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terça-feira, 11 junho, 2024

Ao capitalismo parasitário em contradição total com colapso ambiental no RGS

 

 Foto Raphael Ribeiro/BCB

César Fonseca 

O Brasil, no contexto do colapso ambiental, no Rio Grande do Sul, com reflexos sobre toda a economia nacional, corre perigo de ver aprofundar, com a financeirização econômica em curso, a expansão do capitalismo parasitário.

O Banco Central Independente (BCI), com a Selic próxima de 10%, enquanto a inflação em 12 meses está em 3,96%, vira o principal agente do parasitismo econômico, típico da fase do capitalismo dominado pelos oligopólios(no caso, oligopólio financeiro, bancário), que sufocaram a economia de mercado.

Afinal, o investidor/empreendedor vai preferir o que: um lucro financeiro que se multiplica potencial e exponencialmente de forma especulativa sem precisar investir na produção e, consequentemente, no risco advindo do juro extorsivo, ou abandonar, relativamente, à produção, isto é, o risco, que, no cenário de incerteza gerado pelo juro alto Selic reduz a produtividade e, claro, os lucros?

Quanto mais alta continuar a taxa Selic relativamente à inflação, mais a tendência parasitária da economia se acentuará.

Tem razão, portanto, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, do primeiro governo Lula (2003-2006), ao ressaltar que os juros praticados pelo BC Independente são os principais responsáveis por impedir o crescimento do PIB potencial na casa dos 7% ao ano.

O evidente aspecto parasitário da economia brasileira, dominada pelo oligopólio bancário da Faria Lima, é o perfil pronto e acabado do resultado da financeirização da economia nacional em todos os seus aspectos e dimensões.

Ela leva à paralisação predatória da produção em favor da especulação; esta não produz emprego, nem renda, nem aumento de arrecadação e, evidentemente, nem investimentos.

O parasitismo econômico nacional(o país poderia estar crescendo 7%, mas se estacional nos 1,5% 2% do PIB) é, portanto, fruto do que se evidencia no desenvolvimento do “Imperialismo, fase superior do capitalismo”, como descreve, Lênin, em 1916: o oligopólio financeiro especulativo.

A trajetória do capitalismo no Brasil, portanto, conduz, por meio do monetarismo neoliberal, praticado pelo Banco Central Independente, sucursal do BC dos Estados Unidos, à fase econômica parasitária, inimiga central do crescimento econômico, do emprego, da renda e do investimento, isto é, do capitalismo produtivo, para dar vez ao capitalismo financeirizado.

O resultado prático da financeirização do sistema capitalista tupiniquim é o completo subdesenvolvimento e seu companheiro de jornada, o subconsumismo, que leva à relativa e crescente paralisia econômica neoliberal

FASE PARASITÁRIA NO

CAPITALISMO NEOLIBERAL

A radicalização da financeirização, que impede o crescimento econômico sustentável e leva ao parasitismo capitalista nacional, é a principal fonte de resistência ao governo Lula.

A prova, nesse sentido, foram as declarações peremptórias do presidente do BCI, Roberto Campos Neto, na última semana, de que aquele que o substituirá na presidência da instituição não deve dar satisfação ao presidente da República, do Congresso ou do Supremo Tribunal Federal, na condução da política monetária, conduzida pelo BC Independente.

Ficou claro, segundo ele, que quem, ao fim e ao cabo, dá as cartas na economia brasileira, ao largo dos poderes republicanos, é o Banco Central Independente.

Campos Neto escolheu o momento adequado para ditar essas advertências radicais ao governo Lula, ao convocar para Conferência Anual do Banco Central, realizada na sexta-feira, 17, cinco ex-presidente do Banco Central, para comemorar 30 anos do Plano Real: Gustavo Franco, Pérsio Arida, Pedro Malan, Gustavo Loyola e Henrique Meirelles.

Todos os ex-presidentes – os quatro primeiros da Era FHC e o último da Era Lula – foram unânimes em assinar embaixo as declarações de Campos Neto de que o Brasil corre perigo de maiores desajustes fiscais, aumentando déficit público, por conta de gastos excessivo no terceiro mandato de Lula.

Os cinco, neoliberais sintonizados com a Faria Lima, fizeram questão de externar suas insensibilidades diante da tragédia climática gaúcha, que, certamente, pressiona o governo a romper com o arcabouço fiscal neoliberal em curso, a fim de salvar da catástrofe o quarto maior Estado da Federação.

O compromisso explícito dos cinco ex-presidentes do BC, assim como o do atual, é o de manter o privilégio dos credores da dívida pública, responsável por comprometer 6% do PIB com pagamento de juros e amortizações da dívida, mediante juros Selic extorsivos.

Eles, sobretudo, temem que o governo eleve os gastos públicos não financeiros (saúde, educação, infraestrutura), por força da catástrofe ambiental, o que leva à discussão sobre necessidade de reduzir gastos financeiros do tesouro, hipótese contra a qual a Faria Lima se bate, furiosamente.

A financeirização econômica, portanto, característica do capitalismo em sua fase imperialista, conduzida pelo oligopólio bancário, com o qual Campo Neto e os cinco ex-presidentes do BC estão comprometidos, aprofundará ainda mais o caráter parasitário do capitalismo brasileiro, se predominar o arcabouço fiscal neoliberal vigente em meio ao colapso climático, econômico e financeiro do Rio Grande do Sul, equivalente a uma guerra de destruição total da infraestrutura estadual com reflexo nacional.

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