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terça-feira, 14 abril 2026

“Nada foi aprendido”: Irã culpa os EUA pelo fracasso das negociações em Islamabad

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araqchi, em entrevista à rede catariana Al Jazeera, em 7 de fevereiro de 2026.

HispanTV – O ministro das Relações Exteriores do Irã culpou as ações dos EUA por frustrarem a conclusão bem-sucedida das negociações em Islamabad.

Seyed Abbas Araqchi referiu-se nesta segunda-feira às negociações maratonas realizadas no sábado entre o Irã e os Estados Unidos em Islamabad, sob a mediação do Paquistão, com base na proposta iraniana de 10 pontos, para pôr um fim definitivo à agressão israelense-americana, que está suspensa há duas semanas desde terça-feira.

“ Em intensas negociações no mais alto nível em 47 anos, o Irã se engajou em um diálogo de boa-fé com os Estados Unidos para pôr fim à guerra. Mas quando estávamos prestes a assinar o ‘Memorando de Entendimento com Islamabad’, nos deparamos com maximalismo, táticas de mudança de regras e obstrução ”, escreveu Araqchi em X.

Ao escrever que “não aprendemos nada”, o ministro das Relações Exteriores persa insinuou que Washington não aprendeu nada com décadas de confrontos fracassados ​​com o Irã.

“A boa vontade gera boa vontade. A inimizade gera inimizade”, alertou o ministro iraniano, que também fazia parte da delegação de negociação em Islamabad.

A delegação iraniana, chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que as exigências excessivas dos Estados Unidos impediram que as negociações alcançassem os resultados desejados.

A delegação dos EUA, liderada pelo vice-presidente JD Vance, afirmou que o Irã não aceitou as exigências americanas de abandonar completamente seu programa nuclear, que Teerã insiste ser pacífico e não ter dimensão militar.

As negociações ocorreram dias depois de o Paquistão, como mediador desta rodada de conversas, anunciar que o Irã e os Estados Unidos responderam positivamente ao seu apelo para cessar-fogo, iniciado em 28 de fevereiro após a agressão israelense-americana contra o Irã.

O Irã concordou em iniciar negociações com os Estados Unidos depois que Washington indicou que havia concordado em negociar com base nas condições gerais do Irã para o fim da guerra, que incluíam a não agressão contra o Irã e o Líbano, o controle iraniano do Estreito de Ormuz, o levantamento das sanções anti-iranianas e a continuidade do programa nuclear pacífico do Irã, entre outras questões.

Contudo, assim que a reunião em Islamabad terminou, o presidente dos EUA, Donald Trump, retomou sua retórica ameaçadora, dizendo que bloquearia o Estreito de Ormuz para o país persa, além de continuar os ataques israelenses ao Líbano.

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