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domingo, 23 junho, 2024

Armadilha da economia  verde dolarizada contra Lula

Paulo Gala (Foto: Divulgação/Fator)

César Fonseca

O canto de sereia envolve os sonhadores que acreditam na pujança da economia verde, tocada por financiamentos de fundos especulativos internacionais, como o mega BlackRock.
O perigo central é esse: tesouro nacional voltar a emitir títulos nominado em dólar para levantar grana na bolsa de Nova York para financiar a economia verde.
É o que nasceu como novidade em Nova York por iniciativa do ministro Fernando Haddad, como se fosse melhor negócio do mundo, levando à excitação máxima os homens da Faria Lima.
Os megas fundos de investimentos que agem em escala global especularão com os títulos brasileiros como aconteceu em vezes anteriores ao sabor dos interesses da economia financeirizada especulativa e não dos interesses da economia produtiva.
A financeirização exige retorno imediato ao capital especulativo que compra os títulos dolarizados em vez de aceitar projetos que necessitarão de tempo largo de maturação para dar retorno lucrativo.
A financeirização não tem mais paciência para esperar; se possível antecipa a lucratividade, sempre, sem precisar investir na economia real.
Como destaca Luiz Gonzaga Belluzzo em ensaio sobre “Novíssima Dependência”, o elevadíssimo grau de incerteza da economia global sustentada pelo FED americano(e bancos centrais a ele associados, como o BC Independente brasileiro) de apostar nos títulos da dívida exigindo remuneração imediata não assegura ao investidor segurança no que só vai dar – se der – lucro no futuro.
A prioridade absoluta da economia financeirizada é a opção pela liquidez, diante da economia capitalista global, que exige tempo para retorno do capital aplicado em investimento, emprego, renda, arrecadação, como no tempo da economia clássica.
QUAL A OPÇÃO LULISTA?
Não seria mais vantajoso a opção nacionalista de apostar no que tem à mão, ou seja, por exemplo, a potência extraordinária da Petrobrás para investir na infraestrutura nacional a partir do comando da empresa nas mãos do Estado, não do setor privado que somente interessa pelos dividendos imediatos e não pelos investimentos a longo prazo, como está acontecendo na gestão do presidente Prates, notório porta-voz das multinacionais, interessadas, apenas, em abocanhar a estatal para elas.
É o verdadeiro quinta coluna anti-Vargas.
Economia verde com opção pelo endividamento externo para ser financiada pode ser caixão e vela preta.
Lula estaria dando passso atrás na decisão soberana adotada no seu segundo governo de pagar dívida externa ao FMI e ficar livre das condicionalidades impostas pelo governo americano, que, certamente, faria, novamente, pressão sobre Brasil, se voltar a endividar-se em dólar, para financiar economia verde.
Seria ou não retrocesso optar pela armadilha do endividamento externo, se o país escapuliu dele e, por isso, acumulou reservas internacionais superiores da 350 bilhões de dólares?
Ou, ainda: não seria mais negócio lançar mão das reservas cambiais para apostar na economia verde, que os adeptos do ambientalismo consideram excelente negócio, em vez de optar pela dolarização para bancar transição energética?
Afinal, o presidente Lula não fecha com os BRICS na condição de um dos seus líderes mais destacado em defesa da desdolarização como passo essencial para abrir espaço a uma nova política monetária internacional capaz de conferir à economia mundial novo perfil multipolar, em vez de submeter-se à escravidão financeira unipolar fixada pela moeda americana?
Como destaca Belluzzo, em “A Novíssima Dependência”, a ausência total de segurança imposta pelo capital especulativo, que exige prerrogativa de condições especiais que desestabilizam economia privada produtiva, representaria o prelúdio da economia verde ancorada na dívida pública, levando Lula à armadilha da qual conseguiu fugir em passado histórico recente.

A financeirização da economia verde e os seus porta-vozes do mercado, como Paulo Gala, sinceramente, não merecem confiança.

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