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quarta-feira, 12 junho, 2024

Aonde a Ancine quer chegar?

Imagem: Caliban

Por Silvio Tendler

Agora que nos livramos de uma quase ditadura, está na hora de remover os entulhos do autoritarismo e jogar certas praticas burocráticas na lata de lixo da história.

Nos anos 80 fiz o filme Jango para homenagear o Presidente deposto pelo golpe de 64 e único Presidente morto no exílio.

Na época ninguém teve coragem de distribuir o filme, me diziam, “JK, tudo bem mas Jango, ainda não”.

Montei uma distribuidora e com a ajuda de Alberto Shatovisky e Luiz Fernando Goulart fizemos um milhão de espectadores, segunda maior bilheteria do documentário brasileiro, só perdendo para “O mundo mágico dos Trapalhões”, também de minha autoria, distribuído pela Embrafilme.

O que quero dizer é que a Caliban, minha empresa, produtora e distribuidora, é responsável pelo maior sucesso do documentário político brasileiro.

Agora que o cinema retoma impulso, quero retomar meu direito à distribuir meus filmes e, pasmem, descubro que nas regras dos presentes editais, tomei a maior garfada da história do cinema, quando, para efeitos de bilheteria somente são consideradas distribuições e bilheterias a partir de 1995!!!! Pode?

Quero saber quem inventou essa regra, a serviço de quem, com quais interesses?

Devolvam já minha bilheteria e a de todos os filmes brasileiros antes de 1995. Não amputem o cinema brasileiro que tem uma longa história que deve ser respeitada. Tenho o direito de contabilizar o público de Jango na bilheteria da distribuidora Caliban.

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