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quarta-feira, 22 abril 2026

Protesto em hospital no Equador expõe crise de saúde pública

Quito (Prensa Latina) Profissionais de saúde e pacientes no Equador protestaram nesta quarta (22) em frente ao hospital Pablo Arturo Suárez, na capital, denunciando a escassez de medicamentos e suprimentos, a falta de pessoal e milhares de cirurgias suspensas.

A manifestação reuniu médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar e familiares de pacientes nesta quarta-feira, que alertaram para o fato de a escassez de suprimentos básicos ter atingido níveis críticos.

O presidente da Federação Médica Equatoriana, Santiago Carrasco, afirmou que a escassez é recorrente em diversos centros de saúde em todo o país e alertou que mesmo pessoas hospitalizadas precisam adquirir seus medicamentos por conta própria no setor privado.

“Estamos fartos de ver tanta morte e dor, e o ministro deveria estar aqui para prestar contas”, e exigiram a presença das autoridades para verificar a situação.

Por sua vez, o chefe de Traumatologia do hospital Pablo Arturo Suárez, Juan Barriga, destacou que há mais de mil pacientes na lista de espera para cirurgias e que áreas-chave estão operando com severas limitações devido à falta de pessoal.

“Só existem políticos e nenhuma política para melhorar a saúde”, disse Barriga, observando que a falta de pessoal impede o agendamento de intervenções, mesmo em casos urgentes.

Os trabalhadores também denunciaram as recentes demissões em massa dentro da empresa, apesar da escassez de mão de obra qualificada.

“Antes éramos heróis, agora estamos desempregados”, questionou Deisy Nazareno, líder sindical do setor da saúde, que garantiu que os funcionários chegam a fazer vaquinhas para comprar remédios para pacientes sem recursos.

Na área da saúde, a enfermeira Alicia Villagomez alertou que “este hospital está morrendo aos poucos”, enquanto Leonardo Arsuto, médico residente, denunciou as jornadas de trabalho exaustivas e as condições precárias para os profissionais em formação.

Eles anunciaram que haverá novos protestos e ações para conscientizar a população sobre a crise, incluindo a instalação de macas e demonstrações simbólicas de cuidado em espaços públicos.

Nesta segunda-feira, o presidente Daniel Noboa anunciou uma mudança na pasta da Saúde Pública, que vinha sendo chefiada pela vice-presidente María José Pinto desde novembro passado, mas cuja gestão tem sido criticada por não resolver a falta de suprimentos e medicamentos nos hospitais públicos.

O presidente nomeou Jaime Bernabé como ministro do setor, que esteve no centro de uma controvérsia por ter impedimentos para ocupar cargos públicos devido a dívidas com o Instituto Equatoriano de Seguridade Social, embora o Ministério do Trabalho tenha revogado a inelegibilidade.

Embora Noboa tenha feito o anúncio em sua conta no X, o decreto que nomearia oficialmente Bernabé para o cargo ainda não foi publicado.

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