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terça-feira, 16 abril, 2024

A mudança climática impacta o Caribe: ONU soa os alarmes

 Nações Unidas, (Prensa Latina) O secretário geral da ONU, António Guterres, ficou comovido pelos efeitos da mudança climática que já se sentem hoje no Caribe e pôde comprová-los em sua recente viagem a Santa Luzia.

O máximo representante das Nações Unidas realizou uma visita oficial a esse país durante os dias 3 e 4 de julho, por motivo da Conferência de chefes de Governo da Comunidade do Caribe (Caricom).

Por sua conta oficial no Twitter, Guterres compartilhou imagens de seu trajeto pela costa de Santa Luzia, onde observou os efeitos devastadores do sargaço no ecossistema e na comunidade da Bahia Praslin.

Reuni-me com pescadores cuja saúde e meios de vida estão agora ameaçados por uma invasão de sargaço, provocada pela mudança climática e pela poluição que chega de bem longe, disse o titular das Nações Unidas.

‘Os oceanos não conhecem fronteiras, nem tampouco a emergência climática. Todos nós devemos tomar #AçãoClimática agora’, expressou em Twitter.

Também se referiu à urgente necessidade de promover medidas para manter os oceanos saudáveis: há que encontrar soluções sustentáveis o quanto antes, disse.

‘É uma responsabilidade coletiva global agir agora’, enfatizou.

Guterres conheceu em seu percurso os esforços nacionais e regionais para abordar esse problema, o que inclui não só limpeza em grande escala, mas também o uso de soluções alternativas, como o caso de usar o sargaço como fertilizante.

A invasão de sargaço não ocorre só em Santa Luzia, este problema afeta todo o Caribe, e a mudança climática é um dos responsáveis por esta preocupante situação.

Essas macroalgas têm um cheiro muito forte e representam um perigo para a saúde quando as bactérias começam a se propagar à medida que se decompõem.

Além disso, matam a vegetação e as criaturas marinhas e impede atividades humanas no litoral, como a pesca e o turismo.

O secretário geral expressou estar muito impressionado por uma paisagem que ‘se parecia a um deserto de algas durante centenas de metros’.

A Bahia Praslin é um exemplo de como a mudança climática está afetando as comunidades vulneráveis e impacta de forma negativa as pessoas e economias de todo o mundo.

Alentou-me ver que Santa Luzia está trabalhando em soluções inovadoras e lidera junto a outros países do Caribe o caminho para a ação, a adaptação e a mitigação da mudança climática.

A comunidade internacional deve apoiar esses esforços, ao proporcionar os recursos públicos e privados necessários com o objetivo de abordar estes problemas urgentes, afirmou o diplomata português.

Na cerimônia de abertura da 40a reunião ordinária da Caricom, Guterres chamou a potencializar a cooperação para combater os efeitos da mudança climática.

Do mesmo modo, reconheceu os desafios ambientais das sociedades contemporâneas, principalmente, para as pequenas ilhas do Caribe.

Não obstante, afirmou que com a ação conjunta, esses países têm o potencial para se converter em ‘a primeira área do mundo resistente à mudança climática’.

O titular da ONU também fez um chamado a frear a poluição, especialmente por plásticos e sacolas de nylon, que tanto prejuízo trazem à vida animal dos mares, rios e oceanos.

Por sua vez, o secretário geral da Caricom, Irwin LaRocque, destacou – em uma nota oficial – a atenção prestada pelo titular das Nações Unidas aos desafios na Comunidade do Caribe.

Em 2017, depois da devastação causada pelos furacões de categoria cinco Irma e María na região, Guterres realizou uma visita à região e se reuniu com as pessoas afetadas.

Também colaborou com LaRocque para organizar iniciativas de apoio ao processo de reconstrução, bem como para potencializar o esforço das nações caribenhas no combate à mudança climática, diz o texto.

A recente visita do secretário geral da ONU a Santa Luzia se dá dois meses antes de sua Cúpula de Ação Climática, convocada para 23 de setembro na sede do órgão multilateral em Nova York.

Para esse evento, pediu aos líderes mundiais não vir com discursos, mas com propostas de ações e planos concretos e realistas para reduzir em 45% as emissões de gás do efeito estufa na próxima década e conseguir emissões netas zero para 2050.

Também enfatizou a necessidade de aumentar a ambição e o apoio aos pequenos países em desenvolvimento nas áreas de adaptação, mitigação e acesso ao financiamento climático.

A 40 reunião ordinária da Caricom também serviu como uma plataforma para abordar estas problemáticas, além de discutir sobre temas econômicos do bloco.

Fundada em 1973, a Comunidade do Caribe tem 15 estados membros: Antigua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Guiana, Granada, Haiti, Jamaica, Montserrat, San Cristóvão e Nevis, Santa Luzia, San Vicente e Granadinas, Suriname e Trinidad e Tobago.

Igualmente, conta com cinco membros associados: Anguila, Bermudas, Ilhas Vírgens Britânicas, Ilhas Caimã e as Ilhas Turcas e Caicos.

 

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