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terça-feira, 28 abril 2026

Vitoria de”Pirro” a vista ou a maior derrota histórica do império Norte-americano

O imperador Trump está jogando a toalha.(Olivier Douliery/Pool/Getty Images)

César Fonseca

O controle do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano deixou os Estados Unidos e Israel sem ar.

Asfixiados, pedem socorro às alianças amigas, que já não são tão mais amigas assim.

Trump espantou aliados nesse segundo mandato, ao tentar mudar as regras do jogo internacional: resolveu insistir no unilateralismo imperial, achando-se todo poderoso, para abafar o movimento global pelo multilateralismo.

Resultado: o imperador se vê impotente para alcançar seu objetivo.

Essa impossibilidade do imperialismo de continuar com predomínio unilateral é a virada de um novo tempo histórico.

O giro da história está sendo dado pelo Irã, que, bombardeado pelos Estados Unidos e Israel, retrucou bombardeando as bases militares e as refinarias de petróleo dos árabes, aliados dos americanos no Golfo Pérsico.

O Irã desarticulou as forças do império no Oriente médio e isso está se revelando suficiente para desarmar o poder imperial, que ainda é muito forte, mas que se tornou vulnerável.

Sem suas bases militares e refinarias petrolíferas funcionando a plena carga, para manter em circulação a mercadoria mais valorizada no planeta, o petróleo – o petrodólar -, as baterias imperialistas se mostram impotentes.

Fica comprovada a verdade de que a força imperialista americana, na prática, está baseada fora do território dos Estados Unidos.

Para sustentá-la operando, precisam do braço israelense, em aliança com as monarquias reacionárias do Golfo Pérsico, que guardam o poder imperial efetivo, ou seja, as bases militares e as refinarias petróliferas.

Ora, detonadas, como estão sendo tais bases essenciais à sobrevivência do capitalismo americano ocidental, pelo Irã, apoiado por Rússia e China, cai por terra o gigante imperial.

Um novo poder está emergindo: a troika Rússia – poder militar -, China – poder econômico – e Irã – por petrólifero/militar estratégico, que criou uma resistência ao império que o império não percebeu.

ALIADOS FOGEM

Trump corre atrás dos aliados, como os europeus e os japoneses, mas estes velhos amigos de Washington não querem encarar o novo poder mundial emergente, os três mosqueteiros – Irã, China e Rússia.

Os agora renegados ex-aliados do império sabem a lição da história: entendem a velha linguagem do poder dado pela realpolitik de que quem está mais forte no jogo de xadrez global não é mais Washington, estrangulado no Estreito de Ormuz.

Resta ao império a bomba atômica.

Jogar bomba atômica no Irã seria destruir não, apenas, o Estreito de Ormuz, mas os próprios Estados Unidos, dependentes dos seus aliados no Golfo Pérsico, sem os quais não sobrevivem econômicamente.

Enfim, seria tiro no pé.

Ao que tudo indica, Trump, já sem força para continuar sua aventura em parceria com Israel, deve pular fora do tabuleiro da guerra e se declarar vencedor, para suas negas, como diria um malandro carioca.

AMÉRICA LATINA EM PERIGO

O perigo, agora, se volta para os latino-americanos, contra os quais Trump deverá estender um cordão sanitário como seu território exclusivo, para resguardar seu poder sobre o petróleo continental abundante, na Venezuela, no Brasil, nas Guianas e no México.

Previsivelmente, fará esse serviço tentando financiar governos de direita e ultradireita, como já está fazendo, de modo a garantir aos Estados Unidos o abastecimento da matéria prima fundamental, na base da força.

A democracia latino-americana estará sob perigo.

Mas, a contradição já se mostra evidente, a trabalhar contra o interesse americano, vociferado por Trump.

Na Colômbia, as urnas deram vitória à esquerda, comandada pelo presidente Petros, assegurando maioria no parlamento, que atuará contra investidas imperialistas.

No Brasil, onde haverá eleições presidenciais em outubro, pesquisas de opinião já dão conta de que maioria da população é contra Trump.

Nos demais países países do continente, essa possibilidade está em aberto, evidenciando que a polaridade política começou a se manifestar entre os interesses latino-americanos versus os do império trumpista.

O lulismo estará, nesse sentido, em disputa política não com o bolsonarismo, mas com aquele que os bolsonaristas, nesse momento, apoiam, ou seja, o imperador da guerra, que está pedindo socorro por não suportar mais a aventura em que se meteu.

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