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Os grandes meios de comunicação silenciaram todas as vozes que apoiam o governo venezuelano e seu presidente, sequestrado pelos EUA, Nicolás Maduro.
O assassinato, para executar esse sequestro, de mais de cem pessoas, ou é censurado ou limitado a um mero detalhe informativo (1). Enquanto isso, programas de entrevistas na televisão e no rádio, artigos e reportagens na imprensa justificam a barbárie, o terror e a destruição do direito internacional por parte do governo de Donald Trump (2).
A apologia ao terrorismo de Estado goza de tal impunidade graças à chuva fina de mentiras, durante anos, sobre a opinião pública internacional (3). Vamos recapitular.
1. A Venezuela é uma ditadura. Falso.
A Venezuela é o país com mais processos eleitorais do mundo, 32 no período do chavismo (4).
Nas eleições legislativas de maio, por exemplo, concorreram 54 forças políticas, com campanhas abertas e plena liberdade de expressão (5).
A Venezuela desenvolve um dos modelos de democracia mais participativos do mundo. Além das eleições convencionais, há quatro consultas populares anuais que, em cada comunidade, decidem diretamente os projetos e obras públicas que o Estado deve executar (6).
2. O chavismo destruiu a economia. Falso.
Desde 2015, o governo dos EUA aplicou à Venezuela cerca de mil avaliações econômicas, expropriadas de empresas públicas e congelou suas contas e ativos no exterior (7). Em 2019, o país havia perdido 99% de toda a sua receita em moeda estrangeira (8), com um recuo de 70% no PIB (9). Nada mais parecido com uma guerra.
No entanto, após seis anos de catástrofe social, a Venezuela conseguiu construir novas alianças económicas nacionais e internacionais e, desde 2022, uma economia cresce a um ritmo de 6%, com conquistas palpáveis, como a soberania alimentar quase total (10).
3. A pobreza é culpa do governo. Falso.
Na primeira etapa da Revolução Bolivariana, com Hugo Chávez na presidência, a pobreza foi reduzida em 47% (11). A causa: novas leis soberanas, como a de Hidrocarbonetos, que deram ao Estado o controle real das receitas do petróleo (12). Essas receitas resultaram a financiar as chamadas “missões sociais” nas áreas de economia popular, habitação, educação, cultura ou esporte, muitas delas em colaboração com Cuba (13).
Mas o bloqueio econômico destruiu os fundos petrolíferos que financiavam esses programas, causando um aumento notável da pobreza, a perda do valor das negociações e pensões, uma inflação gigantesca e a paralisação da economia (14)
4. A oposição é perseguida. Falso.
A extrema direita, liderada por María Corina Machado, optou pelo boicote na maioria dos processos eleitorais recentes (15).
É uma oposição antidemocrática, que não só apoia as avaliações e a invasão de seu país pelos EUA (16) (17). Além disso, a especificação de vários golpes de Estado (18) e a tentativa de assassinato (19), e impulsionou a violência extrema nas ruas, contra a ordem constitucional (20). Em 2024, esses atos causaram a morte de 27 policiais e militantes chavistas (21).
Sua violência e sua colaboração com uma potência inimiga (não a expressão de “opiniões”) são a causa da prisão daqueles que são apresentados como “presos políticos”.
5. Maduro roubou as eleições presidenciais. Falso
Em julho de 2024, a oposição de extrema direita e os serviços de inteligência dos EUA orquestraram uma grande operação para roubar as eleições presidenciais: lançaram um grande ataque cibernético que paralisou a contagem dos votos e, simultaneamente, divulgaram na imprensa mundial a mentira de sua vitória eleitoral (22).
Dias depois, o Supremo Tribunal de Justiça iniciou uma investigação, para a qual solicitar as atas eleitorais a todas as formações políticas. 38 partidos de todas as ideologias foram aprovadas, exceto a Plataforma Unitária Democrática de Edmundo González e María Corina Machado (23).
Nestes dias, milhões de pessoas lotam as ruas da Venezuela em apoio a Maduro (24), sem um único ato de apoio à intervenção dos EUA. O próprio Donald Trump afirmou que Machado “não tem apoio nem respeito” dentro da Venezuela (25). Mas não diziam que a sua organização ganhou as eleições?
6. A China e Cuba invadiram a Venezuela. Falso.
A China é uma das chaves do ataque dos EUA contra a Venezuela. São os acordos de extração e venda de petróleo, usando o yuan, a moeda chinesa, que Trump tenta, por todos os meios, destruir (26).
No caso de Cuba, desde o ano 2000 existe um Acordo Integral de Cooperação com a Venezuela, paradigma de colaboração Sul-Sul.
Cuba recebe petróleo e, em troca, presta serviços, principalmente de saúde, em benefício das comunidades venezuelanas de menor renda (27). Além disso, ajuda em matéria de segurança: em 3 de janeiro, 32 militares cubanos que protegiam Maduro foram assassinados pelos EUA durante seu sequestro (28). Mas é totalmente falso que haja tropas cubanas na Venezuela (29).
Se existissem, há anos foram fotografadas pelos satélites norte-americanos.
7. O governo provocou a expulsão de milhões do país. Falso.
Antes do bloqueio econômico, em pleno chavismo, a Venezuela era um país receptor de imigração. Por exemplo, cinco milhões de colombianos e colombianas fugiram da miséria e da violência (30). Mas o bloqueio dos EUA, assim como em Cuba, fez com que milhões de pessoas precisassem sair do país em busca de uma vida melhor (31).
Assim como no caso cubano, a Casa Branca e os meios de comunicação a seu serviço construíram uma narrativa vitimista e falsa sobre pessoas “refugiadas”, “perseguidas” ou “fugidas” de seu país (32) (33).
A venezuelana e a cubana são emigrações forçadas, sem dúvida. Mas não por Caracas ou Havana, e sim por Washington. Embora, devido à guerra psicológica na mídia e nas redes sociais, uma parte esteja agora aplaudindo seu próprio carrasco.
Um carrasco, aliás, que ainda… não ganhou a guerra.


