Alice, pianista, ciscou migalhas de alegria no campo de concentração de Terezin para onde foi deportada com seu filho de 5 anos e seu marido e, no meio das atribulações, lutou contra as adversidades com o escudo do bom humor durante toda a sua longa existência. Morreu aos 110 anos nos deixando lições de vida.
Alice deu muitos concertos em salas de musica, depois no gueto onde ficou reclusa e no campo de concentração, onde lhe foi permitido tocar piano e ao seu filho cantar ópera infantil, com o objetivo de servir de vitrine para a inspeção da Cruz Vermelha.“Foi sorte nossa, mesmo assim, centenas de pessoas morriam ao nosso redor todos os dias. Foi uma época muito difícil”.
As imagens filmadas em 2013, no crepúsculo da vida de Alice, quando ela tinha 109 anos, mostram closes de seu rosto, o brilho dos seus olhos e a explosão de sua risada contagiante. O diretor do documentário, Malcolm Clarke, diz que o que o atraiu em Alice foi o otimismo, o humor, a generosidade e sobretudo a alegria de viver, usando para isso a música como ferramenta de resistência.
– A vida é bela, extremamente bela. E na velhice, você a valoriza ainda mais. Quando a gente envelhece, valoriza ainda mais a vida, a gente pensa, a gente cuida, a gente aprecia e é grata por tudo. Por tudo.