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terça-feira, 21 abril 2026

Trump e o Escudo das Américas, a Doutrina Monroe

Washington, 7 de março (Prensa Latina) O presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu neste sabado (07) em Miami líderes latino-americanos que “compartilham as mesmas prioridades” de sua agenda política, em sua chamada Cúpula do Escudo das Américas.

No evento, que ocorreu na manhã de sábado no clube de golfe do presidente republicano naquela cidade da Flórida, essa nova aliança de países que fragmenta a região foi oficializada.

O Escudo das Américas de Trump é sua aliança com 12 governantes da região que compartilham sua ideologia, representando mais um passo na visão geopolítica desta administração.

A política imperialista da Doutrina Monroe, refletida na Estratégia de Segurança Nacional, é o princípio renovado de “América para os americanos”, proclamado há mais de 200 anos por James Monroe para dominar esta parte do mundo.

Segundo Trump, a região foi negligenciada pelos Estados Unidos durante muitos anos, razão pela qual ele afirmou que estão formando um escudo comum para promover prioridades compartilhadas no hemisfério.

O presidente republicano reiterou sua retórica sobre uma região que enfrenta sérios problemas ligados ao narcotráfico e à violência, e alertou que “a maior parte das drogas entra pelo México”. Até recentemente, era a Venezuela.

Por isso, ele enfatizou sua ideia da necessidade de erradicar os cartéis de drogas e propôs restaurar a lei e a ordem por meio de uma política de tolerância zero contra as gangues.

“Aqueles que estupram e matam devem ser removidos da sociedade” para garantir a segurança dos cidadãos, disse ele.

Ele argumentou que, assim como o terrorismo foi combatido no Oriente Médio, “temos que fazer o mesmo para erradicar os cartéis” em nosso hemisfério, e “os Estados Unidos farão tudo o que for necessário para proteger nossa segurança nacional”, ressaltou, insistindo que a lei e a ordem prevalecerão no continente, como se esta parte do mundo fosse uma extensão dos Estados Unidos.

Trump vangloriou-se de que o atual governo de Delcy Rodríguez na Venezuela “está fazendo um ótimo trabalho” e que o petróleo “está começando a fluir”.

Em 3 de janeiro, Trump ordenou um ataque em larga escala contra a nação sul-americana que terminou com o sequestro de seu presidente constitucional, Nicolás Maduro, que, juntamente com sua esposa Cilia Flores, foi levado à força para uma prisão nos Estados Unidos.

Ele também se gabou de uma operação conjunta contra o tráfico de drogas no Equador e da guerra que iniciou com Israel contra o Irã.

FOTO OFICIAL

A foto oficial inclui os presidentes da Argentina, Javier Milei; Bolívia, Rodrigo Paz; Costa Rica, Rodrigo Chaves; Equador, Daniel Noboa; República Dominicana, Luis Abinader; El Salvador, Nayib Bukele; Guiana, Mohamed Irfaan Ali; e Honduras, Nasry “Tito” Asfura.

Também estiveram presentes José Raúl Mulino, do Panamá; Santiago Peña do Paraguai; Kamla Persad-Bissesar, de Trinidad e Tobago; e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.

México, Colômbia e Brasil ficaram de fora do convite para o banquete do Escudo.

A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA também especifica como um de seus objetivos na América Latina eliminar ou reduzir a influência da China na região, o que é igualmente evidente aqui.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os participantes da reunião “são os líderes desses países que formaram uma coalizão histórica para colaborar no combate aos cartéis de drogas e à imigração em massa, não apenas para os Estados Unidos, mas em todo o continente”.

Por sua vez, o Departamento de Estado descreveu o encontro como um momento em que “os Estados Unidos receberão de braços abertos nossos melhores aliados com ideias semelhantes em nosso hemisfério para promover a liberdade, a segurança e a prosperidade em nossa região”.

A Cúpula do Escudo das Américas foi o pretexto perfeito para a Casa Branca entrar em cena quando, devido a divergências, a possibilidade de realizar a Cúpula das Américas na República Dominicana em 2025 fracassou.

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