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sexta-feira, 15 maio 2026

A traição que feriu o legado de Chávez: Por um punhado de dólares Maduro foi entregue aos EUA

© Foto / Twitter / @NicolasMaduro

Por: Wagner França

Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, o império estadunidense consumou o que seus serviçais na região há muito ensaiavam: o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da companheira Cilia Flores. O golpe não foi militar no sentido clássico — pois as Forças Armadas Venezuelanas, leais ao Comandante Hugo Chávez, jamais tomariam as armas contra o líder legítimo. Foi, sim, uma operação de inteligência de alta precisão que só teve êxito porque encontrou solo fértil dentro de casa. A dor que atravessa a pátria bolivariana não é apenas pela perda física de seu líder, mas pela constatação amarga de que setores do próprio governo — ungidos por Chávez e Maduro — abriram as portas do palácio para o inimigo histórico.

O primeiro fato concreto que desafia qualquer lógica militar é o estado de completa indefesa do forte Forte Tiuna na noite do sequestro. O presidente Maduro, ciente das ameaças constantes do império, mantinha protocolos de segurança rigorosos — incluindo sistemas de defesa aérea S-300VM fornecidos pela Rússia e uma guarda presidencial treinada por assessores cubanos.

No entanto, entre 2h e 3h da madrugada, quando 150 aeronaves dos EUA violaram o espaço aéreo venezuelano, nenhum sistema foi acionado. Relatos colhidos por jornalistas brasileiros do Brasil de Fato junto a militares da ativa (que pediram anonimato) indicam que o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, não autorizou o disparo de um único míssil. Mais grave: ele teria ordenado o silêncio dos radares.

A pergunta que ecoa nas ruas de Caracas, repetida pela líder comunitária Rosa Contreras à BBC, é a mesma que move esta análise: “Como é possível que o homem de maior confiança de Maduro nas Forças Armadas tenha ficado paralisado justamente na hora H?”

A resposta, segundo fontes do OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project), pode estar em um labirinto de 24 empresas fantasmas e 14 propriedades nos Estados Unidos registradas em nome de familiares de Padrino. Para analistas do Sul Global, como o argentino Atilio Borón, o general foi “capturado financeiramente pelo império” anos antes do sequestro. Sua traição, portanto, não foi um ato de coragem, mas a consequência de uma vulnerabilidade construída pela própria inteligência estadunidense.

Se Padrino foi o braço armado da omissão, o núcleo civil da traição tem nome e sobrenome: Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez. Irmãos, herdeiros políticos de Hugo Chávez e, até então, considerados pilares da lealdade a Maduro.

Investigações do consórcio internacional The Guardian e do jornal espanhol Público revelaram que, já em agosto de 2025, a CIA mantinha canais de diálogo com Delcy Rodríguez, então vice-presidente, mediados pelo Catar. A oferta, segundo documentos vazados, era clara: cooperação em troca de impunidade e reconhecimento internacional.

Dois dias após o sequestro de Maduro, Delcy assumiu a presidência interina e, em abril de 2026, recebeu o reconhecimento formal dos Estados Unidos, que suspenderam todas as sanções contra ela. Em um gesto que envergonha a memória de Chávez, Delcy declarou à imprensa estrangeira que “o diálogo com os EUA era inevitável”. A frase, reproduzida pela Telesur (antes de ser interditada pelo novo regime), foi lida como uma admissão velada de seu papel na entrega do presidente.

Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e homem de confiança de Chávez nos últimos anos do Comandante, é apontado por analistas como Rafael Céspedes (ex-assessor de Chávez) como a peça-chave. “Jorge é o verdadeiro dono do tabuleiro”, disse Céspedes. “Sem ele, ninguém tosse na Venezuela.” A precisão cirúrgica da operação — que soube exatamente o momento em que Maduro sairia de sua residência para uma reunião de emergência — só pode ter sido fornecida por alguém do círculo mais íntimo. Jorge Rodríguez, que negou publicamente a traição em um discurso lacrimoso (“o chavismo está mais unido do que nunca”), hoje mantém todos os seus poderes, numa clara demonstração de que Washington o recompensou pela cooperação.

É preciso dizer com todas as letras: o Comandante Hugo Chávez não teria aceitado isso. A Venezuela que ele construiu, soberana e anti-imperialista, foi entregue por aqueles que ele próprio formou. A recompensa oferecida pela inteligência estadunidense — valores que chegam a 50 milhões de dólares por informações “decisivas” — foi suficiente para comprar a alma de alguns.

Mas o povo venezuelano, nas favelas de Caracas, nos campos agrícolas de Barinas, nas fábricas ocupadas de Valencia, sabe a verdade. As marchas que desde janeiro pedem “Maduro resiste, el pueblo le asiste” são a prova viva de que a traição não prosperará para sempre. Organizações de esquerda do Sul Global — como o PT brasileiro, o MAS boliviano e o Partido Comunista Cubano — já denunciaram o “governo fantoche” de Delcy Rodríguez e exigem a libertação imediata do presidente legítimo.

Fontes próximas à defesa de Maduro, citadas pelo portal Opera Mundi, indicam que o presidente sequestrado, se recusa a qualquer negociação que reconheça o novo regime. “Maduro está preso, mas não se rendeu”, afirmou um advogado da equipe jurídica internacional. “Ele espera que o povo e as Forças Armadas leais a Chávez façam justiça.”

Vamos aos fatos:

  • O sistema de defesa venezuelano foi deliberadamente desativado por seu comandante máximo, Vladimir Padrino López, que mantém interesses milionários nos EUA.

  • Delcy e Jorge Rodríguez negociaram com a CIA um plano de transição que incluía a entrega física de Nicolás Maduro.

  • A recompensa financeira e a promessa de impunidade foram os instrumentos de coerção usados por Washington para cooptar setores do chavismo.

A história, porém, não é generosa com traidores. O legado de Hugo Chávez — a pátria grande, a luta contra o neoliberalismo, a solidariedade entre os povos — não morre com o sequestro de um homem. Vive nas ruas, nas comunidades organizadas, nos conselhos comunais. E, enquanto houver um único venezuelano de pé cantando o hino nacional, a traição será apenas um capítulo amargo — e jamais o final — da Revolução Bolivariana.

Até a liberdade de Maduro, e que o julgamento do povo alcance os conspiradores.

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