Em comunicado divulgado aqui, a organização formada por ex-ministros e diplomatas rejeitou a decisão do presidente José Antonio Kast de retirar o apoio à candidatura que o governo anterior de Gabriel Boric havia promovido em conjunto com o Brasil e o México.
Apesar do crescente apoio da sociedade civil à candidatura, o governo mantém uma determinação obstinada, e até mesmo Kast e seu Ministro das Relações Exteriores reiteraram seus argumentos errôneos justamente no dia em que Bachelet apresentou sua visão para o futuro da organização na ONU, recorda o texto.
Transgredindo limites éticos e políticos, sua apresentação foi prejudicada no pior momento possível, quando fazia sua estreia internacional, alertou o fórum.
A organização destaca que Bachelet foi Ministra da Saúde e da Defesa, duas vezes Presidente da República, a primeira Diretora Executiva da ONU Mulheres e Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
“Poucas figuras no mundo têm esse tipo de trajetória profissional”, argumenta ele.
A FPPE rejeita a decisão adotada pelo Governo em 24 de março e a subsequente interferência, e exige que o Estado do Chile honre os compromissos assumidos perante a comunidade internacional, independentemente da filiação política do governo no poder.
Entre as personalidades que compõem o fórum estão Isabel Allende, Adriana Delpiano, Mariano Fernández, José Miguel Insulza, Juan Gabriel Valdés, Patricia Esquenazi, Juan Pablo Letelier, Carolina Tohá, Carmen Hertz e Marta Lagos.
No dia anterior, parlamentares da oposição abandonaram a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, após denunciarem um boicote à candidatura do ex-presidente.
“Eles têm menosprezado repetidamente a ex-presidente Bachelet, que é a candidata não só do Brasil e do México, mas também da maioria dos chilenos para liderar o Gabinete do Secretário-Geral da ONU”, disse o deputado Raúl Soto, do Partido pela Democracia.
Entretanto, o deputado Nelson Venegas, do Partido Socialista, denunciou uma suposta “operação interna, na qual altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores estariam tomando medidas para sabotar” a candidatura do ex-presidente.
Por sua vez, a deputada Ericka Ñanco, da Frente Ampla, afirmou que o presidente da comissão, Stephan Schubert, do Partido Republicano (extrema direita), está tentando sabotar Bachelet e que por isso decidiram abandonar a reunião e não colaborar.