato seja capaz – nem que deseje – avaliar e noticiar eventos do mundo real. Única exigência crucialmente decisiva, é que, em circunstâncias decisivas, o candidato seja capaz de mentir mentiras verossímeis e de as repetir incansavelmente.

O fato de que o Times liste, logo na abertura do anúncio de emprego, todo o nonsense recentemente publicado sobre a Rússia deixa bem claro que a empresa considera indispensável que o candidato apoie e subscreva as mentiras passadas, porque assim se dará por garantido que escreverá mentiras futuras sobre a Rússia.

Nenhum ser humano honestamente lúcido quererá esse emprego. Mas há os benefícios! O prestígio ‘no meio’, a inveja dos e das colegas, um provavelmente agradável apartamento em Moscou… e não há dúvidas de que o New York Times encontrará muitos jornalistas interessados em vender a alma por essas poucas moedas.

Interessante é que entre os requisitos não negociáveis para o emprego não está “competência no uso do idioma russo falado e escrito”. Nada disso. “Fluência em russo” é desejável. Desejável. Não é indispensável.

As empresas ‘ocidentais’ da mídia-empresa estão cheias desses correspondentes viciosos, cínicos, mestres na autocensura, com pouco ou nenhum conhecimento do país sobre o qual o público consumidor (mas não os editores e editoras e respectivas empresas pagadoras!) espera que encontrem e enviem notícias. Não surpreende, claro, que assim como esses jornalistas correspondentes internacionais, também as populações ‘ocidentais’ absolutamente nada conheçam realmente do que realmente se passa no mundo real.*******

 

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