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terça-feira, 18 junho, 2024

BRICS prova que mundo não se resume a conflito ucraniano e rivalidade EUA-China, diz Celso Amorim

© Foto / Ricardo Stucker

Sputnik – Para o assessor especial de Lula para assuntos internacionais, a provável expansão do BRICS revela que o Ocidente não pode mais ditar os rumos da geopolítica mundial. Saiba como foi a manhã das autoridades brasileiras na 15ª Cúpula do BRICS e como parlamentares sul-africanos recebem a agenda proposta pelo presidente Lula.

Nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início à sua agenda na 15ª Cúpula do BRICS em reunião com autoridades do partido governista sul-africano Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) em Joanesburgo.
A reunião foi conduzida por Gwede Mantashe, secretário nacional do ANC, partido do atual presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que também preside as atividades do BRICS no ano de 2023.
O presidente está acompanhado dos ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Fernando Haddad, da Fazenda, do embaixador brasileiro na África do Sul, Benedicto Fonseca, além do assessor especial para assuntos internacionais Celso Amorim.
Em breve conversa com os jornalistas, o veterano diplomata brasileiro comentou a adesão de novos países ao BRICS, que poderá ser concretizada na declaração final do grupo, a ser publicada nesta quinta-feira (24).
“O BRICS faz parte de uma nova organização de diálogo que não pode ser ignorada. […] Eu acho que todo interesse que existe para a expansão dos BRICS demonstra que o grupo é uma nova força no mundo, que não pode mais ser visto como ditado pelo G7”, disse Amorim aos jornalistas presentes em Joanesburgo.
Mulher passa por cartaz do lado de fora do local da Cúpula do BRICS 2023, no Centro de Convenções de Sandton, em Sandton, Joanesburgo, África do Sul, 20 de agosto de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 21.08.2023

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O assessor de Lula lembrou que essa realidade foi reconhecida inclusive por autoridades ocidentais, como o ex-presidente dos EUA Barack Obama, que reconheceu que organizações mais representativas, como o G20, haviam substituído o G7, conhecido como “clube dos países ricos”.

“Temos uma tendência de retração, considerando a expansão de rivalidade EUA-China e a própria guerra da Ucrânia, mas essa reunião dos BRICS com esse grande interesse pela expansão entre os países em desenvolvimento demonstra que o mundo é mais complexo do que isso”, concluiu Amorim.

A reunião contou com altas autoridades do ANC, incluindo o vice-presidente da República da África do Sul, Paul Mashatile, e o secretário-geral do partido, Fikile Mbalula.
“Queremos estreitar a nossa relação com as nossas contrapartes brasileiras. Lula tem uma posição privilegiada no Brasil para seguir com a luta contra o imperialismo […] em particular do governo norte-americano, que continua desestabilizando países ao redor do globo“, disse o secretário-geral do Partido Comunista Sul-Africano, Solly Mapaila, após a reunião.
Segundo o parlamentar sul-africano, o presidente Lula informou que a ex-presidente Dilma Rousseff foi inocentada de processos no STF, “após as forças imperialistas terem a retirado do poder, por se opor a programas voltados ao combate à pobreza”.
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Após a reunião com líderes do ANC, o presidente Lula deve comparecer ao Diálogo do Fórum Empresarial do BRICS, que conta com uma delegação composta por cerca de 26 representantes brasileiros.
Além disso, o presidente Lula se reunirá com o ex-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, a portas fechadas, no início da tarde desta terça-feira (22). A Presidência da República informou que estuda cerca de 22 pedidos de reuniões bilaterais com Lula, feitos por chefes de Estado, governo e demais representantes presentes na África do Sul.

O presidente Lula participa da 15ª Cúpula do BRICS, em Joanesburgo, África do Sul. O brasileiro está acompanhado da presidente do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, Dilma Rousseff, dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda), Anielle Francisco da Silva (Igualdade Racial) e do assessor especial Celso Amorim. Após o término da Cúpula, no dia 24 de agosto, Lula deverá cumprir agenda oficial na capital de Angola, Luanda.

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