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quarta-feira, 5 agosto 2026

Trump assassina diplomacia e consagra o irracional como nova regrar global

Foto: Getty Images

César Fonseca

O presidente imperialista Donald Trump rompe, em relação ao Brasil, todas as regras da diplomacia, assassinando-a, e determina a vigência de uma não-regra segundo a qual a irracionalidade determina o novo status quo antidemocrático.

A democracia americana vira coisa do passado.

Trump se transforma na negação da conquista filosófica fundamental segundo a qual, conforme Hegel, o Filósofo da Liberdade, “o real é racional e o racional é real”.

Tal determinação hegeliana, considerada uma das maiores conquistas do gênero humano, serviu de parâmetro para o progresso civilizatório, estabelecido pela Revolução Francesa, ao jogar por terra o poder absoluto medieval que seguiu à derrocada do Império Romano.

O real é racional e o racional é real de Hegel estabeleceu:

1 – A nova era republicana de vigência dos poderes democráticos – Executivo, Legislativo e Judiciário;

2 – Base para o desenvolvimento do materialismo histórico e dialético marxista;

3 – O pensamento político social democrata, seguido pelo movimento socialista, no final do século 19, com a revolução soviética, no século 20, e;

4 – O horizonte, hoje, no século 21, visualizado pela China Comunista, no compasso da debacle capitalista americana.

A ANTI-LÓGICA IRRACIONAL EM CENA

Trump é o retorno à barbárie política ao inverter o mandamento filosófico hegeliano, para tentar impor a nova máxima imperialista avessa à democracia: o irracional é real e o real é irracional, quando rompe, abruptamente, com a Convenção de Viena sobre relações diplomáticas.

A lei da força é a essência do trumpismo.

Ela está inscrita na nova doutrina de segurança nacional dos Estados Unidos, lançada por Donald Trump, inspirada na Doutrina Monroe/Donroe, especialmente, para enquadrar em critérios mais rígidos, a América Latina, o espaço do império que está sobrando, relativamente, às demais partes do mundo que se distanciam do poder imperialista americano, baleado na guerra contra o Irã.

Nesse sentido, o foco fundamental, agora, de Trump é a eleição presidencial brasileira, em outubro, e o seu objetivo é derrotar o presidente Lula, que tenta seu quarto mandato, para fixar a ordem imperial de ultradireita em expansão na maioria do continente sul-americano, excetuando, no momento, o Brasil, o Uruguai e o Suriname.

Dominar, política e economicamente o território brasileiro independente e soberano, para apossar de suas riquezas incomensuráveis, é prioridade essencial do trumpismo fascista, empenhado em tentar eleger o fascismo bolsonarista, encabeçado pelo senador Flávio Bolsonaro.

Colocar o Brasil de joelhos é o caminho trumpista para tentar dobrar o BRICS e dar xeque-mate na China, que vence, economicamente o império.

Vale tudo para que tal objetivo trumpista seja alcançado, como acaba de acontecer com o rompimento diplomático, expresso na revogação do visto da embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nos Estados Unidos, como reação à negação do Itamarati em engolir goela abaixo o embaixador americano, Daniel Perez, indicado pela Casa Branca sem consentimento das regras internacionais.

O exercício trumpista do poder irracional, que exclui regras de convivência democrática, vira, portanto, o maior desafio ao governo Lula, cuja máxima é o diálogo democrático.

A soberania democrática brasileira está sob ataque pela lei do faroeste, segundo a qual o poder imperialista prioriza o direito da força sobre a força do direito.

Maria Luiza Ribeiro Viotti está sob perigo de ser presa, tendo à sua porta a ICE, polícia antiimigratória trumpista.

Resta ao presidente Lula chamá-la de volta para casa, a fim de preservar a sua dignidade diplomática.

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