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Postado em 30/11/2021 4:27

Tribunal Supremo da Venezuela determina realização de novas eleições no estado natal de Chávez

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Argenis Chávez (PSUV) e Freddy Superlano (MUD) disputaram o governo do estado Barinas que terá de realizar novas eleições em janeiro – AVN
IMPASSE

Diante de indefinição de resultado em Barinas, novo processo eleitoral foi convocado para 9 de janeiro de 2022
Michele de Mello
Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |

O Tribunal Supremo da Venezuela (TSJ) determinou a realização de novas eleições para governador no estado Barinas após aceitar uma medida cautelar interposta pelo ex-deputado Adolfo Superlano (Ação Democrática).

Barinas, região do planalto venezuelano, foi o único estado a não finalizar a apuração dos votos das eleições realizadas no 21 de novembro. Com 99,79% das atas eleitorais computadas, tanto o candidato à reeleição Argenis Chávez (PSUV / GPP) como o opositor Freddy Superlano (Vontade Popular / MUD) declararam vitória.

Os resultados prelminares então apresentados no primeiro boletim do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) apontavam 37,79% dos votos para Superlano e 37,05% para Chávez, com uma participação de 45% do eleitorado entre 607 mil pessoas. Já no segundo boletim, Barinas não aparecia na atualização das parciais por pedidos de recontagem de algumas mesas eleitorais.

Barinas é o estado natal do ex-presidente Hugo Chávez. Desde o início da revolução bolivariana, há 23 anos, o chavismo governa essa região. Primeiro com o Hugo de los Reyes Chávez (1998-2008), pai do ex-presidente, seguido de Adán Chávez (2008-2017) e Argenis Chávez (2017-2021), os dois últimos irmãos do ex-mandatário.

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O recurso aceito pelo TSJ para suspender a apuração e convocar novas eleições defende que houve irregularidades no pleito, já que o opositor Freddy Superlano havia sido inabilitado no dia 17 de agosto pela Controladoria Geral da República.

Superlano é um dos membros do partido de Juan Guaidó envolvidos no escândalo do “Cucutazo”, quando se evidenciou que parte do dinheiro enviado do exterior como ajuda humanitária foi usado para festas e hospedagem por opositores na cidade de Cúcuta, fronteira entre Colômbia e Venezuela.

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Desde o dia 26 de novembro, a contagem de votos já estava sob supervisão da Junta Nacional Eleitoral (JNE) por conta da pequena margem de diferença. O prazo para a JNE publicar o resultado oficial venceu na última segunda-feira (29), mesmo dia em que o TSJ publicou sua decisão de suspensão das eleições.

Barinas é o único estado com vazio de poder. Segundo a legislação, a presidência do Conselho Legislativo do Estado, nas mãos do chavismo, assume a administração até a definição do novo governador.

Caso Freddy Superlano seja impossibilitado de disputar o novo pleito, a decisão estaria entre Argenis Chávez, do partido governante PSUV, e Rafael Rosales Peña, do tradicional partido de direita Ação Democrática – terceiro colocado nas eleições regionais de 21 de novembro. 

Superlano pede unidade dos seus apoiadores para defender o voto. “Somente mobilizados e defendendo nosso direito de maneira pacífica superaremos esse obstáculo e avançaremos para uma Barinas para todos”, comentou o candidato em suas redes sociais.

Já o chavista, Argenis Chávez promete uma coletiva de imprensa ainda nesta terça-feira (30) para dar sua opinião sobre a decisão judicial.

Nas eleições regionais de domingo (21), o chavismo obteve a ampla maioria dos governos estaduais e prefeituras, embora o total de votos para a oposição tenha sido superior. Os opositores divididos nas chapas Mesa de Unidade Democrática e Aliança Democrática obtiveram 4.429.157 votos, equivalente a 51,3% do total, enquanto Grande Polo Patriótico fez 3.722.356 votos, equivalente a 45,7%.

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