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César Fonseca
O presidente imperialista Donald Trump rompe, em relação ao Brasil, todas as regras da diplomacia, assassinando-a, e determina a vigência de uma não-regra segundo a qual a irracionalidade determina o novo status quo antidemocrático.
A democracia americana vira coisa do passado.
Trump se transforma na negação da conquista filosófica fundamental segundo a qual, conforme Hegel, o Filósofo da Liberdade, “o real é racional e o racional é real”.
Tal determinação hegeliana, considerada uma das maiores conquistas do gênero humano, serviu de parâmetro para o progresso civilizatório, estabelecido pela Revolução Francesa, ao jogar por terra o poder absoluto medieval que seguiu à derrocada do Império Romano.
O real é racional e o racional é real de Hegel estabeleceu:
1 – A nova era republicana de vigência dos poderes democráticos – Executivo, Legislativo e Judiciário;
2 – Base para o desenvolvimento do materialismo histórico e dialético marxista;
3 – O pensamento político social democrata, seguido pelo movimento socialista, no final do século 19, com a revolução soviética, no século 20, e;
4 – O horizonte, hoje, no século 21, visualizado pela China Comunista, no compasso da debacle capitalista americana.
A ANTI-LÓGICA IRRACIONAL EM CENA
Trump é o retorno à barbárie política ao inverter o mandamento filosófico hegeliano, para tentar impor a nova máxima imperialista avessa à democracia: o irracional é real e o real é irracional, quando rompe, abruptamente, com a Convenção de Viena sobre relações diplomáticas.
A lei da força é a essência do trumpismo.
Ela está inscrita na nova doutrina de segurança nacional dos Estados Unidos, lançada por Donald Trump, inspirada na Doutrina Monroe/Donroe, especialmente, para enquadrar em critérios mais rígidos, a América Latina, o espaço do império que está sobrando, relativamente, às demais partes do mundo que se distanciam do poder imperialista americano, baleado na guerra contra o Irã.
Nesse sentido, o foco fundamental, agora, de Trump é a eleição presidencial brasileira, em outubro, e o seu objetivo é derrotar o presidente Lula, que tenta seu quarto mandato, para fixar a ordem imperial de ultradireita em expansão na maioria do continente sul-americano, excetuando, no momento, o Brasil, o Uruguai e o Suriname.
Dominar, política e economicamente o território brasileiro independente e soberano, para apossar de suas riquezas incomensuráveis, é prioridade essencial do trumpismo fascista, empenhado em tentar eleger o fascismo bolsonarista, encabeçado pelo senador Flávio Bolsonaro.
Colocar o Brasil de joelhos é o caminho trumpista para tentar dobrar o BRICS e dar xeque-mate na China, que vence, economicamente o império.
Vale tudo para que tal objetivo trumpista seja alcançado, como acaba de acontecer com o rompimento diplomático, expresso na revogação do visto da embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nos Estados Unidos, como reação à negação do Itamarati em engolir goela abaixo o embaixador americano, Daniel Perez, indicado pela Casa Branca sem consentimento das regras internacionais.
O exercício trumpista do poder irracional, que exclui regras de convivência democrática, vira, portanto, o maior desafio ao governo Lula, cuja máxima é o diálogo democrático.
A soberania democrática brasileira está sob ataque pela lei do faroeste, segundo a qual o poder imperialista prioriza o direito da força sobre a força do direito.
Maria Luiza Ribeiro Viotti está sob perigo de ser presa, tendo à sua porta a ICE, polícia antiimigratória trumpista.
Resta ao presidente Lula chamá-la de volta para casa, a fim de preservar a sua dignidade diplomática.