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Sputnik – A participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu ao menor nível desde 1997 após o tarifaço de Trump, recuando para 9,4%, enquanto a China ampliou sua fatia para 31,5% e reforçou a liderança na balança comercial. A retração das vendas para os norte-americanos contrasta com o avanço das exportações para outros mercados.
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu ao menor nível desde 1997, recuando de 12,1% para 9,4% um ano após o tarifaço imposto por Donald Trump. O movimento coincidiu com o avanço da China, que ampliou sua fatia para 31,5% e consolidou a liderança como principal parceiro comercial do Brasil.
O levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) divulgado por um jornal de grande circulação no país mostra que, embora os EUA permaneçam como segundo maior destino das vendas brasileiras, sua participação segue em queda, acompanhada também pela retração da Argentina. Em contraste, a China alcançou quase um terço das exportações totais, registrando o maior percentual desde 2021.
Em valores, as exportações para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões (mais de R$ 90,0 bilhões) no primeiro semestre de 2026, queda de 13% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas para China, União Europeia (UE) e outros mercados cresceram. O Brasil manteve déficit comercial com os norte-americanos, e a corrente de comércio bilateral caiu ao menor patamar da série.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), 25% das exportações brasileiras aos EUA enfrentam sobretaxas entre 12,5% e 25%, e outros 20% estão sujeitos às regras da Seção 232, que afetam setores estratégicos como aço, alumínio e veículos. Produtos como mel, sebo bovino, tilápia e madeira de coníferas, altamente dependentes do mercado norte-americano, estão entre os mais atingidos.
Como resposta, a Apex afirma ter realizado mais de 80 ações de promoção comercial, com 72% das empresas apoiadas conseguindo abrir novos mercados. A agência também treinou setores para defesa técnica em audiências nos EUA e destaca que a dependência brasileira do mercado norte-americano já vinha diminuindo nas últimas duas décadas.
O café não torrado foi um dos produtos mais afetados, com queda de 35% nas vendas. O setor conseguiu isenção para o produto in natura e tenta incluir o solúvel na lista. Exportadores relataram à apuração aumento das vendas para a Europa, com a Alemanha ultrapassando os EUA como principal comprador.
Entre as frutas, a manga obteve isenção, mas as uvas seguem sobretaxadas. Produtores passaram a buscar mercados na Ásia, mesmo com custos logísticos maiores, impulsionados pela necessidade de diversificação após o tarifaço.



