Spagnuolo, ex-advogado do presidente Javier Milei, era o diretor da Agência Nacional para Pessoas com Deficiência (ANDIS), cujas gravações desencadearam a polêmica sobre a distribuição de propinas entre funcionários e empresários pela venda de medicamentos destinados a pessoas com deficiência.
Ele é o terceiro réu a comparecer perante o juiz Sebastián Casanello e o promotor Franco Picardi e se recusar a depor ou responder a perguntas. Daniel Garbellini, outra figura-chave neste esquema de corrupção, tem depoimento marcado para esta quinta-feira.
Spagnuolo negou na quarta-feira, em seu depoimento perante o tribunal, as provas que expõem um enorme esquema de corrupção e um bem orquestrado sistema de pagamentos indevidos a funcionários, que em parte acabou nas mãos de Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência.
Esse tipo de jogo de subornos, cujo epicentro era a ANDIS e a rede de drogarias Suizo Argentina SA, era abundante durante o governo libertário.
Segundo a Procuradoria, até o momento “quatro empresas foram as principais beneficiárias de grandes somas de dinheiro desviadas indevidamente” durante a administração de Milei. São elas: Droguería Profarma SA, Droguería Génesis SA, Droguería New Farma SA e Droguería Floresta SA.
As farmácias e empresas acusadas faziam parte do Programa de Inclusão em Saúde da ANDIS, onde medicamentos e suprimentos de alto custo eram adquiridos. De acordo com as gravações de áudio de Spagnuolo, três por cento da receita era destinada a Karina Milei.
Ainda mais intrigante foi a renúncia, no dia anterior, de Ornella Calvete, Diretora Nacional de Desenvolvimento Regional e Setorial da Secretaria de Indústria e Comércio do Ministério da Economia, e próxima ao Ministro Luis Caputo, após peritos do Ministério Público terem feito uma busca em sua casa e encontrado quase US$ 700.000, entre outras moedas, sem tê-las declarado.
A questão agora é se algum dos 12 réus restantes, que devem comparecer nos próximos dias, seguirá a mesma estratégia ou se algum deles decidirá se manifestar.
Com relação às gravações de Spagnuolo, divulgadas por diversos meios de comunicação, que descrevem o esquema de suborno, seu advogado atual alega que foi realizada uma análise pericial que determinou que os áudios foram interceptados por Inteligência Artificial; no entanto, o portal de notícias El Destape afirmou que não houve nenhuma análise pericial oficial desse tipo..