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terça-feira, 21 abril 2026

Novo mundo bipolar: Lula pode unir em sua posse Biden, Jiping e Putin

César Fonseca

O presidente eleito Lula pode ser o grande protagonista da política mundial se conseguir reunir para sua posse em janeiro em Brasília os presidentes dos Estados Unidos, Rússia e China, atualmente, em conflitos e diatribes globais na guerra da Ucrânia e na disputa comercial, carregando prenúncios sombrios de guerra nuclear.

O diálogo, marca registrada de Lula entrará ou não em campo, como entrou por ocasião da costura do acordo nuclear Estados Unidos-Irã, que o levou a ser encarado com CARA por Obama?

Seria o primeiro passo decisivo de sua diplomacia internacional que inseriria o Brasil e a América Latina na cena diplomática abalada por conflitos geopolíticos conflitantes.

Sobretudo, contribuiria tal estratégia para remover ou diminuir substancialmente divisões que hoje parecem irredutíveis, quando  Ucrânia se transformou, faz quase um ano, em palco de guerra entre Otan-EUA x Rússia por conquistas territoriais no contexto da Eurásia, centro nervoso geopolítico no século 21.

Defesa da paz por Lula pouco antes de completar um ano do início da guerra representaria, ou não, fato político global impactante, presentes no Planalto Xi Jiping, Biden, Putin?

ENGENHARIA POLÍTICA HISTÓRICA

As manifestações das lideranças internacionais pela vitória espetacular da Frente Ampla lulista, maior obra de engenharia política da história brasileira, demonstram, por si só, o papel fundamental do Brasil, sob Lula, na nova geopolítica mundial, que abandona o mundo unipolar neoliberal, abrindo-se ao mundo multipolar, da cooperação internacional.

 As manchetes das principais mídias alternativas comunitárias globais e jornais americanos, europeus, russos, asiáticos, africanos e, principalmente, latino-americanos saúdam Lula como fator de distensão política e de dissuasão nuclear, em meio ao engatilhamento frenético de munições de última geração capazes de exterminar a humanidade, se a força do diálogo falhar, preponderando-se individualismos, ganâncias e arroubos militaristas das superpotências.

ALTERNATIVA AO CAPITALISMO PREDADOR

As propostas iniciais de Lula traçadas em plano eleitoral relevante dão conta de que o Brasil, de agora em diante, prioriza o combate à desigualdade social, fruto da corrida capitalista sem limite pelo lucro, cujas consequências têm sido, em escala global, quedas sistemáticas da lucratividade industrial, desindustrializações e expansões sem limites do capital financeiro, bolhas especulativas, na tarefa de financiar guerras, fome, desemprego, subconsumismo.

O capitalismo, que diagnostica a crise de capital como produto da escassez de investimento, como ensina, desde sempre, as teorias neoliberais de Chicago, e não da escassez de consumo, geradas pelos arrochos de salários, como ensina a escola marxista, segue, agora, mudança quantitativa e qualitativa determinada pela economia chinesa, a que mais cresce no mundo há, pelas quatro décadas.

Depois de registrar crescimento médio anual de 8% a 10% do PIB chinês, que coloca a China na vanguarda do crescimento mundial organizado pelo Partido Comunista, sob Xi Ping, verifica-se novo rumo geoestratégico econômico global.

NOVA BASE DO CRESCIMENTO ECONÔMICO

O crescimento chinês, anunciado por Xi Jiping, no 20% Congresso do PCC, há duas semanas, terá como base o que Lula propõe: melhor distribuição da renda e da riqueza nacional por meio da valorização dos salários como arma para combater a desigualdade social.

O FMI/Banco Mundial preanuncia para a China crescimento de 3,2% do PIB, sustentado, basicamente, na demanda interna.

Isso obrigará os exportadores, como Brasil, para a China mudar a orientação interna: mais salário, mais consumo, mais investimentos produtivos, para compensar redução de commodities exportadas.

Mutatis mutantis, é, genericamente, o que está traçado na CARTA PARA O BRASIL DO AMANHÃ, divulgada por Lula às vésperas da vitória eleitoral.

Nela, ele, como Jiping, compromete-se com valorização dos salários, distribuição de renda e riqueza, fortalecimento da classe média, com redução de carga tributária, e dos servidores, com correção da tabela do imposto de renda, para elevar arrecadação e investimentos.

No cenário econômico em que Bolsonaro, há quatro anos, deixou de corrigir salários pela inflação e crescimento do PIB e que a classe média se vê com sua renda achatada há mais de uma década por não ter corrigida tabela do imposto de renda, o anúncio feito por Lula, logo no início do seu terceiro inédito mandato, novas expectativas.

Aumentarão investimentos, especialmente, para os empresários de pequeno porte, para quem promete recursos a juros baixos através do BNDES, para produzir ao mercado interno.

Com Lula, a taxa de juros, no Brasil, como ocorre na China de Jiping, pode deixar de ser dada pelo mercado especulativo, impulsionador pelo BC Independente, para ser monitorada por bancos públicos, voltados ao interesse social, como no financiamento ao mercado imobiliário.

Trata-se de algo, totalmente, inverso do que praticou Bolsonaro-Guedes em plena pandemia, quando doou recursos a juro zero para a banca, enquanto puxou o custo do dinheiro para os empreendedores, levando-os ao enforcamento financeiro, porque os banqueiros, com liquidez empoçada, não emprestou para ninguém.

Ao contrário, tal liquidez fez engordar a dívida pública e elevar, sem controle, juros e inflação.

A elite política internacional, presente na posse de Lula, estará diante de uma nova proposta de geopolítica que entra em choque com o FMI/Banco Mundial, cujas diretrizes impõem ajustes fiscais neoliberais que levaram o bolsonarismo ao colapso econômico e, consequentemente, à perda do poder por revelar-se disfuncional em relação às demandas sociais.

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