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terça-feira, 23 julho, 2024

Chomsky e Wallerstein assinam petição pelo fim do massacre contra povo curdo

 

Curdistám – Esquerda – Mais de 1000 académicos de 89 universidades – incluindo personalidades como Noam Chomsky, Judith Butler, David Harvey e Immanuel Wallerstein – já assinaram a petição intitulada “Não faremos parte deste crime”, que apela a Ankara para acabar com o “massacre e a carnificina” contra o povo curdo. Presidente turco descreve signatários como “ignorantes” e “traidores”.

No domingo passado, cerca de quarenta académicos de universidades turcas reuniram-se na capital para lançar uma petição online, na qual acusam o executivo de Recep TayyipErdoğan de violar a legislação nacional e internacional ao impor o recolher obrigatório por tempo indeterminado em cidades e distritos curdos de Sur, Silvan, Nusaybin , Cizre, Silopi, e outros.

Os mais de mil académicos que subscrevem a petição “Não faremos parte deste crime”, entre os quais Noam Chomsky, Judith Butler, David Harvey e Immanuel Wallerstein, defendem que as operações militares turcas constituem um “massacre deliberado e a deportação do povo curdo”.

Os signatários apelam ainda ao governo turco para reiniciar negociações de paz com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e “criar um roteiro que conduza a uma paz duradoura que inclua as reivindicações do movimento político curdo” e declaram a vontade de se voluntariarem como observadores nas negociações de paz.

Signatários são “ignorantes” e “traidores”

O presidente turco reagiu ferozmente contra esta iniciativa, descrevendo os signatários como “ignorantes” e “traidores”.

“Não precisamos de pedir permissão [para as operações militares] aos auto-denominados académicos. Eles devem saber qual é o seu lugar”, afirmou Erdoğan.

Dirigindo-se diretamente a Chomsky, o presidente turco referiu que os académicos estrangeiros não deviam assinar petições em vão e desafiou o ativista norte americano a ir à Turquia.

Entretanto, depois de uma reunião urgente realizada esta terça-feira, o Conselho de Educação Superior turco (YÖK) anunciou que irá avançar com uma ação legal contra os académicos locais que assinaram a petição.

Mais de 30 jornalistas presos na Turquia

Segundo revelou o Partido Democrático do Povo (HDP) esta terça-feira, estão atualmente presos na Turquia 31 jornalistas e 156 foram detidos durante o ano passado.

Em comunicado, o CHP adianta que 774 jornalistas foram despedidos em 2015. Outros 484 foram alvo de processos judiciais, a par dos 200 profissionais e sete meios de comunicação que são atualmente alvo de investigação.

Na segunda-feira, teve início uma investigação por “propaganda terrorista” contra Beyazit Ozturk. O apresentador televisivo é acusado de ter permitido que uma mulher alertasse, em direto, que “estão a morrer crianças” por causa do recolher obrigatório imposto em Diyarbakir, cidade de maioria curda no sudeste do país.

“Jornalistas turcos não têm nenhum dos direitos que lhes foi reconhecido na Constituição”

Ahmet Abakay, presidente da Associação de Jornalistas Contemporâneos (CGD), advertiu, em declarações à agência Efe, que a liberdade de imprensa na Turquia está sob um feroz ataque e que os jornalistas críticos são perseguidos pessoalmente pelo presidente turco.

“Os perseguidos por Erdoğan foram despedidos, processados ou detidos. Hoje, os jornalistas turcos não têm nenhum dos direitos que lhe foi reconhecido na Constituição de 1961”, assegurou Abakay, lembrando que as organizações internacionais de meios de comunicação consideram hoje a Turquia um país “não livre”.

Fonte: Diário da Liberdade

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