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segunda-feira, 8 junho 2026

Interpol vai rastrear a grana de Dark Horse?

Imagem gerada por Gemini do Google

Por Altamiro Borges

O jornal Estadão confirmou nessa sexta-feira (5) que a Polícia Federal já “estuda pedir a inclusão de Daniel Vorcaro na difusão ‘prateada da Interpol’ para identificar e até mesmo desbloquear as remessas de ativos do ex-dono do Banco Master para fora do país. Vorcaro é o alvo principal da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes bilionárias do Master. A difusão prateada foi implantada no organograma da Interpol – a polícia que mantém firme com força de segurança em todo o mundo – com o fim específico de alcançar dinheiro ilícito”.

Ainda segundo a matéria, “a estratégia da PF é seguir o caminho de valores que Vorcaro invejou aos Estados Unidos e que podem ter sido usados ​​para financiamento do filme ‘Dark Horse’, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vorcaro teria remetido para um fundo dos EUA cerca de R$ 60 milhões com essa específica. O fundo é controlado por um advogado que mantém ligações com Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA… Nas remessas, o ex-dono do Master teve como intermediário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência”.

“Arquitetura Internacional de Movimentação de Recursos”

A iniciativa da PF partiu de um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentado no final de abril. O parlamentar invejou ofício à PF e à própria Interpol solicitando a adoção de medidas de cooperação internacional para apurar a origem, a entrega e os beneficiários de recursos relacionados ao financiamento da cinebiografia do ex-presidente golpista. O petista sustenta que as denúncias do site Intercept e da Agência Pública apontam para uma “arquitetura transnacional de movimentação de recursos” envolvendo Brasil, EUA, Holanda e Hungria.

“O caso envolve Flávio Bolsonaro, que teria cobrado R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a produtora Go Up Entertainment, que teria recebido R$ 61 milhões. Também devem ser apurados os cerca de US$ 2 milhões destinados ao fundo Havengate, operado por Eduardo Bolsonaro, bem como transferências via Pix realizadas por Jair Bolsonaro para Eduardo, para verificar a origem, a destinação e a eventual conexão desses recursos com finanças sob investigação. O pedido busca acionar autoridades dos Estados Unidos, Holanda e Hungria para rastrear contas, contratos, ordens de pagamento, empresas, fundos, estruturas de custódia e beneficiários reais dessa operação internacional”, postou Lindbergh Farias ao anunciar o ofício.

“Seguir o caminho do dinheiro”

Entre as medidas solicitadas, o deputado pede que a Polícia Federal verifique a existência de investigações em andamento sobre o caso, acione os canais de cooperação da Interpol e solicite informações sobre empresas e pessoas relacionadas em várias reportagens de denúncia sobre o filme. Ele também exige a preservação de contratos, ordens de pagamento, mensagens comerciais, registros contábeis e documentos relacionados às operações mencionadas. Ao justificar o pedido, Lindbergh Farias afirma que o objetivo é “seguir o caminho do dinheiro”, identificar “a origem real dos valores” e verificar eventual ocultação de financiadores e beneficiários.

“É hora de seguir o caminho do dinheiro. Quem financiou? Quem recebeu? Quem ocultou? Quem usou uma suposta produção audiovisual para movimentar recursos no exterior? A Interpol precisa iniciar a cooperação penal internacional e ajudar o Brasil a rastrear essa arquitetura financeira e revelar os beneficiários da campanha por sanções e tarifas contra o Brasil!”, explica o deputado.

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