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sábado, 25 abril 2026

Argentina: Dezembro traz novos aumentos nos preços da eletricidade e do gás

Buenos Aires, 1º de dezembro (Prensa Latina) Os argentinos pagarão mais a partir de hoje por eletricidade, gás, transporte, aluguel e clínicas pré-pagas, mais um aumento na espiral de preços dos serviços públicos que o governo de Javier Milei oficializou.

E com a privatização de rodovias e estradas, o custo dos pedágios ao trafegar por elas aumentará em mais de 1.700%, de acordo com um artigo do portal de notícias digital El Destape.

Segundo o governo, o aumento está em linha com a taxa de inflação de outubro, de 2,3%, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), que, após mentir sobre o percentual de crescimento econômico – como denunciado por economistas, consultores privados e políticos – está se tornando cada vez menos confiável.

Com esse aumento, a taxa de inflação acumulada sobe para quase 23% neste ano, segundo dados da Indec.

O custo mensal dos planos de saúde privados aumentou entre 2,1% e 2,8% em dezembro, dependendo da empresa. Sem considerar esse último aumento, um plano individual — entre os mais econômicos — custava cerca de 87.335 pesos (US$ 61,25) em novembro.

Em contrapartida, para um plano de alta qualidade de uma empresa como a OSDE ou a Swiss Medical, o custo mensal por pessoa pode ultrapassar 944.660 pesos (663 dólares) e, em muitos casos, a cobertura médica não é completa.

Em relação aos transportes, a partir desta segunda-feira, as tarifas das redes de ônibus e metrô (Subte) aumentaram novamente, desta vez em 4,3%, além dos aumentos mensais aplicados nos últimos sete meses. Na província de Buenos Aires, o aumento é de 10%. Além disso, os pedágios também subiram.

Um jornalista que mora em Hudson, cidade próxima a La Plata, disse à Prensa Latina que viajar até a capital lhe custa mais de 25.000 pesos por dia (US$ 17,55) em pedágios e estacionamento, em um período de baixos salários.

As contas de luz e gás continuaram com suas “atualizações mensais”, uma expressão que o governo usa para evitar a palavra “aumento”, que para eles se tornou um eufemismo.

As tarifas de eletricidade subiram mais 3,6%, em comparação com os preços pagos em novembro, enquanto o gás teve um aumento de 2,8%.

No setor de aluguéis, o impacto no bolso será maior: os inquilinos que assinaram contratos regidos pela lei revogada que regulamentava esse mercado terão que arcar com um aumento de 28,67% no último mês do ano.

Esses aumentos nos serviços públicos, transporte, aluguéis e clínicas pré-pagas coincidem com a alta dos preços no varejo, observou a Agência Argentina de Notícias (NA), ilustrando que um brinquedo para presentes de Natal na Argentina é 75% mais caro do que no México, Brasil e outros países vizinhos.

E isso apesar do governo ter reduzido as tarifas de importação de 14 tipos de brinquedos, mas os comerciantes ainda “fixaram” um aumento considerável nos preços de seus produtos, causando uma “enorme diferença” em comparação com o Brasil, Chile, México e Colômbia, segundo a NA.

Ele citou como exemplo comparativo que o mesmo modelo de boneca transformável na Argentina custa 60.000 pesos (42 dólares), enquanto no México custa 10,50 dólares (75% mais barato); e no Brasil e no Chile, 13 dólares (67% mais barato).

E a tendência geral está presa em uma espiral ascendente, alertou o Centro de Economia Política da Argentina.

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