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quinta-feira, 11 junho 2026

Trump declara guerra ao PIX para proteger dólar ameaçado pela China

César Fonseca

Com medo do Governo Trump atacar a banca brasileira, por eventual golpe monetário, o governo Lula correu ao INPI para registrar a marca PIX, revolução de meio de pagamento, que está alcançando sucesso mundial.

Já pensou se o BRICS adota o PIX como meio de pagamento, hipótese em avaliação sobre a mesa da ex-presidenta Dilma Rousseff, atualmente, presidente do Banco BRICS?

Abala o SWIFT, movido pelo dólar.

É o que Trump mais teme, porque com o dólar abalado, o império americano fica sem âncora.

Afinal, ele já perdeu o chão de fábrica para a China.

E não há capitalismo sem chão de fábrica, onde estão os meios de produção.

Meios de produção e meios de consumo, diz Marx, mediado pela moeda, são a alma do sistema capitalista.

Se a China virou o chão de fábrica mundial, onde os meios de produção alcançaram maior produtividade/competitividade, os meios de pagamento são o seu complemento essencial.

Mais poderosa sócia dos BRICS, que já tem quase 40% do PIB, a adoção possível por ela do PIX pelo conjunto do grupo de países que o compõem, faria tremer o chão do dólar.

O dólar sem o chão de fábrica americano, outrora dominante, para lhe dar o verniz necessário, deixa Washington sem chão.

SEMANA DE ABALO SÍSMICO PARA O DÓLAR

A desvalorização da moeda americana frente ao yen, euro, yuan e, até ao real, ganhou ímpeto, esta semana, com decisão da China de frear compras de título do tesouro americano.

Baque!

A força de Tio Sam está na capacidade do tesouro americano de continuar emitindo títulos.

A banca internacional compra-os e os torna lastro para novas emissões, que se multiplicam mundo a fora para financiar os negócios.

É o reinado da bancocracia a partir do poder que adquire de emitir dinheiro lastreado no papel americano.

Antes do dólar, era a libra inglesa.

O Banco da Inglaterra, criado em 1694, inaugurou o processo.

Títulos do tesouro inglês são transformados em letras de câmbio que o comércio adquire para comprar mercadorias para serem fabricadas pela indústria etc.

As letras descontadas financiam os fundos variados que repetem as operações financeiras mundo a afora, funcionando como oxigênio para o sistema capitalista.

Depois da libra esterlina, que perdeu poder para o dólar, no pós-segunda guerra mundial, a moeda americana, garantida por reservas de ouro, iria ganhar hegemonia global.

Nos anos de 1970 em diante, descolado do ouro, mas ancorado no petróleo, o dólar penetrou o mundo, mas se afogaria na liquidez.

Para enxugá-la, o BC americano puxou a taxa de juro às nuvens, e quem aguentou, aguentou, quem não aguentou se rebentou.

O neoliberalismo veio para escolher os bons e punir os maus.

Os bons, os ricos, especialmente, EUA, emissor de dólar, preservaram seu poder e obrigaram o mundo a financiar a dívida americana, comprando seus títulos, que se transformaram em motor da guerra.

Os americanos, atualmente, têm mais de 800 bases militares nos cinco continentes e fazem guerra para sustentar hegemonia imperialista.

CHINA DIVIDE O PODER MUNDIAL COM EUA

A China, que não entrou no jogo neoliberal e não se rendeu ao financismo especulativo, sobrevivendo à crise do subprime em 2008, optou, não pela guerra, mas pela ciência, reforma agrária e desenvolvimento industrial, pelo chão de fábrica, para comandar produção e consumo em escala global.

Acabou dominando, economicamente, o gigante da guerra, que perdeu o chão de fábrica.

Ao se transformar em grande credora de títulos americanos, fez o império depender da liquidez chinesa, multiplicada pelo domínio crescente da produtividade do chão de fábrica.

O gigante ficou refém do oxigênio chinês, sem o qual se apaga.

Por isso, o sinal alarmante dessa semana é a redução – temporária ou permanente? – da demanda chinesa pela oferta de títulos do tesouro americano.

O dólar, consequentemente, empina para baixo, já afetado pela inflação decorrente da guerra no Oriente Médio, que escalou o preço do petróleo.

IMPLOSÃO DA BOLHA DE IA À VISTA

O mercado ensaia fuga dos principais ativos americanos da atualidade: os relacionados à produção de Inteligência Artificial.

Trilhões e mais trilhões de dólares das bigtecs estão aplicados na IA, sem ter garantia de retorno lucrativo dessas aplicações.

Na verdade, são, ainda, ativos improdutivos em escala incomensurável, candidatos a estourarem em bolhas especulativas, se a rentabilidade deles não cobrir os investimentos realizados.

O mundo treme diante da possibilidade de estouro dessa bolha, que deixa o dólar no fio da navalha.

Não seria para se proteger dessa possibilidade que os chineses estão freando compras dos títulos do tesouro americano, deixando mercado financeiro global em polvorosa?

PIX NO CENTRO DA CRISE FINANCEIRA GLOBAL

É aqui que entra o PIX, fruto da originalidade monetária brasileira.

O meio de pagamento revolucionário criado pelo Brasil assusta Trump, porque ele é mais eficiente do que o congênere americano, SWIFT, pelo qual as transações financeiras globais são realizadas.

Há, portanto, um temor aterrador no ar que abala a confiança do império, trêmulo diante da possibilidade de sua riqueza fictícia, o dólar sem lastro, entrar em parafuso, ao lado das incertezas que tomam conta da produção da Inteligência Artificial, ainda sem lucratividade capaz de remunerar as ações dos investidores, ao mesmo tempo em que a IA se torna essencial nas relações sociais.

Nesse cenário de incerteza no qual adquire grande tensão a relação Brasil-Estados Unidos, a corrida do presidente Lula ao INPI para registrar o PIX como inventividade brasileira tem toda a razão de ser.

Mas, será suficiente para evitar eventual ataque monetário que o império pode engendrar contra o Brasil, especialmente, em ano eleitoral,  usando legislação extraterritorial para combater terrorismo do PCC e do CV, funcionando tal justificativa como mera cortina fumaça?

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