Montevidéu (Prensa Latina) A sentença emitida por um tribunal italiano sobre um grupo de militaresÂálatino-americanos repressores, vinculados à OperaçãoÂáCondor, 14 deles uruguaios, provocou aqui reações de mal-estar e desacordo com o veredicto.
Dos 27 acusados a prisão perpétua pela promotora do casoÂáTizianaÂáCugini, só oito receberam a pena: os chilenosÂáHernán Jerónimo Ramírez e RafaelÂáAhumadaÂáValderrama; e os peruanos Francisco MoralesÂáBermúdez, Pedro Richter Prada eÂáGermán RuizÂáFigueroa.
Também oÂáex-presidente boliviano Luis GarcíaÂáMeza e seuÂáex-ministro do Interior LuisÂáArce Gómez e o uruguaio Juan Carlos Blanco.
O partido do governo, Frente Ampla (FA), e legisladores filiados a essa coalizão política expressaram seus sentimentos depois da sentença através das redes sociais. Desde Roma, Itália, o vice-presidente uruguaio, RaúlÂáSendic, disse se sentir decepcionado com a decisão do tribunal.
‘Não estou em condições de emitir um julgamento sobre a decisão’, declarou ontem a uma emissora local, ao enfatizar que há muita dor ‘acumulada durante anos’.
Uma explosão de opiniões surgiu através do Twitter como a da senadora DanielaÂáPayssé, quem publicou: ‘Vamos seguir procurando. Vamos seguir, incansavelmente, procurando a Verdade e a Justiça. Assim, com maiúsculas!’.
Por sua vez, o deputado LuisÂáPuig escreveu que a sentença na Itália foiÂávergonhosa, ‘mas a vergonha maior é que por décadas se mantém a impunidade no Uruguai. Seguiremos lutando por verdade e justiça’.
A FA apontou: ‘Renovamos o compromisso com a Verdade e a Justiça #NuncaMás’ e o deputado socialistaÂáGonzaloÂáCivila manifestou: ‘O poder instituído (de qualquer tipo e em qualquer lugar) a anos luz da perspectiva das vítimas. Dor imensa e compromisso sem fim’.
Em declarações à imprensa local, Raúl Olivera, integrante da secretaria de Direitos Humanos da Central Única de Trabalhadores,ÂáPI-CNT, manifestou estar surpreso e com mal-estar pelo resultado do julgamento e disse que esperava ‘um resultado mais categórico’.
O líder sindical comentou que a decisão caiu como ‘balde de água fria’ na sociedade uruguaia e organizações de direitos humanos, eÂáenfatizou que as sentenças judiciais quando são justas, ‘são um ato de reparação muito grande’, ainda que lamentou que ‘não aconteceu desta vez’.
Também ontem, a diretora da Instituição Nacional de Direitos Humanos do Uruguai, Mirtha Guianze, expressou surpresa pela decisão emitida pelo tribunal italiano e qualificou a decisão de ‘incomprensível’.
‘Não esperávamos este resultado’, afirmou e indicou que existiam provas suficientes para que todos recebessem uma condenação.
AÂáex-fiscal explicou que, apesar de não ter acesso aos fundamentos da sentença, em sua opinião parece que ‘o tribunal entendeu que os que eram responsáveis pelos homicídios eram os que davam as ordens superiores’.
Às poucas horas de divulgada a sentença, a organização de Mães e Familiares de Presos Desaparecidos do Uruguai comunicou através de seu porta-voz, JavierÂáTassino, que apelará o ditame.
Vários dos absolvidos são ‘genocidas muito reconhecidos’Âáafirmou e apontou que a decisão ‘não é muito boa para o mundo nem para as democracias’.


