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domingo, 3 março, 2024

América Latina não tem o que celebrar com Trump; não teria com Hillary

Desde que começou a campanha eleitoral para nos Estados Unidos, especialistas em política internacional não previram “nada de bom” para a América Latina no caso de triunfar qualquer um dos dois candidatos – Hillary Clinton e Donald Trump – e muito menos com a vitória da segunda opção. O cientista político alemão Andreas Boeckh, professor emérito da Universidade de Tübingen, havia advertido: “nenhum dos dois candidatos estão para que a América latina celebre”.
Especialistas acreditam que a política de Trump para os demais países da América Latina pode ser similar à que ele pretende aplicar contra o MéxicoEspecialistas acreditam que a política de Trump para os demais países da América Latina pode ser similar à que ele pretende aplicar contra o México “Trump é um homem de negócios e não se conhece ainda quem serão seus assessores em política externa, pelo que vemos, é complexo o panorama para a região”, afirmou o doutor em Ciências Econômicas Estebam Morales à agência equatoriana Andes.
Desvio no processo de normalização das relações com Cuba
Durante seus discursos, Trump endossou as políticas hostis das administrações norte-americanas contra governos progressistas na América Latina. Em seu último comício, realizado na Flórida, um dos estados considerados decisivos para as eleições, o presidente eleito deixou claro suas intenções em relação a Cuba. Prometeu apoiar o povo cubano “contra a opressão do regime de Castro”, palavras que evidenciam sua aversão ao governo da ilha.
Disse também que buscaria se afastar do processo de normalização das relações com Cuba iniciado por Barack Obama em 2014. Mas Trump está na lista dos empresários que violaram o bloqueio contra Cuba. Em 1998 uma companhia controlada por ele gastou cerca de 68 mil dólares na ilha, nesta época era expressamente proibido gastar dinheiro o país de Fidel.
Para a diretora de comunicação da Engage Cuba, organização de empresas que pressionam para o fim do bloqueio, Madeleine Russak, “Trump é um homem de negócios, há tempos reconheceu os benefícios econômicos de se relacionar com Cuba”.
Integra o bando que atenta contra a ordem constitucional na Venezuela
Donald Trump já se comprometeu em apoiar a oposição ao governo do presidente Nicolás Maduro que traça estratégias para construir um golpe de Estado como aconteceu no Brasil.
O presidente eleito dos EUA chamou os norte-americanos para se manifestarem “em solidariedade ao povo da Venezuela que ama a liberdade”. Em uma coletiva de imprensa recente em Miami emitiu duras críticas ao sistema econômico de Maduro.
Usando como exemplo o caso da Venezuela, o professor doutor do Instituto de Altos Estudos Nacionais do Equador, Fernando Casado, anuncia que há chances de Trump levar a cabo todos os tipos de políticas intervencionistas para acabar com qualquer governo que tenha ares progressistas e que seja visto pelos Estados Unidos com como uma ameaça aos interesses internos.
Casado destaca a possibilidade de um maior financiamento e/ou apoio aos partidos políticos dispostos a levar adiante medidas inconstitucionais, como golpes parlamentares ao modelo do que ocorreu no Brasil.
Um muro entre os EUA e o México
O projeto de Trump colocará em jogo a vida de milhares de imigrantes latino-americanos. O México tem sido um dos alvos prediletos dos ataques e insultos de Trump. Com retórica, ele inclui qualificações como “criminais” e “violadores” para falar sobre os imigrantes mexicanos.
Em agosto de 2015, Trump apresentou um plano de imigração em que ele prometia deportar 11 milhões de pessoas irregulares. “Os líderes mexicanos estão se aproveitando dos Estados Unidos, eles utilizam a imigração ilegal para exportar o crime e a pobreza de seu próprio país”, disse à época.
Além disso, considerou que a solução para este problema é a construção de um muro entre as fronteiras dos Estados Unidos e México. Um muro que teria consequências severas para milhares de imigrantes que diariamente tentam chegar no país vizinho.
Desde 1994 os Estados Unidos instala valas que hoje chegam a mais de mil quilômetros da fronteira e isso já faz com que os imigrantes tenham que buscar caminhos cada vez mais remotos e arriscados para alcançar “o sonho americano”.
Selar a fronteira ainda agravaria a crise dos refugiados, atualmente saturados, e geraria um estancamento destas milhares de pessoas que vivem nas cidades fronteiriças dos dois países.
Um muro é a “contradição frente à intenção de criar uma fronteira mais segura”, afirma a investigadora Paulina Ochoa, do Colégio Haverford, na Pensilvânia. Além disso, ela pondera que os impactos ao meio ambiente também seria cruéis.
A cidade mexicana de Nogales padeceu com fortes chuvas que causaram uma inundação em 2011, isso se deu, em parte, porque um canal fluvial que cruza a fronteira foi semibloqueado com o muro que já está em parte construído.
A proposta de Trump de barrar a fronteira vai influenciar completamente na economia mexicana, que já começou a sentir os efeitos negativos na manha desta quarta-feira (9) com a moeda despencando.
Para Andreas Boechh, as palavras do bilionário Trump sobre a segunda economia do México são golpes muito baixos. “E tenho medo que sua atitude com o resto da América Latina seja muito similar”.
Do Portal Vermelho, com Telesur

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