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sábado, 20 julho, 2024

A despedida de Horacio Sevilla Borja, um embaixador amigo do Brasil

Redação do Pátria Latina

O embaixador Horacio Servilla por indicação do presidente Rafael Correa deixa a embaixada no Brasil e segue para Nova Iorque onde assumirá o cargo de embaixador do Equador na ONU.

Em seu discurso de despedida na Nunciatura Apostólica onde compareceram mais de 120 diplomatas, Horacio enfatizou que deixa Brasília nesse três de junho, depois de cinco anos servindo no Brasil.

Antes o embaixador foi ate o Palácio da Alvorada onde foi recebido pela presidente Dilma e o diplomata Marco Aurélio Garcia, o que deixa bem claro o não reconhecimento pelo Equador do governo “provisório” de Temer.

Horacio conta que quando começou o seu trabalho no Brasil, iniciava-se o primeiro mandato da Presidenta Dilma Rousseff, eleita por 55.800.000 votos após oito anos do exitoso Governo do Partido dos Trabalhadores encabeçado pelo Presidente Lula e que no mesmo período haviam cumprido também cinco anos do Governo da Revolução Cidadã no Equador através da liderança do Presidente Rafael Correa.

Durante os cinco anos em que representou o seu país no Brasil, Horacio se notabilizou em ser um dos maiores defensores da integração dos países sul-americanos e dos seus governos populares.

Um bom papo, Horacio sempre recebia na embaixada jornalistas e intelectuais que ali buscavam um pouco do saber sobre a realidade dos dias de hoje não somente na America Latina como em todo o mundo.

Nos do Pátria Latina que constantemente estamos a conversar sobre política, observamos que o embaixador parte do Brasil com um misto de preocupação referente aos últimos acontecimentos,

O clima instalado hoje no país, com o golpe nos remete aos dias sombrios do período da ditadura militar.

O governo golpista esta isolado na America Latina de onde recebeu o reconhecimento sapenas da Argentina e do Paraguai. A embaixada da Venezuela esta sem embaixador e a partir dessa sexta-feira dia três a do Equador também. Os demais, um silencio total e nenhuma manifestação de apoio.

Algumas embaixadas em Brasília estão sendo monitoradas e no caso mais especificamente as do Equador, Cuba e Venezuela onde constantemente tem alguém postado em frente observando os movimentos de quem entra e quem sai.

Isso sem falar nos telefones que sempre apresenta aquele ruído característico de aparelhos “grampeados”.

No seu discurso de despedida Horacio fez um relato das relações entre Brasil e Equador, afirmando que havia grande similaridade nos processos dos dois países irmãos, diferentes em população e extensão geográfica, mas similares na vontade de alcançar o objetivo do bom viver ou da vida em plenitude para seus povos. Tanto no Brasil como no Equador havia-se conquistado estabilidade política dentro da democracia, altos índices de sustentável crescimento econômico, surpreendentes resultados positivos nos índices de redução da pobreza. Também havia uma grande coincidência em matéria de política exterior: a manutenção da paz e a segurança internacional; a procura do multilateralismo nas relações entre Estados da comunidade global; o cumprimento dos objetivos do desenvolvimento do milênio; a proteção do planeta terra; a defesa da democracia e os direitos humanos; a unidade e a integração da América Latina e Caribe, são -entre outros- princípios compartilhados que nos permitiu atuar em estreita coordenação.

Por isso desenvolveu-se nestes cinco anos uma ativa e criativa relação bilateral com várias visitas dos Presidentes da Republica, Vice-Presidentes, Chanceleres, Ministros de Estado e Altos Funcionários, além de nutridos intercâmbios dos setores mais diversos da sociedade civil, com especial ênfase nos intercâmbios culturais. Se multiplicou o comercio, os investimentos, os empreendimentos conjuntos, com resultados mutuamente beneficiosos. No multilateral numerosos foram os encontros no âmbito das Nações Unidas – entre eles a Conferência Rio+20-, a OEA, CELAC, UNASUL, MERCOSUL, ASA, ASPA, BRICS, vários dos quais se realizaram no Brasil. A Presidenta Dilma Rousseff e o Presidente Correa presidiram várias reuniões de órgãos de integração latino-americana com a União Européia, Rússia, China, Índia, Países da Ásia Pacífico, etc.

Não houve segundo Horacio, tempo de entediar-se nem de descansar em Brasília. “Além da intensa agenda internacional descrita temos sido testemunhas de um agitado momento político e eleitoral no Brasil com duas voltas da eleição presidencial em 2013 quando a Presidenta Rousseff foi reeleita para um segundo período de quatro anos com o respaldo de 54.500.000 votos; com eleições do Parlamento e Governo estaduais com um controvertido processo político de destituição da Chefa de Estado sobre o qual os Senhores conhecem a posição de meu país. Acabo de voltar de Quito após de um período de consultas diplomáticas”.

“Minha Senhora e eu tivemos a grata oportunidade de compartilhar e de trabalhar junto a vocês -distinguidos membros do Corpo Diplomático- seus cônjuges, seus antecessores. No caso do Equador 16 dos Senhores são Embaixadores Concorrentes em Quito, outros 37 desenvolvem seus vínculos com meu país através de Brasília. Eu tenho a honra de ser Embaixador Concorrente na Guiné Bissau e Cabo Verde. Para terminar faço minhas as palavras sobre o Brasil escritas a varias décadas com uma visionária atualidade pelo grande intelectual latino-americano nascido no México Alfonso Reyes”.

“O criador do Brasil começou por dispor enormes quantidades dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo, de sorte que quase desequilibrou a proporção do planeta. Usou uma mole de terra tão imensa que- ainda que tivesse a missão de fabricar uma comarca – fabricou um continente dentro continente americano; usou tamanha e exorbitante massa de água que nas cataratas do Iguaçu, na bacia do Amazonas e outras redes fluviais esteve a ponto de absorver toda a umidade atmosférica e todo o líquido dos oceanos, de tal maneira que a desembocadura do Maranhão – mais que uma desembocadura- é um combate de igual para igual entre dois mares.

Usou tão enormes quantidade de zonas de ar que o planeta teve que espremer-se como uma esponja. Usou tamanha qualidade de fogo que grandes porções do solo começaram a carbonizar-se e chegaram à suprema cristalização do diamante que não é mais que uma exageração do carvão. Tudo isso para chegar a sínteses dos quatro elementos que é o homem, para chegar à sustância da gente brasileira, o crisol das mais diferentes raças e cores, desde o loiro, transparente até o negro azulado, passando pelas tonalidades intermediárias do cacau e do café.

“De tudo isso resulta uma linda e grande nação que nunca perdeu o sorriso nem a generosidade em meio ao sofrimento, exemplar na coragem e na prudência, orgulho da raça humana, promessa da felicidade nos aziagos dias que vivemos.”

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