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sexta-feira, 21 fevereiro, 2025

Um império em declínio, onde democracia é palavra incômoda, assim como diversidade e direitos humanos.

Emiliano José

Matéria do que se faz democracia.

Este, o título do texto do professor Muniz Sodré, publicado hoje na Folha de S. Paulo.

Quase um contrassenso, porque o jornal está próximo da extrema-direita.

Como não dá pra mexer com um monstro sagrado como Muniz Sodré, melhor deixá-lo em paz.

Mesmo a contragosto.

Ele parte de um Bill Gates surpreso “com a fragilidade da democracia americana”.

Candura de um Bill Gates, o mestre comenta.

Registro; jamais tive admiração pela chamada democracia americana, inteiramente condicionada pela lógica do grande capital, baseada nele, submetida ao chamado Deep State, de modo muito especial à infernal máquina de guerra, sempre em ação, desde o momento da afirmação do país como autêntico império, disposto a todos os crimes para manter-se como tal.

E aí não importa sejam democratas ou republicanos.

Máquina de guerra.

Incontáveis agressões à soberania de países espalhados pelo mundo.

Rios de sangue por todo o planeta, e atentem: isso não é metáfora.

Um império patrocinador de ditaduras.

O Brasil, vítima de tal vocação.

Curioso: quando o império entra em guerras, como no Vietnã, no Afeganistão ou Iraque, é derrotado.

Tem também essa vocação.

Não conseguiu nem sair vitorioso na agressão à Cuba: sucumbiu na Baía dos Porcos.

E apressou o mergulho da Ilha no socialismo, revolução a resistir até os dias atuais ao brutal cerco econômico imposto pelo império.

E agora com Trump, no plano interno, a tendência é aumentar a miséria e o abandono dos mais pobres, o tratamento violento e desumano com os imigrantes.

Abriram-se as portas do inferno.

Muniz Sodré tem razão: o fascismo sempre esteve presente, latente no senso comum, e agora, ao eleger Trump no voto popular e entre delegados, isso se demonstrou de modo nítido, se precisasse de demonstração.

Há uma afirmação, tão própria, no texto do mestre, necessário citá-la:

“A democracia vendida ao resto do mundo, quando não imposta por força militar, é como o quadro falso de um pintor, sem potência própria, sustentando numa bolha de ar as ilusões da cidadania americana”.

Ele acrescenta, e poderia até ser mais taxativo: o sistema conhecido como democracia americana “parece ter chegado ao ponto de saturação”.

Teria se esgotado, ou próximo do esgotamento, “a forma social que abrigava no formalismo igualitário a formatação do simulacro de liberdade”.

Esgotou-se.

Donald Trump teria emergido, na visão de Muniz Sodré, da fossa moral “cavada pela saturação”.

Trump, criatura tóxica, vai inundando de merda espaços vulneráveis, afinado com Steve Bannon.

Deste, o método: “flood the zone with shit” – inundar a área com merda, tudo a seguir o texto do mestre.

Um hipercirco a ser levado a sério, nunca a ser desdenhado.

Importante, tal observação.

Em toda aquela aparente loucura, há método.

“Trump não é mero palhaço, é um elefante ‘shitting’ no picadeiro.

Merda – nisso se transformou a democracia americana.

“A estratégia de Bannon soa definitiva: sua é a matéria em que se transformou a democracia americana”.

Um império em óbvio declínio.

E por isso mesmo, perigoso.

E perigoso porque iludiu o próprio povo americano.

“Democracia [nos EUA] já é palavra incômoda, assim como diversidade e direitos humanos”.

Obrigado, professor Muniz Sodré.

A gente sabe a quem chama de mestre.

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