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Pedro Augusto Pinho*
Habitualmente o unitarismo se distingue do federalismo pela centralização do poder político; porém há diversas variantes, sendo mais comum a condução democrática ou totalitária do poder político. O Brasil, por exemplo, foi unitário até a Proclamação da República e da primeira Constituição Republicana, em 24 de fevereiro de 1891.
Imediatamente após a queda da monarquia, o Decreto nº 1, de 15 de novembro de 1889, instituiu provisoriamente a República Federativa, transformando as antigas províncias em “Estados Federados”. Apenas imitação dos Estados Unidos da América (EUA), pois o Brasil Republicano guardava nos capitais ingleses, na propriedade latifundiária, até nas mesmas pessoas que o dirigiam no Brasil Império, o poder, até então unitário e, doravante, federativo.
Tão distante da nossa realidade política que os dois primeiros governos republicanos enfrentaram diversas oposições, bélicas e políticas, que prevaleceram após a queda de Floriano Peixoto e do governo de Prudente de Moraes, até a Revolução Nacionalista de 1930.
Com a Revolução de 1930, o Brasil voltou a ser unitário por mais 15 anos. E, novamente, com o golpe de 31 de março de 1964, foi unitário até a presidência de José Sarney (1985-1990). A bem da verdade, a ignorância política, mantida pelos donos do Brasil, jamais permitiria um sistema descentralizado do poder político, apenas alguma descentralização administrativa.
A ignorância política também leva a acreditar que o processo eleitoral periódico, com participação de mais de um partido representando interesses opostos ou aparentemente divergentes, é sinônimo de democracia. No entanto, votar em partido ou candidato que propugna pela submissão do país a interesse estrangeiro, como se viu na comemoração do 7 de setembro por bolsonarista na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, portando imensa bandeira dos EUA, quase do tamanho de campo de futebol, e diversos participantes do evento com bandeiras estadunidenses e do Estado de Israel, certamente não significa democracia mas entreguismo, a defesa do estrangeiro em disputa com o nacional.
Também, o voto em eleição para cargos em que o eleitor ignora a ação do eleito, como, exemplificando, para senador, pela imensa maioria dos eleitores brasileiros, não pode significar democracia, mas um desperdício de tempo e dinheiro.
A CHINA
A República Popular da China (China) tem efetivamente um único partido, o Partido Comunista Chinês (PCCh), porque não aceita quem deseje fazer da China uma colônia estrangeira. O país não esquece o século da grande humilhação (século XIX até 1921) quando os japoneses, ingleses, franceses, estadunidenses, repartiam a governança do país. Eles querem a China para os chineses, nas palavras de Xi Jin Ping, “o melhor lugar para os chineses viverem”.
Que partido político no Brasil defenderia este lema: “o melhor lugar para o brasileiro viver”? Só conheço partidos que defendem o lucro do sistema financeiro, dos banqueiros que atuam no Brasil. A propósito, o canal RT, em 28 de janeiro, publicou a pesquisa da “Brand Finance Global 500” apontando as marcas mais poderosas da América Latina: três são mexicanas (duas de cerveja), uma argentina (Mercado Libre, plataforma de comércio eletrônico) e uma do Brasil (254ª entre as 500): o Itaú Unibanco, que está presente em países da América Latina, como Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai e também tem agências nos EUA, Londres, Luxemburgo, Hong Kong e Japão.
Apenas dois partidos em todo mundo tinham mais de 100 milhões de filiados em 2025: o indiano Bharatiya Janata (Partido Popular Indiano), com 140 milhões, e o PCCh, com 107 milhões.
A China é o 4º mais extenso país do mundo (9.597.000 km²), dividido em 22 províncias (Anhui, Fujian, Gansu, Guangdong, Guizhou, Hainan, Hebei, Heilongjiang, Henan, Hubei, Hunan, Jiangsu, Jiangxi, Jilin, Liaoning, Qinghai, Shaanxi, Shandong, Shanxi, Sichuan, Yunnan, Zhejiang) e uma reivindicada (Taiwan).
Possui cinco regiões autônomas: (a) Xinjiang (Uigur): noroeste, maioria muçulmana; (b) Tibete (Xizang): sudoeste, cultura tibetana e budista; (c) Guangxi (Zhuang): sul, com forte presença agrícola e economia voltada ao sudeste asiático; (d) Mongólia Interior (Mongol): norte, com povos mongóis e grandes planícies; e (e) Ningxia (Hui): norte/noroeste, com população de minoria muçulmana. Também tem quatro municipalidades, dirigidas diretamente pelo Governo Central: Beijing (Pequim), capital política, Shangai, centro financeiro, Tianjin, Chongqing, símbolo do desenvolvimento no oeste chinês. E duas regiões administrativas com sistemas jurídicos e econômicos próprios, baseados no princípio “um país, dois sistemas”: Hong Kong e Macau.
A diversidade territorial, étnica, geográfica bem demonstra o sucesso do PCCh. Para ter ingresso no Partido, o cidadão deve ser chinês e maior de 18 anos, manifestando seu interesse por carta ao órgão local do PCCh, explicando seus motivos para a adesão. O Partido inicia processo rigoroso de investigação de antecedentes, mentalidade e comportamento do candidato. Após a aceitação inicial, o candidato torna-se um “membro probatório”, participando das atividades e estudos ideológicos. Durante este tempo, seu desempenho é continuamente avaliado. Após cerca de 12 meses é então aprovado, tornando-se membro do Partido.
Com Xi Jin Ping, tornar-se membro ficou mais difícil, com regras mais estritas. Em alguns anos, milhões se candidatam, mas apenas uma fração é aceita. O recrutamento favorece estudantes universitários de destaque, jovens e profissionais bem-sucedidos. O ingresso é comum através do serviço militar, onde os oficiais são quase 100% membros do Partido. Em 2026, as diretrizes continuam focadas em “auto liderança plena e rigorosa”, com padrões de conduta e moralidade cada vez mais elevados.
Não fica difícil entender o sucesso da China em todas as atividades: científica e tecnológica, industrial, de engenharia, nas artes e na cultura (no Concurso Chopin de 2025, em Varsóvia, dos sete melhores classificados dois nasceram na China e um era filho de pai e mãe chineses), e, obviamente, na economia.
Conforme o Australian Strategic Policy Institute (ASPI), a China lidera em 37 das 44 tecnologias críticas, em 2025, nos setores de defesa, aeroespacial, energia, inteligência artificial (IA) e biotecnologia.
Voltemos à questão do unitarismo e do federalismo. Embora com partido único e forte poder central, a China convive com províncias de bastante autonomia, poder-se-ia dizer que acolhe também certo federalismo. E para capitais estrangeiros desenvolveu as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), com incentivos fiscais e regulamentações simplificadas para atrair capital estrangeiro. O volume acumulado de investimento direto externo atingiu Renmimbi (RMB) 20,6 trilhões (US$ 2,37 trilhões) ao final de 2024.
TRUMP VS TRUMP
Donald Trump pega os EUA e a Europa Ocidental na mais severa crise – econômica, social e cultural – desde o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), dezembro de 1991, e do domínio do capitalismo na China, Governo de Deng Xiao Ping (1978-1989). Como é óbvio, o desemprego, a miséria, os habitantes de rua, a falta de assistência à saúde são comuns nas cidades médias e grandes nos EUA e nas capitais dos países e de muitas províncias da Europa Ocidental. Tornando-os presas fáceis de ideologias e associações políticas contrárias aos interesses da plutocracia estadunidense e europeia.
Uma federação não dá condição de agir como deseja um governo unitário mesmo com povo facilmente iludido. E no segundo governo Trump ele se cercou dos donos e gerentes (CEO) de mídias virtuais e plataformas de comunicação: Marc Zuckerberg (META), Jeff Bezos (Amazon), Larry Ellison (Oracle), Bill Gates (Microsoft), Jensen Huang (NVidia), Larry Page, Sergey Brin e Sundar Pichai (CEO) (Alphabet) e Michael Bloomberg entre outros.
Foto: Arte / O Globo
A partir da perseguição a emigrantes vivendo nos EUA – 3.800 crianças detidas, de janeiro a outubro de 2025, pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE – Immigration and Customs Enforcement) em celas sem janelas e limitado acesso a atendimentos médicos –, da invasão à Venezuela, sequestrando seu presidente e esposa, da proteção a Israel e apoio ao genocídio de palestinos, ameaça de invasão à Groenlândia e ao Irã, Trump vai construindo seu cenário de guerra com objetivo de colocar sob domínio estadunidense o petróleo, terras raras (neodímio, disprósio), minerais críticos (níquel, molibdênio, nióbio, tântalo, titânio e tungstênio), grafite e lítio, ouro e outros recursos energéticos e minerais.
Também colocar a Faixa de Gaza como sendo uma Riviera do Mediterrâneo Oriental, com praias, bosques, jardins, com hotéis luxuosos, mansões e apartamentos de 900 e mil metros quadrados, diversos cassinos e bordéis administrados por sionistas, com jovens de 10 a 20 anos (talvez denominados Jeffrey Epstein, em homenagem ao amigo morto), com crianças, mulheres, homens, homossexuais, diversos e diversificados excelentes restaurantes com atendimento personalizado, alto padrão técnico, menus de degustação, omakase, e reconhecimento dos guias internacionais de gastronomia.
A construção desta Riviera é o sonho do investidor imobiliário Donald Trump, ao mesmo tempo em que vai ameaçando o mundo que tem petróleo de verdade, não do fracking como os EUA e o Canadá (que já teria desistido de transformar no 51º estado?) e minerais críticos para o salto tecnológico que os EUA estão custando dar.

A União Europeia (UE), que agrega atualmente 27 Estados, teve início em 1958 com somente seis. Lembra a Federação estadunidense que se iniciou com 12 Estados e hoje é composta por 50. Mas a UE não é uma Federação, talvez fosse melhor qualificada como Confederação. Os Estados-membros da UE mantêm sua soberania, exércitos próprios e a possibilidade de saída (artigo 50 do Tratado da UE). Mas sete países da UE são membros fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que atua sob o princípio de que um ataque contra um membro é considerado um ataque contra todos.






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