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domingo, 13 setembro 2026

2028 vai chegar

Jocivaldo dos Anjos*

Escuto muito esta frase. Especialmente de algumas pessoas que me falam em tom de ameaça ou chantagem sobre um possível apoio para as eleições de 2028.

Eu digo sempre: – eu avalio sempre o copo meio cheio e não meio vazio. Eu não posso ficar em busca do insondável e do infinito. […]. 2028 vai chegar e com ele muitas celebrações. Nós negros, roceiros, quilombolas, jovens… temos muito o que celebrar até lá. Celebrar diariamente. Não citei acima mas, mulheres também devem celebrar nossa chegada a prefeitura municipal. Pois de 14 secretarias eu nomeei 10 mulheres. A gente demonstrou para o povo do município de Antônio Cardoso, mas também para todo o povo “esquecidos do mundo”,  que a gente também pode. E se a gente se decide, se organiza, estuda, se prepara, faz parcerias estratégicas e táticas… a gente também pode.

2028 não me assusta. Muito pelo contrário. 2028 me orienta. Eu tenho muito mais a celebrar do que o que temer. O que tenho eu a temer?

A gente ganhou uma eleição num município com 95,1% composto de pessoas negras e até então um nego não havia sido eleito ainda para dirigir nosso município. A gente faz parte, num país com 5.560 municípios, o grupo de 17 municípios dirigidos por quilombolas. A gente é o único município do país a ter a palavra Quilombo no slogan de gestão. A gente tem dois terços de pessoas negras como secretários, temos ribeirinhos, quilombolas… a gente precisa de fato de focar em 2028 apenas. Precisamos de organizar a política. Mas, a gente precisa celebrar.

A gente não celebrar e desmerecer a ancestralidade. Desconhecer o esforço daquelas e daquelas que vieram antes e não chegaram a sonhar com este momento. A gente sucumbir o sonho da inclusão social só pensando na eleição é desmerecer a cadeira de gestor comprometido com o bem estar do povo. Não podem ser coisas destoantes cuidar do povo e cuidar da política. Isso deve ser a mesma coisa caminhando entrelaçada.

2028 vai chegar. E a gente vai chegar ainda mais fortes com uma inclusão social jamais vista. Com uma autoestima no povo preto nosso jamais percebida. Com crianças com melhores notas porque olham pro horizonte e vê a possibilidade em forma de gente. Com corpo, mente e coragem.  Determinante 2028 não me mete medo.

Segurei respeitando a política sempre. Cuidando dela e zelando dos passos mas jamais colocando à mesa para negociar a dignidade ancestral. O respeito, carinho, resignação e coragem daqueles que andaram descalços para me dar sapatos e que me orienta e achar um absurdos quando ver uma criança sem calçados e resolver. Quando uma família não tiver água como eu também já tive e resolver. Quando famílias não tiverem teto e resolver.

A gente não pode falar de amor, cuidado afeto, carinho e permitir a fome. A fome é um escárnio. Eu já passei e ela entrega a gente no meio de gente porque a barriga começa a cantar e a gente não consegue esconder.

Até 2028 não quero barriga cantando por fome em meu município. Não quero gente com pouco sonho. Comida e sonhos são sinônimos para mim. Já sonhei com comida a noite. Eu sei o que é a fome. 2028 não pode me tirar este compromisso

Que a gente siga marchando por 2028, 30, 32, 34…. Com gente feliz e alimentada. Com gente séria e com propósitos dirigindo a política. Com pessoas comprometidas a se indignar diante das fomes. Com gentes firmes pela inclusão dos que ainda estão do lado de fora. Se não for para isso não se justifica 2028.

Não me falem em 2028 sem antes me perguntar sobre o balanço de inclusão entre 2024 e 2028.

Que possamos em 2028 celebrar para merecermos a celebração. Que a gente consiga fazer a política ser maior que as eleições. Que a gente não saia do caminho. Que a gente não se distraia do propósito.

Que 2028 seja mais um ano de compromisso na construção da justiça social e do direito do povo poder rir de alegrias.

Até já, 2028.

*Jocivaldo dos Anjos é prefeito do municipio baiano de Antonio  Cardoso

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