Por Maylín Vidal Buenos Aires, 21 dez (Prensa Latina) Com 2021 sendo muito difícil, especialmente economicamente, a Argentina hoje define as diretrizes que marcarão a agenda do Mercosul sob sua nova presidência pro tempore para os próximos seis meses.
Como o Itamaraty anunciou em nota, trabalhará em diversos eixos em conjunto com seu antecessor em exercício, o Uruguai, e um dos principais objetivos será a incorporação da Bolívia como membro pleno deste bloco regional.
Precisamente no dia 16 de dezembro, quando assumiu a presidência, o presidente Alberto Fernández estava convencido de que a incorporação daquela nação irmã – em processo de adesão – será uma enorme conquista deste ciclo e um verdadeiro marco no processo de integração regional que , disse ele, devemos continuar a aprofundar.
Diante das três primeiras décadas do nascimento do Mercosul, nascido das mãos da Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, no dia 26 de março será celebrada a assinatura do Tratado de Assunção de 1991, que formalmente deu origem ao bloco.
Nesse âmbito, estão previstos diversos eventos, entre eles o aprimoramento do Estatuto da Cidadania do Mercosul como instrumento distintivo dos quatro países que integra o conjunto de direitos e elementos distintivos da aliança.
De acordo com o Itamaraty, também estão trabalhando na organização, em conjunto com as principais universidades da região, de espaços de reflexão para debater e analisar as experiências dessas três décadas de construção integrativa do Mercosul e os desafios que se avizinham.
Outro evento que impulsionará a nova presidência será o relançamento do Conselho do Mercado Comum em 2012, com o objetivo de fazer um balanço e avaliar o bloco, bem como aprofundar suas futuras linhas de aprofundamento.
‘O Fórum Empresarial terá como foco dois temas centrais e relevantes para a nossa região e as economias dos quatro países: o agronegócio e os serviços digitais. Ambos os setores se caracterizam por sua relevância e dinamismo na agenda econômica de todos os sócios do bloco’, afirmou. Ministério das Relações Exteriores.
Da mesma forma, especifica-se que em ambos os casos haverá atenção especial ao papel da mulher no empreendedorismo e na gestão empresarial.
Promover encontros sobre a realidade e perspectivas do Mercosul de sindicatos e movimentos sociais e o fortalecimento do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento também estarão entre as prioridades.
No que diz respeito à agenda de negociações externas, vários serão os eixos, um deles a conclusão das pendências técnicas com a União Europeia e a EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre), ambos acordos sujeitos a revisão jurídica.
Também ficará de olho na conclusão das negociações de um acordo Mercosul-Líbano e o aprofundamento do Acordo Mercosul-Israel enquanto se espera o início das negociações com os países centro-americanos e a República Dominicana.
Paralelamente, serão seguidas as negociações iniciadas com o Canadá, a Coréia e Cingapura, coordenadas por Brasil, Uruguai e Paraguai, que também proporá aos parceiros iniciar uma discussão no Mercosul de uma estratégia para a África.
Um dos pontos dos eixos que marcarão a agenda da gestão argentina diz respeito à questão das Ilhas Malvinas, território em disputa com o Reino Unido desde 1833.
A este respeito, o Itamaraty especificou que o país pretende mais uma vez ratificar o amparo à reivindicação de soberania, além de reconhecer o direito deste país de intentar ações judiciais contra as atividades não autorizadas de exploração de recursos naturais naquele território usurpado.
As diretrizes que definirão a agenda ‘decorrem da definição presidencial do Mercosul como nossa casa comum’, especifica o ministério, acrescentando que o objetivo principal da presidência pro tempore será fortalecer o processo de integração com uma visão de produção e projeção de mercado. regional e global.
Ao discursar na cúpula de presidentes dos Estados Partes e Estados Associados na semana passada, o presidente Fernández optou por uma aliança unificada.
Será o norte que definirá este novo ciclo da Argentina à frente desta aliança em busca de uma melhor e maior integração deste lado do cone sul.


