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terça-feira, 18 junho, 2024

Aras? As urnas, o povo, e a dignidade não permitem tamanhas afronta

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sussurros impertinentes.

Henrique Matthiesen*

A Capital Federal, os meios jurídicos e políticos se agitam com a proximidade da indicação do presidente da república, Lula, para a vaga da Procuradoria-Geral da República, hoje ocupada por Antônio Augusto Brandão de Aras.

Nas rodas de conversa e nos cafezinhos, muitas articulações, conjurações, análises e impróprios, inconvenientes e impertinentes sussurros.

Alguns aliados do presidente conjecturam a recondução do atual Procurador para a vaga que será aberta.

Um verdadeiro despropósito.

Um escândalo.

Uma indignidade.

Uma das tarefas mais importantes e inadiáveis para a qual Lula foi eleito é reconstruir as instituições, dentre elas, a Procuradoria-Geral da República que foi, no mínimo, omissa na gestão catastrófica do inominável e inelegível ex-presidente.

O simples sussurro de recondução ao cargo do senhor em questão é uma agressão às famílias e vítimas da COVID-19 e, até mesmo, ao Estado Democrático de Direito, atacado constantemente sob a inércia e conveniência do Procurador.

Há de se estabelecer um limite no pragmatismo político. Não há justificativa e nem argumento para tal insanidade. As urnas, o povo, a decência e a dignidade não permitem tamanhas afronta.

Fato é que a Procuradoria-Geral da República sob a direção deste senhor foi cúmplice das atrocidades cometidas. Nada, absolutamente nenhuma ação, foi realizada para impedir as mais de 700 mil mortes da COVID fruto do negacionismo, da ignorância e da má-fé de Bolsonaro e sua trupe de acéfalos.

As agressões e articulações golpistas encontraram proteção desta instituição que deveria ser vital para a defesa da democracia e da cidadania.

No mínimo há de se estabelecer a relação cúmplice, a inércia ilegal, a conivência indecente, e a omissão indigna deste período nefasto e ignóbil o qual passamos e que tem as digitais indeléveis da Procuradoria-Geral da República na figura de seu representante maior.

É preciso reconstruir nossas instituições; é necessário e imperioso fortalecer nossos valores democráticos e civilizatórios. É imprescindível não nos esquecermos das atrocidades. Não podemos ter revanchismo, mas também não podemos compactuar com o pragmatismo sem limites e nem fazermos ouvidos moucos de sussurros tão impertinentes que ecoam, no mínimo, agressivos e desrespeitosos.

*Henrique Matthiesen é formado em direito e pós-graduado em Sociologia

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