Nações Unidas, (Prensa Latina) O Conselho de Segurança da ONU encarrega-se de assuntos que ameaçam a paz e estabilidade mundial, mas hoje os Estados Unidos pediu para abordar a situação na Venezuela, que só compete aos cidadãos desse país.
Mesmo assim, a representação estadunidense na ONU pressionou com o fim de realizar uma sessão de emergência sobre a Venezuela, que não é considerada por membros como a Rússia um tema para discutir nesse organismo.
O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, assistirá à reunião deste sábado no órgão de 15 membros, anunciou o porta-voz anexo dessa instância governamental, Robert Palladino.
Segundo indicou o porta-voz, Pompeo chamará os membros do Conselho e à comunidade internacional a respaldar o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, que é o titular de um parlamento em desacato.
Há dois dias, em um novo ato ingerencista, o mandatário estadunidense, Donald Trump, reconheceu Guaidó como mandatário.
Frente ao intervencionismo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que foi ganhador nas eleições, decidiu romper as relações diplomáticas com a nação nortenha.
Também denunciou que Washington dirige uma operação para impor um golpe de Estado com um Governo subordinado a seus interesses: por isso aceitou um mandatário por vias não constitucionais, enquanto trata como ilegítimo o presidente que foi ganhador nas eleições.
No meio desse contexto, a delegação estadunidense começou a pressionar para levar ao Conselho de Segurança o tema de Venezuela, como tem feito em outras ocasiões com Estados da área que lhe são desafetos, como Nicarágua.
A situação na Venezuela é um assunto interno desse país e não tem por que debater no Conselho pois não faz parte de sua agenda, assinalou à imprensa o representante permanente da Rússia ante a ONU, Vassily Nebenzia.
China também defende a tese da não ingerência nos assuntos internos dos estados membros das Nações Unidas.
Por sua vez, o embaixador da África do Sul na ONU, Jerry Matjila, assinalou que é pouco provável encontrar uma posição unificada a respeito no Conselho de Segurança.
Nesta quinta-feira, o secretário geral da ONU, António Guterres, destacou a necessidade urgente de que todos os atores relevantes se comprometam a um diálogo político, inclusivo e credível na Venezuela. Ademais, enfatizou em que as partes devem evitar aumentar as tensões e a violência: é essencial que o Governo e os atores políticos procurem uma solução negociada, com respeito aos direitos humanos e leis internacionais.
O Governo de Caracas tem chamado ao diálogo aos setores de direita em reiteradas ocasiões durante os últimos anos, nos quais se realizaram várias negociações, ainda que na última tentativa a oposição abandonou a mesa de diálogos sem oferecer explicações.
A véspera, Maduro assegurou que se for necessário visitará a sede da ONU em Nova York para defender a soberania de seu país.
A cada vez que queiram debater sobre a Venezuela no Conselho de Segurança, bem-vindo seja, pedirei a visa para me acercar pessoalmente ao intercâmbio, disse em uma conferência de imprensa desde o Palácio de Miraflores.
Maduro falou que o chanceler da República, Jorge Arreaza, levará ante o organismo multilateral a verdade sobre a realidade venezuelana, a tentativa de golpe de Estado e o desrespeito da direita à Constituição.
Igualmente, não descartou a possibilidade de diálogo com as autoridades de Washington. Não obstante, considerou que ao presidente, Donald Trump, e a seu gabinete a arrogância e a prepotência ‘os cega, os volta loucos’.
Essa atitude impede o intercâmbio bilateral porque os Estados Unidos não quer dialogar, realçou.
Apesar disso, Caracas faz questão da busca de um entendimento, porque defende a paz e não a violência: o caminho para dirimir os conflitos é o diálogo, sublinhou o presidente venezuelano.
Por sua vez, o promotor geral da Venezuela, Tarek William Saab, alertou que um setor da oposição quer voltar às ‘guarimbas’ -feitos de violência política nas ruas-, às quais qualificou de ações de guerra. agp/ifb/cc



