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Postado em 04/07/2016 3:50

Belo Monte subsidiaria energia solar para 2 milhões de famílias, diz especialista

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Em entrevista, Rodolfo Meyer, sócio do Portal Solar, explica as vantagens de integrar geração fotovoltaica à rede elétrica
 
Desde 2012, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) regulamentou a geração distribuída, na qual pessoas físicas e jurídicas podem ter mini e microgeradores para consumo próprio e devolver o excedente à rede em troca de desconto na conta de luz. A Agência revisou as normas em 2015, através da RN 687/2015, para aprimorar o modelo, mas alguns players do setor ainda resistem à tecnologia com argumentos de que os custos de infraestrutura tendem a aumentar e sobrecarregar aqueles consumidores que não podem investir em energia solar.
“É um argumento que não faz sentido”, afirma Rodolfo Meyer, especialista em energia solar e sócio do Portal Solar (www.portalsolar.com.br), hub de informações e empresas da área. Em entrevista, ele explica por quê, na realidade, a descentralização da geração de energia contribui para todo o setor no Brasil, além de destacar os benefícios para o meio ambiente. Confira:
As pessoas que não aderem à geração compartilhada podem ser prejudicadas com o avanço do modelo?
Rodolfo Meyer: Esse é o argumento de algumas distribuidoras, que destacam uma taxa chamada TUSD (Tarifa de Uso dos Sistemas Elétricos de Distribuição), a tarifa utilizada para investir na infraestrutura do sistema. Há dois problemas, no entanto: em primeiro lugar, mesmo que você produza 100% do que consome e receba créditos pelo excesso produzido, ainda assim há uma tarifa mínima que pagará às distribuidoras, chamada de custo de disponibilidade. Além disso, a infraestrutura já está construída! Na realidade, o que traz mais custos para o sistema elétrico nacional é ter que criar dois mil quilômetros de torres e cabos de alta tensão para trazer a energia de uma usina no meio da Amazônia, como Belo Monte, a um custo de R$ 5 bilhões, enquanto poderíamos aumentar a geração nas próprias cidades.
Mas então não há essa sobrecarga de custos sobre infraestrutura?
RM: De forma alguma. Na realidade, a energia solar por si só é uma energia extremamente limpa e, conforme o modelo de geração compartilhada se expande – e aqui incluo também outras fontes como eólica e de biomassa -, tende-se a partir para um smartgrid, que é uma rede de energia inteligente, ou seja, uma rede elétrica melhor e mais sintonizada com o que vemos em países europeus, Estados Unidos e Austrália, por exemplo.
Como contornar o fato de que a instalação de sistemas de geração solar tem um preço elevado?
RM: Se você considerar que, além de desonerar a rede elétrica nacional, a energia solar ainda é uma fonte extremamente sustentável e geradora de empregos, acredito que o governo deveria incentivar mais a expansão dessa tecnologia por meio de financiamentos e subsídios como todos os países desenvolvidos fazem. Interesse há, fizemos um levantamento no Portal Solar e notamos que 40% dos orçamentos pedidos no site são de famílias com contas de energia menores do que R$ 200 mensais, 15% ficam abaixo de R$ 100. As pessoas nos perguntam: mas como posso financiar uma placa fotovoltaica? Para ficar no exemplo de Belo Monte que mencionei, com o que o governo gastou na usina até agora seria possível subsidiar em 100% energia fotovoltaica para dois milhões de famílias de classe média baixa. Dois milhões de famílias que nunca mais precisariam pagar por energia!
 
Mapa do Portal Solar ajuda a encontrar empresas de energia solar em todas as regiões do Brasil / Crédito: divulgação Portal Solar
Você falou em empregos, consegue estimar quantos postos de trabalho o setor gera?
RM: Sim. Recentemente, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) divulgou que para cada megawatt de energia solar instalado são criados entre 20 e 30 empregos, o que resultaria na geração de até 99 mil novas vagas até 2018. Mas veja, eles consideraram apenas usinas de grande porte. Quando você analisa geração compartilhada, o potencial é ainda maior e bem distribuído, de forma que essas vagas não se concentram em determinada região, mas espalham crescimento econômico por todo o país.
Na sua opinião, por que ocorre essa resistência à geração compartilhada?
RM: É um movimento econômico natural. Trata-se de uma novidade aqui no Brasil que, à primeira vista, aparenta reduzir a receita dos players estabelecidos do mercado, ou seja, as distribuidoras. No entanto, eu acho que falta ter uma visão mais aberta e perceber que, a longo prazo, esse modelo traz vantagens para todos, tanto do ponto de vista ambiental, quanto econômico.
Portal Solar
Sobre o Portal Solar
Portal dedicado à difusão de informações sobre energia solar que reúne mais de mil empresas que prestam esse serviço em todo o Brasil. De forma gratuita, o Portal Solar oferece orçamentos para os interessados em instalar painéis fotovoltaicos em suas casas ou empresas. Hoje, recebe, em média, dois mil pedidos de orçamento por mês. www.portalsolar.com.br.

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