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quarta-feira, 12 junho, 2024

A Ucrânia e a BlackRock

Divulgação

EurAsia Daily [*]

Algumas participações da Blackrock.

Há poucos dias o governo da Ucrânia e a corporação estado-unidense BlackRock Financial Market Advisory (BlackRock FMA) assinaram um acordo para a criação do Fundo para a Reconstrução da Ucrânia, pondo de certo modo ponto final à venda de todos os ativos principais do Estado ucraniano: desde as suas terras negras até as suas redes elétricas.

Alguns peritos acreditam que Kiev pretende pagar as suas dívidas desta forma. Contudo, isto não vai acontecer. Pior ainda, a que provavelmente foi a república soviética mais próspera simplesmente passará a ser propriedade do capital transnacional.

A empresa BlackRock, Inc. é o fundo de gestão de ativos mais importante do mundo (o seu valor conjunto em 1 de Janeiro de 2023 atingiu os 8,594 milhões de milhões de dólares, o que equivale aproximadamente à soma dos PIBs da Alemanha e da França.

Entretanto, esta não é a sua única característica. A BlackRock exerce uma influência política imensa em todo o mundo.

Ela não só é acionista das principais companhias financeiras e farmacológicas, de gigantes militares-industriais e de corporações mediáticas, como também dirige todos os programas da Reserva Federal estado-unidense de compra de títulos corporativos, ou seja, maneja diretamente um dos instrumentos mais importantes de política monetária deste banco central.

Ex altos responsáveis da BlackRock frequentemente passam a ocupar postos na Casa Branca. Na administração de Joe Biden agora são três: o subsecretario do Tesouro, Wally Adeyemo, o assessor principal do Tesouro sobre questões económicas relacionadas com a Rússia e a Ucrânia, Eric van Nostrand, e Mike Pyle, assessor económico da vice-presidente Kamala Harris.

Brian Deese ocupou o cargo de diretor do Conselho Económico Nacional dos EUA até Fevereiro/2023. Thomas Donilon, presidente do ramo de investigação da BlackRock, foi assessor de segurança nacional de Barack Obama durante muito tempo, ao passo que o seu irmão Mike foi o principal estratega na campanha presidencial de Joe Biden para a seguir ser nomeado assessor principal na sua administração.

Entre os altos executivos da BlackRock figuram vários responsáveis aposentados da CIA e a própria empresa financia o fundo de capital de risco In-Q-Tel criado pela Agência Central de Inteligência.

A colaboração do governo Zelenski com a BlackRock (pelo menos publicamente) começou em Setembro/2022, quando o New York Times informou das negociações do presidente ucraniano com o chefe da empresa, Larry Fink, para a criação de certo fundo de reconstrução.

Nos termos do acordo, a BlackRock será encarregada concretamente de gerir os ativos ucranianos, incluídos os fundos de ajuda internacional. Deste modo, as empresas estratégicas ucranianas, dentre elas também as que foram “nacionalizadas”, passam a estar sob o controle transnacional.

No âmbito deste plano também será administrada a dívida pública ucraniana que, segundo o Ministério das Finanças do país, em fins de Março atingiu 119,9 mil milhões de dólares (externa: 78,51 mil milhões; interna: 41,4 mil milhões), ou seja, 78% do seu PIB (em fins de 2022).

É claro que os serviços da BlackRock serão pagos com o dinheiro da ajuda ocidental – Kiev não tem muito mais.

É muito provável que os EUA se preparem para o incumprimento da Ucrânia, afirma o investigador chefe do Instituto dos EUA e Canadá, Vladimir Vasíliev, caso em que a implicação da BlackRock parece lógica:

“Em caso de quebra da Ucrânia surgirá o problema dos serviços da dívida e da gestão dos ativos restantes, nessa altura as funções da BlackRock passarão ao primeiro plano. Atualmente, a dependência por alavancamento financeiro é certamente o método de gestão exterior mais eficaz que existe. Esta prática serviu de base inclusive para o Plano Marshall quanto às obrigações de dívida da Alemanha”.

Segundo jornais de Kiev, na implementação do acordo estão implicados funcionários acusados de corrupção em várias ocasiões:   a ex-chefe do Banco Nacional da Ucrânia, Valeria Góntareva, a ex-chefe do Ministério das Finanças da Ucrânia (cidadã estado-unidense), Natalia Yaresko e, naturalmente, o promotor dos interesses de George Soros na Ucrânia, Víktor Pinchuk, um multimilionário que conseguiu evitar a “desoligarquização”, genro do segundo presidente ucraniano Leonid Kuchma.

Neste contexto tornam-se especialmente interessantes os dados da Forbes, segundo os quais Vladimir Zelenski conseguiu mais que duplicar a sua fortuna em 2022:   de 650 para 1500 milhões de dólares.

Além disso, indireta ou diretamente, a lista dos ativos ucranianos da BlackRock inclui valores das seguintes empresas: Metinvest, DTEK (energia), MJP (agricultura), Naftogaz, Ferrovias da Ucrânia, Ukravtodor e Ukrenergo.

De acordo com a LandMatrix, em Maio último, 17 milhões de hectares de terras agrícolas ucranianas, dos 40 milhões incritos no banco de terras, eram propriedade de três empresas: Cargill, Dupont e Monsanto.

Neste caso não se pode estar mais de acordo com o líder do partido húngaro Nossa Pátria, Laszlo Toroczkai, o qual ao referir-se ao papel da BlackRock na crise ucraniana assinalou sem rodeios:   “A Ucrânia já está vendida e a guerra destruirá tudo”.

15/Maio/2023

[*] Publicação russa.

O original encontra-se em eadaily.com/ru/news/2023/05/15/chernaya-skala-drug-ukroindeycev-nezalezhnaya-prodana-s-potrohami

Este artigo encontra-se em resistir.info

Há poucos dias o governo da Ucrânia e a corporação estado-unidense BlackRock Financial Market Advisory (BlackRock FMA) assinaram um acordo para a criação do Fundo para a Reconstrução da Ucrânia, pondo de certo modo ponto final à venda de todos os ativos principais do Estado ucraniano: desde as suas terras negras até as suas redes elétricas.

Alguns peritos acreditam que Kiev pretende pagar as suas dívidas desta forma. Contudo, isto não vai acontecer. Pior ainda, a que provavelmente foi a república soviética mais próspera simplesmente passará a ser propriedade do capital transnacional.

A empresa BlackRock, Inc. é o fundo de gestão de ativos mais importante do mundo (o seu valor conjunto em 1 de janeiro de 2023 atingiu os 8,594 trilhões de dólares, o que equivale aproximadamente à soma dos PIBs da Alemanha e da França.

Entretanto, esta não é a sua única característica. A BlackRock exerce uma influência política imensa em todo o mundo.

Ela não só é acionista das principais companhias financeiras e farmacológicas, de gigantes militares-industriais e de corporações mediáticas, como também dirige todos os programas da Reserva Federal estado-unidense de compra de títulos corporativos, ou seja, maneja diretamente um dos instrumentos mais importantes de política monetária deste banco central.

Ex altos responsáveis da BlackRock frequentemente passam a ocupar postos na Casa Branca. Na administração de Joe Biden agora são três: o subsecretario do Tesouro, Wally Adeyemo, o assessor principal do Tesouro sobre questões económicas relacionadas com a Rússia e a Ucrânia, Eric van Nostrand, e Mike Pyle, assessor econômico da vice-presidente Kamala Harris.

Brian Deese ocupou o cargo de diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA até fevereiro/2023. Thomas Donilon, presidente do ramo de investigação da BlackRock, foi assessor de segurança nacional de Barack Obama durante muito tempo, ao passo que o seu irmão Mike foi o principal estrategista na campanha presidencial de Joe Biden para a seguir ser nomeado assessor principal na sua administração.

Entre os altos executivos da BlackRock figuram vários responsáveis aposentados da CIA e a própria empresa financia o fundo de capital de risco In-Q-Tel criado pela Agência Central de Inteligência.

A colaboração do governo Zelenski com a BlackRock (pelo menos publicamente) começou em setembro/2022, quando o New York Times informou das negociações do presidente ucraniano com o chefe da empresa, Larry Fink, para a criação de certo fundo de reconstrução.

Nos termos do acordo, a BlackRock será encarregada concretamente de gerir os ativos ucranianos, incluídos os fundos de ajuda internacional. Deste modo, as empresas estratégicas ucranianas, dentre elas também as que foram “nacionalizadas”, passam a estar sob o controle transnacional.

No âmbito deste plano também será administrada a dívida pública ucraniana que, segundo o Ministério das Finanças do país, em fins de março atingiu 119 bilhões de dólares (externa: 78,51 bilhões; interna: 41,4 bilhões), ou seja, 78% do seu PIB (em fins de 2022).

É claro que os serviços da BlackRock serão pagos com o dinheiro da ajuda ocidental – Kiev não tem muito mais.

É muito provável que os EUA se preparem para o incumprimento da Ucrânia, afirma o investigador chefe do Instituto dos EUA e Canadá, Vladimir Vasíliev, caso em que a implicação da BlackRock parece lógica:

“Em caso de quebra da Ucrânia surgirá o problema dos serviços da dívida e da gestão dos ativos restantes, nessa altura as funções da BlackRock passarão ao primeiro plano. Atualmente, a dependência por alavancamento financeiro é certamente o método de gestão exterior mais eficaz que existe. Esta prática serviu de base inclusive para o Plano Marshall quanto às obrigações de dívida da Alemanha”.

Segundo jornais de Kiev, na implementação do acordo estão implicados funcionários acusados de corrupção em várias ocasiões:   a ex-chefe do Banco Nacional da Ucrânia, Valeria Góntareva, a ex-chefe do Ministério das Finanças da Ucrânia (cidadã estado-unidense), Natalia Yaresko e, naturalmente, o promotor dos interesses de George Soros na Ucrânia, Víktor Pinchuk, um multimilionário que conseguiu evitar a “desoligarquização”, genro do segundo presidente ucraniano Leonid Kuchma.

Neste contexto tornam-se especialmente interessantes os dados da Forbes, segundo os quais Vladimir Zelenski conseguiu mais que duplicar a sua fortuna em 2022:   de 650 para 1500 milhões de dólares.

Além disso, indireta ou diretamente, a lista dos ativos ucranianos da BlackRock inclui valores das seguintes empresas: Metinvest, DTEK (energia), MJP (agricultura), Naftogaz, Ferrovias da Ucrânia, Ukravtodor e Ukrenergo.

De acordo com a LandMatrix, em maio último, 17 milhões de hectares de terras agrícolas ucranianas, dos 40 milhões inscritos no banco de terras, eram propriedade de três empresas: Cargill, Dupont e Monsanto.

Neste caso não se pode estar mais de acordo com o líder do partido húngaro Nossa Pátria, Laszlo Toroczkai, o qual ao referir-se ao papel da BlackRock na crise ucraniana assinalou sem rodeios:   “A Ucrânia já está vendida e a guerra destruirá tudo”.

Maio/2023

[*] Publicação russa.

O original encontra-se em eadaily.com/ru/news/2023/05/15/chernaya-skala-drug-ukroindeycev-nezalezhnaya-prodana-s-potrohami

Este artigo encontra-se em resistir.info

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