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sábado, 25 abril 2026

Cartas habaneras (LIII) – Batalhas de Escambray e Playa Giron: primeira fase da Revolução Cubana no poder

Fotos: Arquivos, Cuba Debate e Prensa Latina

Emiliano José

As tropas deram duro combate aos bandidos em Escambray. A retirada por ocasião da primeira limpa se deu no começo de 1961. As batalhas dessa fase aconteceram entre o final de 1960 e o principiar do ano seguinte, de acordo com o comandante Víctor Dreke.

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Exército constituído de trabalhadores, fossem urbanos ou camponeses. Haviam, em nome da Revolução Cubana, deixado os locais de trabalho, voluntariamente. Não estavam produzindo. Então, voltaram à rotina, cada um para seu centro laboral.

Já se disse, mas não custa insistir: a esmagadora maioria dos milicianos não recebia nenhum tipo de salário. Os trabalhadores assalariados, com emprego, não perderam a remuneração, recebida pelas famílias deles. A maioria, no entanto, era muito jovem, e não tinha qualquer emprego remunerado.

Todos, sem distinção, estavam ali por amor à pátria, amor à Revolução, dispostos a derrotar os bandidos. Só depois de algum tempo, testados, combatendo, a juventude sem vínculo de trabalho passa a receber 25 pesos mensais, um pequeno estímulo, nunca exigido.

Houve fatos muito graves na região, a estimular a adesão de tanta gente, tantos jovens, tantos trabalhadores. Crimes cometidos pelos bandidos em Escambray. Conrado Benítez tinha apenas 19 anos. Um dos integrantes da campanha de alfabetização, voluntário. Assassinado já na fase final dos embates da primeira fase da batalha contra os bandidos, em 5 de janeiro de 1961. Ele e o camponês Eliodoro Rodríguez Linares.

Ainda depois dessa primeira limpa, os bandidos, ainda não totalmente derrotados, cometeram outros crimes. Manuel Ascunce era um adolescente, 16 anos de idade, assassinado por contrarrevolucionários em Escambray em 26 de novembro de 1961, e com ele, morto também, Pedro Lantigua, um camponês a quem ele estava ensinando a ler e escrever. Citam-se tais casos para evidenciar não só os crimes como a gravidade do problema do analfabetismo.

Antes da revolução, quase 24% da população cubana era constituída de analfabetos. No campo, o número ascendia a 41%. Se fossem

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 incluídos os semianalfabetos, o percentual ultrapassava a casa dos 80%.

Desde o final de 1960 até concluir 1961, o governo revolucionário organizou uma campanha nacional para ensinar a ler e escrever de modo a beneficiar um milhão de pessoas.

Foram mobilizados 100 mil jovens das cidades, cujas vidas se transformaram: passaram a viver com os camponeses, conviver com eles, e ensiná-los a ler e a escrever. Graças a tal campanha, o analfabetismo foi praticamente eliminado em Cuba. Na conclusão da campanha, restava uma taxa de analfabetismo residual em torno de 3,9%.

Aquela primeira limpa em Escambray, aquela primeira grande derrota sofrida pelos bandidos na região, na explicação do comandante Víctor Dreke, foi essencial para o processo revolucionário. É didático:

_ Estos bandidos dependían del imperialismo. No podemos ver a los bandidos solos, sueltos, como um grupo de locos que se alzó. No, no, no. Esto era uma cosa organizada. Ellos se estaban organizando para poder ser la quinta columna ante una invasión de Estados Unidos. Era importante la misión que Washington les había dado a los bandidos.

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Um memorando de agosto de 1960 da administração Eisenhower dizia, sem qualquer arrodeio:

_ La fase inicial de las operaciones paramilitares contempla el desarrollo, apoyo y orientación de grupos dissidentes em tres áreas de Cuba: Pinar del Río, el Escambray y la Sierra Maestra. Estos grupos serán organizados para una acción guerrillera concertada contra el régimen.

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O inspetor geral da CIA então, Lyman Kirkpatrick, cita um memorando secreto da Casa Branca, de 11 de março de 1961, quatro dias antes de a administração Kennedy decidir mudar a projetada invasão da Ilha da região de Escambray para a área de Playa Girón, onde se afirma que o governo revolucionário “está haciendo buen uso de las milícias contra atividades guerrilleras y la filtración de gente y de equipos”.

Dessa leitura, é possível então concluir ter o governo norte-americano tomado a decisão de modificar o local do ataque à Revolução Cubana, de Escambray para Playa Girón, exatamente por conta do sucesso da primeira fase do combate aos bandidos, cuja ação era dirigida, orquestrada pelo imperialismo norte-americano.

Como já se viu, a ação dos EUA pretendia ser abrangente. Realizar, em diferentes regiões, diversos tipos de sabotagem. Em Trinidad bombardearam tanques de combustível, entre outros atentados terroristas.

A primeira fase do combate em Escambray, derrotando momentaneamente os bandidos, evitou a existência de uma quinta coluna armada e preparada, articulada no campo e nas cidades, e, como se viu, impediu a ocorrência da ofensiva norte-americana na região, deslocada para Playa Girón.

Comandante Víctor Dreke, em abril de 1961, era chefe da escola de formação de milícias em Hatillo. Terminado o curso, solicitou fosse destacado para a Força Tática do Oriente, em Caney de las Mercedes, encabeçada por Armando Acosta Cordero, célebre como Capitão Erasmo Rodríguez, conhecido por ter participado de inúmeros combates no decurso da Revolução Cubana. Integra a Coluna número 8 Ciro Redondo, onde travou combates sob o comando de Errnesto Che Guevara.

Dreke saiu muito cedo de Hatillo, aos primeiros raios de sol, dia 17 de abril de 1961. No caminho, passa por Santa Clara, modo a pegar a carta para assumir posto na Força Tática do Oriente. Ao passar por Matanzas, província de Zapata, vê intenso burburinho, alvoroço, agitação, gente chegando, gente saindo.

_ Y qué ha passado? – começa a indagar.

_ Los mercenários desembarcaron por Girón – respondeu um popular.

O sangue de Dreke ferveu.

_ Yo en ese momento tenía una idea de lo que era Girón, pero nunca había estado allí.

Corre para o carro e arranca para a direção onde acredita estar Girón.

Vai perguntando, perguntando.

_ Cerca de Yaguaramas – dizem.

Pisa no acelerador, sem dó. Chega a Yaguaramas.

_ Lo que veo me emociona. La población está en la calle pidiendo armas y aplaudiendo a los combatientes que pasan por allí.

Ouve tiros, vê canaviais queimados, alguns carros incendiados, destruídos.

Batalha.

Doido para entrar em combate.

Depara com um grupo de companheiros milicianos do Batalhão 117, assume a responsabilidade militar da unidade e se comunica com René de los Santos, no posto de comando de Yaguaramas. Dá combate contra um grupo inimigo de paraquedistas.

Pela tarde de 18 de abril, há instruções do comandante Fidel Castro: ao amanhecer do dia seguinte, a artilharia cubana iria abrir fogo e na sequência as tropas sob o comando dele deviam avançar para chegar a Girón às seis da tarde do mesmo dia 19. Dreke toma um jipe com dois ou três companheiros e dá a ordem:

_ Vamos para Girón.

  Dreke ia entrar em batalha.

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