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terça-feira, 11 junho, 2024

Chefe da Aliança Bolivariana: hiperimperialismo só tem ‘força militar e guerras para fazer negócios’

Completamente avesso à manutenção da lógica de exploração do modelo imperialista, Jorge Arreaza, o secretário-executivo da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP), compartilhou os objetivos do programa Alternativa Social Global em entrevista exclusiva à Sputnik.

O secretário-executivo da ALBA-TCP, Jorge Arreaza falou à Sputnik sobre estratégias para implementar a agenda proposta pelo bloco e como fortalecer a cooperação entre os países-membros e outras organizações internacionais em um cenário de declínio do imperialismo. Para ele, uma tendência que já deu origem a acordos que apoiam a construção de um sistema multilateral em diversas áreas.
Há vários anos que o imperialismo entrou em uma fase de declínio, um processo que Arreaza descreve como “imparável”. Neste contexto, os movimentos sociais e as pessoas têm sentido a necessidade de chegar a acordos que permitam a construção de uma sociedade pós-imperialista.

“É uma necessidade que surge do íntimo do povo”, disse Arreaza, destacando que essa proposta levada a cabo pela ALBA-TCP procura proteger os direitos sociais de todos e estabelecer uma “agenda mínima comum” em diversas áreas como política, economia, educação, saúde e ambiente.

No documento apresentado pela ALBA-TCP, o conceito de “hiperimperialismo” é utilizado para descrever o declínio produtivo e financeiro, bem como a dependência da força militar por esse modelo que, destaca Arreaza, “não é apenas dos Estados Unidos, são da rede de corporações do mundo ocidental, por assim dizer, que controlam as economias, a política, as esferas militares e sociais nos nossos países ou nos países ocidentais”, apontou o secretário.
“O dólar está sendo superado, está em vias de ser superado, igualado também por outras moedas e outras forças financeiras do mundo. O que resta ao imperialismo? Guerras para tomar territórios, recursos naturais, para demonstrar poder”, acrescentou.
Para Arreaza, a importância do financiamento da Alternativa Social Global, baseia-se na necessidade de uma melhor distribuição de recursos para garantir os direitos sociais
Conferência sobre Multipolaridade: a maioria global acelerando rumo a um mundo justo e democrático - Sputnik Brasil, 1920, 29.02.2024

Pepe Café
“Se conseguíssemos, por exemplo, renegociar todas as dívidas externas, que também foram quase impostas pelos bancos internacionais, pelo Fundo Monetário Internacional [FMI], se conseguíssemos compensar, reparar o que o sistema econômico fez ao povo, bem, haveria força suficiente para podermos avançar nestas outras áreas dos direitos sociais, na cultura, na educação, na saúde, na habitação e na alimentação”, destacou ele.
No entanto, o secretário também acredita que alguns dispositivos internacionais, apesar das invasões e agressões dos países ocidentais e do permanente desrespeito às resoluções do Conselho de Segurança (CSNU) e da própria Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), precisam ser fortalecidos e repensados segundo o atual contexto das relações internacionais.

“Embora as Nações Unidas neste momento estejam enfraquecidas pelo imperialismo, acredito que o papel da comunidade internacional e dos países da ALBA deveria ser o de fortalecer as Nações Unidas, de expandir o poder do Sul Global, que no Conselho de Segurança as vozes do ‘nosso Sul’ possam entrar, que pensemos no sistema de votação nas Nações Unidas, e não no poder do veto”, destacou.

Diante deste desafio de governança global e para garantir o cumprimento desses objetivos centrais, a ALBA-TCP decidiu que os governos dos seus países-membros devem assumir essa agenda como parte das suas próprias políticas, assim como refletir as preocupações referentes à inteligência artificial (IA) e seu uso destrutivo.
“Há uma preocupação real e latente […] sobre o desenvolvimento ilimitado destas novas tecnologias que podem destruir a própria humanidade”, disse ele.

A próxima reunião da ALBA, marcada para julho deste ano, coincide com o nascimento de Simón Bolívar, e será crucial para definir e começar a apresentar o documento da Alternativa Social Global perante a ONU e outros fóruns internacionais. Arreaza expressou a esperança de que a Venezuela possa em breve aderir ao BRICS, expandindo assim a influência do povo da América Latina.

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