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terça-feira, 14 abril 2026

As mentiras despudoradas e governamentais nos EUA e no Brasil

 Pedro Augusto Pinho*

Um país capaz de cometer o crime de 11 de setembro de 2001 e fazer sua população imputar seu cometimento a terroristas islâmicos é capaz de ter um Donald Trump presidente. Falando por 15 minutos na televisão, dia 6/4/2026, sobre sua fabulação do episódio que teria ocorrido nas distantes montanhas do Irã, que 99% dos estadunidenses não têm a menor ideia do que são nem de onde estão, ele ameaçou destruir o mundo.

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Mas os governos do Brasil, a respeito do mesmo tema de fundo, enganam os brasileiros desde 1980.

E qual é este tema? O petróleo.

A sociedade contemporânea convive com o petróleo há 180 anos, desde meados do século XIX, com as descobertas no Azerbaijão (1846) e nos EUA (1859). E o mundo nunca mais seria o mesmo!

Quantos crimes, quantas mortes, quantas mentiras, quanta corrupção vem ocorrendo desde que a rica e célebre família Nobel, da Suécia, constituiu uma empresa para procurar petróleo e o acharam em Bibi-Heybat, próxima a Baku. Há aproximadamente 4.000 quilômetros das capitais do mundo de então, Londres e Paris, e a curtos 540 km, de um poderoso reino no passado, a Pérsia, e que hoje enfrenta a arrogância dos Estados Unidos da América (EUA), do Trump, e dos ataques genocidas do Estado de Israel a palestinos e árabes, da parte de Benjamin Netanyahu.

Petróleo é a mistura inflamável de substâncias oleosas, geralmente menos densa que a água, com cheiro característico e coloração que pode variar desde o incolor ou castanho claro até ao preto, passando por verde e marrom ou castanho. É uma combinação complexa de hidrocarbonetos, composta na sua maioria de hidrocarbonetos alifáticos, alicíclicos e aromáticos, podendo conter também quantidades pequenas de nitrogênio, oxigênio, compostos de enxofre e íons metálicos, principalmente de níquel e vanádio. Esta categoria inclui petróleos leves, médios e pesados, assim como os óleos extraídos de areias impregnadas de alcatrão.

Materiais hidrocarbonatados que requerem grandes alterações químicas para a sua recuperação ou conversão em matérias-primas para a refinação do petróleo, tais como petróleos de xisto crus, óleos de xisto enriquecidos e combustíveis líquidos de hulha, não se incluem nesta definição.

O petróleo se encontra distribuído pelo mundo de forma bastante desigual.

Tomando as reservas de petróleo conhecidas em 31/12/2025 assim estão distribuídas pelos 40 principais países, em bilhões de barris:

1) Venezuela – 303,0 ; 2) Arábia Saudita – 267,0 ; 3) Irã – 208,0;

4) Iraque – 145,0; 5) Emirados Árabes Unidos – 113,0;

6) Kuwait – 101,5; 7) Rússia – 80,0; 8) Líbia – 48,4; 9) Nigéria – 37,5;

10) Cazaquistão – 30,0; 11) China – 28,2; 12) Brasil – 15,9;

13) Argélia – 12,2; 14) Guiana – 11,0; 15) Equador – 8,3:

16) Angola – 7,78; 17) Azerbaijão – 7,0; 18) Noruega – 7,0:

19) México – 5,97; 20) Omã – 5,37; 21) Índia – 4,5: 22) Vietnã – 4,4;

23) Malásia – 3,6; 24) Sudão do Sul – 3,5; 25) Egito – 3,3;

26) Congo – 2,88; 27) Reino Unido – 2,5; 28) Argentina – 2,48;

29) Indonésia – 2,48; 30) Austrália – 2,4; 31) Gabão – 2,0;

32) Chade – 1,50; 33) Guiné Equatorial – 1,1; 34) Brunei – 1,1;

35) Peru – 0,47; 36) Itália – 0,46; 37) Ucrânia – 0,40;  

38) Romênia – 0,35; 39) Trinidad e Tobago – 0,24; 40) Bolívia – 0,14.

Enumeram-se 100 países com descobertas de petróleo, porém mais da metade sem significação além de suas fronteiras.

Como ressalvado no parágrafo que antecede a enumeração das reservas, os xistos ou folhelhos betuminosos não têm a mesma composição e modelo de reservatório do petróleo: óleo e gás natural. Mas, como são abundantes nos EUA e no Canadá, por questão meramente política, costumam constar das reservas mundiais de petróleo. É das mentiras que cercam este preciso insumo energético.

Os países do Oriente Médio correspondem a 47% das reservas mundiais de petróleo, se adicionarmos as da Líbia, país árabe do norte da África, atingirão a metade do petróleo disponível no mundo. Do ponto de vista da energia não há tamanha concentração.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA) o consumo de energia computado em 2025, referente a 2024, estava assim distribuído:

petróleo líquido (óleo): 106 milhões de barris/dia (30%);

petróleo gasoso (gás natural): 75 milhões de barris/dia (21%);

total do petróleo: 181 milhões de barris/dia (51%);

carvão mineral: 81 milhões de barris/dia (23%);

total da energia fóssil: 262 milhões de barris/dia (74%);

biomassa: 30 milhões de barris/dia (9%);

energia nuclear: 16 milhões de barris/dia (4%);

energia solar e eólica: 15 milhões de barris/dia (4%);

hidrelétrica: oito milhões de barris/dia (2%).

Em 2025, o Brasil já seria autossuficiente em petróleo bruto e em derivados se tivesse mantido o modelo recebido, em 1979, do presidente general Ernesto Geisel, e dado prosseguimento aos trabalhos então desenvolvidos pela Petrobrás.

Mas tal não ocorreu, como relata o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), no volume comemorativo dos 60 anos da entidade, “60 Anos de Luta e Convicção em Defesa da Petrobrás” (2021): “O desmonte da Petrobrás tem início com o movimento de redemocratização da década de 1980, quando a soberania nacional e seus alicerces são substituídos pela ideologia neoliberal da competitividade entre desiguais e da supremacia financeira”. E conclui: “Revogar toda legislação relativa à Petrobrás e à atividade de petróleo aprovada após 1988 é, portanto, a primeira e necessária ação para que possamos voltar a ter a soberania nacional neste importantíssimo setor da energia. Assim, o pré-sal, maior província petrolífera descoberta no último meio século, centenas de reservatórios de óleo e gás, a Petrobrás Distribuidora – BR, as malhas de dutos, terminais, bases de abastecimento voltarão a ser brasileiras, administradas pela competência técnica e gerencial da Petrobrás”.

O Fim do Ciclo: O Preço da Era Fóssil e os Ventos de Guerra na Última Fronteira do Petróleo

PETRÓLEO E GUERRA NO SÉCULO XXI

Donald Trump declarou diante de milhões de pessoas, pela televisão, que destruiria o Irã até a noite de terça-feira, 7 de abril de 2026, dia que escrevo estas considerações. No mesmo momento que o homem volta ao espaço do outro lado da Lua, o preço do barril de petróleo é negociado a US$ 119,50.

Em valores ajustados pela inflação, o barril de petróleo superou os US$ 100 quatro vezes. Em 1979-1980, segunda crise do petróleo da década de 1970, quando chegou a US$ 130/barril. Em 2008, com a Crise Econômico-financeira, atingiu o recorde histórico: US$ 147,50/barril. Durante a “Primavera Árabe”, 2011-2014, permaneceu acima e próximo dos US$ 100, até o colapso dos preços, em meados de 2014. Em 2022, início da guerra provocada pela Ucrânia, com participação dos serviços secretos dos EUA, Reino Unido e Israel e o apoio dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), contra a Rússia, chegou a US$ 139/barril.

Os países europeus, das Américas, e alguns da Ásia e da Oceania, ou seja, o mundo, fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da Rússia, já sente a falta de petróleo e reclama dos altos preços que seus derivados estão sendo comercializados.

Imagine se Trump resolve explodir o Irã, o Estreito de Hormuz e suas próprias bases no Oriente Médio, pois com o incentivo do genocida Netanyahu tudo é possível.

Só as mentes muito ingênuas pensarão que a poderosa China, a fronteiriça Rússia, a prejudicada Índia permanecerão inermes.

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A III Grande Guerra ocorrerá com alguns estadunidenses escondidos do outro lado da Lua.

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E o dia seguinte?

Um mundo em caos, sem trabalho, doente, pobre, mesmos para os gestores de ativos pois o dólar estadunidense, se pouco vale hoje frente ao real brasileiro, nada valerá após o fim do seu mundo.

No início de abril/2026, as ações estadunidenses no Irã já colocaram os preços dos derivados de petróleo no Brasil nos seguintes valores, obrigando o Governo às seguintes medidas:

a) gasolina comum no posto de serviço: R$6,78/litro;

b) venda de gasolina pela Petrobrás para as Distribuidoras: R$2,57/litro;

c) diesel S-10: R$7,58;

d) gás de cozinha (GLP): R$150,00, botijão de 13 kg;

e) mistura de biodiesel no diesel até 25%; e

f) medidas administrativas e tributárias e seja o que Deus quiser.

Em 14/1/2020, Sylvio Massa de Campos, grande brasileiro, criador da Petrobrás Distribuidor BR, (novembro/1971), ativo negociador para que não faltasse petróleo ao Brasil na crise de 1973, matemático, autor das “Notas sobre os Manuscritos Matemáticos de Karl Marx” (2006), mestre em economia de petróleo por instituição italiana, escreveu “Algumas Falsificações na Nossa História”, do qual transcrevemos:

“Em 1921 são publicadas no Correio da Manhã duas cartas atribuídas ao candidato Arthur Bernardes com ofensas aos militares e ao seu rival Nilo Peçanha, candidato mulato à Presidência da República;

Em 1937 – o Plano Cohen – é anunciada a existência de um plano político para impedir a presença, no governo, do então presidente Getúlio Vargas;

Em 1938 – o Acordo Roboré – é assinado esse tratado com a Bolívia que ao final implicou em perda do território nacional, liberação das garantias das dívidas contraídas pela Bolívia e apoio aos trustes para exploração de petróleo;

Em 1955 – a Carta Brandi – é publicada uma carta onde é anunciada a criação da república sindicalista a ser conduzida pelo ministro João Goulart por influência do governo argentino;

Em 2010/2012 – o Mito da Petrobrás Quebrada – a poderosa mídia inicia a falsificação dos prospectos exploratórios da empresa divulgando a inexistência do Pré-Sal”.

Após discorrer sobre brasileiros, civis e militares, que souberam interferir em favor da Pátria, das ações nefastas da mídia serviçal dos interesses estrangeiros, dos crimes cometidos por dirigentes da Petrobrás, Sylvio Massa conclui:

“A omissão, o silêncio, a acomodação são atos de ação favorável a esse atual grupo de poder que destrói as poucas conquistas sociais alcançadas em um dos países mais ricos, sob qualquer aspecto, e dos mais desiguais, também sob qualquer aspecto, do planeta”.

O mundo neoliberal financeiro é um mundo de poucos que só se interessa nesta ínfima percentagem dos muitos ricos. Sempre será o mundo da desigualdade, da fome, da doença. Para esta plutocracia a guerra é um instrumento para impedir que os despossuídos sejam tantos que restringirão a locomoção, quiçá a própria vida dos que não podem habitar no espaço.

Sem participação permanente, nos limites da compreensão e capacidade de apresentar soluções, não existe democracia. O Brasil não é um país democrático, nunca o foi; apenas já houve homens que pensavam no País e não em suas vantagens pessoais. Hoje estes ficaram raros e tolhidos de participar.

“Sou antes brasileiro e tenho o dever de colocar acima de tudo, de todas as considerações pessoais e dos meus sentimentos e interesses particulares, a dignidade e a honra do Brasil” (José Maria da Silva Paranhos Júnior, 1845-1912).

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.

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