Pedro Augusto Pinho*
Um país capaz de cometer o crime de 11 de setembro de 2001 e fazer sua população imputar seu cometimento a terroristas islâmicos é capaz de ter um Donald Trump presidente. Falando por 15 minutos na televisão, dia 6/4/2026, sobre sua fabulação do episódio que teria ocorrido nas distantes montanhas do Irã, que 99% dos estadunidenses não têm a menor ideia do que são nem de onde estão, ele ameaçou destruir o mundo.

Mas os governos do Brasil, a respeito do mesmo tema de fundo, enganam os brasileiros desde 1980.
E qual é este tema? O petróleo.
A sociedade contemporânea convive com o petróleo há 180 anos, desde meados do século XIX, com as descobertas no Azerbaijão (1846) e nos EUA (1859). E o mundo nunca mais seria o mesmo!
Quantos crimes, quantas mortes, quantas mentiras, quanta corrupção vem ocorrendo desde que a rica e célebre família Nobel, da Suécia, constituiu uma empresa para procurar petróleo e o acharam em Bibi-Heybat, próxima a Baku. Há aproximadamente 4.000 quilômetros das capitais do mundo de então, Londres e Paris, e a curtos 540 km, de um poderoso reino no passado, a Pérsia, e que hoje enfrenta a arrogância dos Estados Unidos da América (EUA), do Trump, e dos ataques genocidas do Estado de Israel a palestinos e árabes, da parte de Benjamin Netanyahu.
Petróleo é a mistura inflamável de substâncias oleosas, geralmente menos densa que a água, com cheiro característico e coloração que pode variar desde o incolor ou castanho claro até ao preto, passando por verde e marrom ou castanho. É uma combinação complexa de hidrocarbonetos, composta na sua maioria de hidrocarbonetos alifáticos, alicíclicos e aromáticos, podendo conter também quantidades pequenas de nitrogênio, oxigênio, compostos de enxofre e íons metálicos, principalmente de níquel e vanádio. Esta categoria inclui petróleos leves, médios e pesados, assim como os óleos extraídos de areias impregnadas de alcatrão.
Materiais hidrocarbonatados que requerem grandes alterações químicas para a sua recuperação ou conversão em matérias-primas para a refinação do petróleo, tais como petróleos de xisto crus, óleos de xisto enriquecidos e combustíveis líquidos de hulha, não se incluem nesta definição.
O petróleo se encontra distribuído pelo mundo de forma bastante desigual.
Tomando as reservas de petróleo conhecidas em 31/12/2025 assim estão distribuídas pelos 40 principais países, em bilhões de barris:
1) Venezuela – 303,0 ; 2) Arábia Saudita – 267,0 ; 3) Irã – 208,0;
4) Iraque – 145,0; 5) Emirados Árabes Unidos – 113,0;
6) Kuwait – 101,5; 7) Rússia – 80,0; 8) Líbia – 48,4; 9) Nigéria – 37,5;
10) Cazaquistão – 30,0; 11) China – 28,2; 12) Brasil – 15,9;
13) Argélia – 12,2; 14) Guiana – 11,0; 15) Equador – 8,3:
16) Angola – 7,78; 17) Azerbaijão – 7,0; 18) Noruega – 7,0:
19) México – 5,97; 20) Omã – 5,37; 21) Índia – 4,5: 22) Vietnã – 4,4;
23) Malásia – 3,6; 24) Sudão do Sul – 3,5; 25) Egito – 3,3;
26) Congo – 2,88; 27) Reino Unido – 2,5; 28) Argentina – 2,48;
29) Indonésia – 2,48; 30) Austrália – 2,4; 31) Gabão – 2,0;
32) Chade – 1,50; 33) Guiné Equatorial – 1,1; 34) Brunei – 1,1;
35) Peru – 0,47; 36) Itália – 0,46; 37) Ucrânia – 0,40;
38) Romênia – 0,35; 39) Trinidad e Tobago – 0,24; 40) Bolívia – 0,14.
Enumeram-se 100 países com descobertas de petróleo, porém mais da metade sem significação além de suas fronteiras.
Como ressalvado no parágrafo que antecede a enumeração das reservas, os xistos ou folhelhos betuminosos não têm a mesma composição e modelo de reservatório do petróleo: óleo e gás natural. Mas, como são abundantes nos EUA e no Canadá, por questão meramente política, costumam constar das reservas mundiais de petróleo. É das mentiras que cercam este preciso insumo energético.
Os países do Oriente Médio correspondem a 47% das reservas mundiais de petróleo, se adicionarmos as da Líbia, país árabe do norte da África, atingirão a metade do petróleo disponível no mundo. Do ponto de vista da energia não há tamanha concentração.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA) o consumo de energia computado em 2025, referente a 2024, estava assim distribuído:
petróleo líquido (óleo): 106 milhões de barris/dia (30%);
petróleo gasoso (gás natural): 75 milhões de barris/dia (21%);
total do petróleo: 181 milhões de barris/dia (51%);
carvão mineral: 81 milhões de barris/dia (23%);
total da energia fóssil: 262 milhões de barris/dia (74%);
biomassa: 30 milhões de barris/dia (9%);
energia nuclear: 16 milhões de barris/dia (4%);
energia solar e eólica: 15 milhões de barris/dia (4%);
hidrelétrica: oito milhões de barris/dia (2%).
Em 2025, o Brasil já seria autossuficiente em petróleo bruto e em derivados se tivesse mantido o modelo recebido, em 1979, do presidente general Ernesto Geisel, e dado prosseguimento aos trabalhos então desenvolvidos pela Petrobrás.
Mas tal não ocorreu, como relata o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), no volume comemorativo dos 60 anos da entidade, “60 Anos de Luta e Convicção em Defesa da Petrobrás” (2021): “O desmonte da Petrobrás tem início com o movimento de redemocratização da década de 1980, quando a soberania nacional e seus alicerces são substituídos pela ideologia neoliberal da competitividade entre desiguais e da supremacia financeira”. E conclui: “Revogar toda legislação relativa à Petrobrás e à atividade de petróleo aprovada após 1988 é, portanto, a primeira e necessária ação para que possamos voltar a ter a soberania nacional neste importantíssimo setor da energia. Assim, o pré-sal, maior província petrolífera descoberta no último meio século, centenas de reservatórios de óleo e gás, a Petrobrás Distribuidora – BR, as malhas de dutos, terminais, bases de abastecimento voltarão a ser brasileiras, administradas pela competência técnica e gerencial da Petrobrás”.
PETRÓLEO E GUERRA NO SÉCULO XXI
Donald Trump declarou diante de milhões de pessoas, pela televisão, que destruiria o Irã até a noite de terça-feira, 7 de abril de 2026, dia que escrevo estas considerações. No mesmo momento que o homem volta ao espaço do outro lado da Lua, o preço do barril de petróleo é negociado a US$ 119,50.
Em valores ajustados pela inflação, o barril de petróleo superou os US$ 100 quatro vezes. Em 1979-1980, segunda crise do petróleo da década de 1970, quando chegou a US$ 130/barril. Em 2008, com a Crise Econômico-financeira, atingiu o recorde histórico: US$ 147,50/barril. Durante a “Primavera Árabe”, 2011-2014, permaneceu acima e próximo dos US$ 100, até o colapso dos preços, em meados de 2014. Em 2022, início da guerra provocada pela Ucrânia, com participação dos serviços secretos dos EUA, Reino Unido e Israel e o apoio dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), contra a Rússia, chegou a US$ 139/barril.
Os países europeus, das Américas, e alguns da Ásia e da Oceania, ou seja, o mundo, fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da Rússia, já sente a falta de petróleo e reclama dos altos preços que seus derivados estão sendo comercializados.
Imagine se Trump resolve explodir o Irã, o Estreito de Hormuz e suas próprias bases no Oriente Médio, pois com o incentivo do genocida Netanyahu tudo é possível.
Só as mentes muito ingênuas pensarão que a poderosa China, a fronteiriça Rússia, a prejudicada Índia permanecerão inermes.

A III Grande Guerra ocorrerá com alguns estadunidenses escondidos do outro lado da Lua.



