Caracas, (Prensa Latina) O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, reprovou hoje o silêncio cúmplice dos países latino-americanos e europeus para ocultar a incursão mercenária de 3 de maio passado, financiada pelos Estados Unidos e organizada em território colombiano.
Durante uma entrevista exclusiva oferecida à página de notícias brasileira Opera Mundi e revisada pela mídia local, Arreaza descreveu a tentativa de realizar essa operação terrorista que recebeu recursos do narcotráfico como dolorosa para as Relações Internacionais e para o continente americano.
Ele também mencionou que agora a União Europeia, os Estados Unidos e os países do Grupo Lima estão retomando a matriz de opinião sobre a existência de uma suposta crise humanitária na Venezuela.
Referindo-se às relações diplomáticas com o governo de Jair Bolsonaro, o Ministro das Relações Exteriores da Venezuela lamentou que a diplomacia no Brasil não seja mais a de alguns anos atrás, quando era uma importante escola diplomática para a América Latina e o mundo.
Nesse sentido, ele afirmou que o executivo de Bolsonaro terá que se desculpar com o povo ‘pelo modo como estão pisoteando a diplomacia do Brasil’.
Diante desse cenário, Arreaza ficou preocupado com a situação dos 11.800 brasileiros que vivem na Venezuela e ficou sem serviços consulares depois que o governo Bolsonaro retirou o corpo diplomático de Caracas no início deste mês. ‘Se o Brasil decidir romper relações diplomáticas, de acordo com as regras da Convenção de Viena e declarar nossos diplomatas indesejados, teremos que reconhecê-lo, mas até agora isso não aconteceu, eles querem fazer tudo fora da convenção, de forma selvagem, violenta e primitiva ‘, disse ele.
Quanto ao futuro da diplomacia entre Caracas e Brasília, o ministro das Relações Exteriores expressou sua esperança de que os consulados venezuelanos possam permanecer no Brasil para proteger os cidadãos e que o consulado brasileiro na Venezuela volte a funcionar.
‘Somos países vizinhos, com populações migrantes, e a Constituição da Venezuela nos obriga a proteger nossos cidadãos, assim como a Constituição brasileira’, enfatizou.
Por outro lado, ele expressou sua preocupação com os venezuelanos que retornam do Brasil infectados com o Covid-19 e afirmou que o executivo bolivariano está disposto a manter a comunicação com todas as instâncias do governo brasileiro.



